domingo, 6 de julho de 2008

A história, parte 3



A parte 1 da história você encontra no blog do Homero.
A parte 2 tá no da Alexandra.
A parte 3, depois de um parto, está aqui.
Em breve, a parte 4, que será tarefa do meu grande amigo Paulo Chagas.


Antes de entrar no bar, vomita uma mistura de estrogonofe com musse de maracujá. Não conseguiu entrar no beco. Uma senhora gorda passa, diz algo parecido com “torto” e cospe, mas ele não dá bola. Passa a mão no rosto. Quer uma bebida gelada pra tirar o seco da garganta e o gosto de podre.
Não há ninguém na porta, então ele entra direto. Supresa. O lugar é muito menor do que parece do lado de fora. À direita, num canto escuro, uma jukebox toca “Over the Rainbow”.
Ainda meio tonto e com gosto de guarda-chuva na boca, ele se aproxima do balcão, que fica a uns 5 metros das únicas três mesas do bar. A luz negra domina o ambiente. Na última mesa do fundo, há uma mulher em um vestido branco, que se destaca naquele ambiente escuro e fétido.
Que sede! Sentado em um banco à frente do balcão, um homem de terno verde- musgo e chapéu de panamá balança a cabeça, num cumprimento. Ele não retribui, só pensa em algo bem gelado. Pede uma cerveja e uma dose de gin tônica para o longilíneo barman, que usa uma camiseta branca sem mangas.
Só depois de os copos serem servidos é que ele nota o bigodinho bem aparado e uma tatuagem no antebraço esquerdo: “O destino o trouxe aqui. Deus o levará.” é a frase dentro de um coração sem flecha e sem cor.
Ele larga uma nota de R$ 50 e vai sentar de frente para a moça do vestido branco. Nem dá tempo de terminar o primeiro gole de gim, e ela se levanta e sai porta afora. Os cabelos são longos e loiros. Um doce aroma de alfazema fica no ar.
A porra da cerveja está quente. Ele então seca o copo de gim e vai para o banheiro, atrás de uma porta estilo “saloon”.
Dentro do WC, um forte cheiro de merda. Numa peça sem porta, a latrina está com uma água marron transbordando. Ele resolve, então, mijar no mictório, que já não dá vencimento e também está entupido. Tudo gira.
Sobre a pia, uma ponta. Meio entorpecido pelo fedor que invade suas narinas e acende a baga com seu Bic. A fumaça ainda está nos pulmões quando a porta se abre. É um velho, de feições magras. A barba está grande e malfeita. Os cabelos, soltos, ultrapassam os ombros. Veste um tipo de túnica longa e avermelhada. Sem saber o que fazer, ele tenta sair. O senhor coloca a mão em seu braço e puxa uma faca. Começa a gritar:
- Não deixe Dolores ir atrás do rouxinol! Não deixe Dolores ir atrás do rouxinol!
A porta se abre novamente. Surge uma pistola cromada, na mão de alguém com terno preto e Rolex. Ainda seguro no braço pelo velho, o homem fecha os olhos e ouve um tiro.

5 comentários:

Ale disse...

Tigre, essa história está ficando cada vez melhor. Olha que estamos escrevendo um best seller!!! huahuahauuhauhahua. Amei, realmente, o rouxinol tá me dando medo!
Agora vamos esperar o Chaguinhas mandar ver com o quarto capítulo. huhuhuhu

Francieli Rebelatto disse...

Hummm...5...num bolso...50 em outro...mais pontas...
Fico com: NÃO DEIXE DOLORES, IR ATRÁS DO ROUXINOL...

Opa, opa, posso entrar na roda???
Isso ta ficando bom...

Beijos

Fani disse...

Isso tem que virar um livro no final hehehe

bernard n. shull disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Cor de Rosa e Carvão disse...

He he he. Eu fico com o bolso de onde saiu 5tão! Tá tri esse negócio. Será que a Dolores é a mulher gorda que gritou na saída?