Pouco tempo que soube que a Comissão Permanente de Vestibular (Coperves) da UFSM havia divulgado a relação candidato/vaga do vestibular, fui correndo lá pro site olhar. Foi a primeira vez que realmente me senti um vestibulando. Tá, tudo bem, tinha olhado o edital, fiz a inscrição no site, paguei a inscrição na data-limite, depois de muito filosofar a respeito. Mas ainda não estava no clima.
Na empolgação, até meio bobo, abri o PDF no site da Coperves, rolei a barra lateral e cheguei até "meu" curso: Tecnologia em Sistemas de Internet. Olhei, olhei de novo e exclamei: 0,35 por vaga. A Mari, minha metade incentivadora, já queria escrever "bixo" na minha testa. Festa momentânea.
Olhei de novo a tabela dos cursos para ter certeza. Percebi que, na verdade, não iria concorrer somente com um braço ou uma perna. O 0,35 candidato/vaga era do curso de Frederico Westphalen. Em Santa Maria, é 1,70 por vaga. Não parece nenhum drama: são 34 candidatos para 20 vagas destinadas a quem não se enquadra em nenhuma das cotas (pessoa com deficiência, indígena, estudante de escola pública). Ter 35 anos ou mais não vale.
O problema disso tudo é que eu terminei o 2º Grau (viu? nem era Ensino Médio) em 1991. Osmose, cloreto de sódio, vegetação, gravidade, hipotenusa, cateto, cacete! São só palavras sem muito significado, perdidas em algum lugar obscuro do cerébro. Literatura, história, português, redação, até vai. Mas, e o resto?
Bom, sempre tem a abstenção... Alguns ficam presos no trânsito e perdem a prova... Uns zeram a redação... Estou no páreo. E, se alguém ainda lê este blog, vai ter que me aguentar. Vestibulando é bicho (ainda com ch) chato mesmo, né?
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Férias, parte 1 de várias
O casal tinha passado o domingo, 13 de setembro, em Olinda. Sim, a cidade das igrejas seculares, das ladeiras. Luiz e Mari tinham embarcado no Piedade/Rio Doce e, depois de uma viagem rapidíssima, desceram na Avenida Agamenon Magalhães, perto do Hospital da Restauração (e não da Ressureição, como ele falava às vezes) e da Praça do Derby. Meio desorientados, eles começaram a seguir um bando de torcedores com camisetas alvi-rubras.
Algumas quadras de caminhada e cerca de 20 minutos, e eles chegaram ao Estádio dos Aflitos. No caminho, venda de traquitanas e ingressos. A entrada da torcida visitante era pela rua dos fundos. Para garantir, seguimos um grupo que usavas camisetas tricolores, azul, preto e branco. Antes da chegada, um cambista oferecia o ingresso por R$ 30, o mesmo preço da bilheteria. Compramos, com um pouco de receio, e entramos. Eram mais ou menos 17h30min, faltava uma hora para a partida.
O jogo? Náutico x Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro. Não estava nos planos passar férias em Recife justamente quando o tricolor gaúcho fosse jogar lá. Foi uma feliz coincidência. A escala de trabalho foi madrasta tantas vezes em que o Grêmio jogou em Porto Alegre, mas o calendário de férias foi uma mãe pra gente nesse sentido.
E a sorte não parou por aí. O Grêmio não tinha ganhado nenhuma partida fora de casa no campeonato. Tinha a pior campanha fora de seus domínios. E não é que ele venceu a primeira, tendo eu, a Mari e mais cerca de 100 gremistas como testemunhas? A vitória começou a ser construída cedo, com os 2 a 0 do primeiro tempo. Depois, foi só segurar o resultado.
Foi um momento marcante das férias. A 3,8 mil km de casa e em meio a praias e lições de história, vimos o nosso time ganhar em um estádio lotado pela torcida adversária. Tudo bem tranquilo, sem violência, sem ameaça. E com direito a provocações da torcida gremista aos vizinhos do prédio que fica colado no estádio que podem ver o jogo da sua sala de estar.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Seis salas de cinema

Desde a última sexta-feira, Santa Maria tem quatro cinemas a mais. São as salas da Arcoíris, no Royal Plaza Shopping. Para quem está acostumado a cinemas multiplex nos "grandes centros", pode parecer que as salas não têm nada de mais. Mas, para Santa Maria, elas fazem uma grande diferença.
Falo de cadeira (de cinema), depois de sentar em salas em que não dava para ver filme nacional, porque o som era uma merda, depois de sair com as costas doendo, porque o assento era pura tábua, depois de ver inúmeras falhas na projeção de um filme. No domingo passado, eu e a Mari estreamos na sala 3 do Arcoíris. Faço minhas as palavras da Tati Py, na matéria publicada pelo Diário no fim de semana (a foto acima é do jornal, feita pelo Lauro Alves): "O ambiente é acolhedor – característica favorecida pelo cheiro de carpete novo e pelas poltronas extramacias, que fazem você se sentir no sofá de casa. Os assentos, aliás, foram instalados como uma arquibancada, num sistema chamado Arcoplex Stadium. Nele, há um desnível de 35cm de um degrau para outro. Ou seja: se uma pessoa alta sentar na sua frente, dificilmente encobrirá sua visão. O som é impecável, bem como a qualidade de imagem." Não foi barato (R$ 12 no domingo), mas valeu o preço do ingresso.
Pra não dizer que tudo era perfeito, achei o banheiro meio tímido em relação à grandiosidade das salas. O masculino, pelo menos. Não entrei no outro, claro. No dos meninos, há apenas um mictório (para quem não sabe, é uma espécie de orelha grudada na parede em que você faz xixi dentro) e um vaso sanitário (a popular patente ou privada). Então, até fila tinha, o que não é muito comum entre o público que tem tico. Para completar, não há uma mola na porta. Como não falta gente com rabo nesse mundo, você pode sair de uma sessão de Transformers 2 e ganhar de brinde a visão de um gajo dando aquela mijada.
Não vou falar sobre o "bombonière", porque a Mari é que ficou responsável pela pipoca (que tava boa) e o refri (que tava gelado). Sobre o filme, Intrigas de Estado, vale outro post, só pra comentar o "conflito" entre o jornalismo impresso e o online.
O bacana de tudo isso é que temos agora chance de ter seis filmes diferentes passando em seis salas na cidade, mesmo que, neste começo, haja filmes repetidos. Ter escolha é importante, mesmo que a escolha seja ficar em casa.
domingo, 28 de junho de 2009
O twitter do Luxemburgo

Estava demorando. Uma notícia vinda do Twitter de alguém ganhou a mídia nacional. No caso, estou falando do técnico Vanderlei Luxemburgo, que anunciou em seu Twitter e em seu blog que havia sido demitido do Palmeiras, no sábado de madrugada.
Aguardem, caros leitores. Em breve, mortes, divórcios, casamentos, lançamentos e outras coisas que você só ficava sabendo pela mídia serão descobertas diretamente das fontes, sem intermediários. Nada mais atual, em tempos que o diploma de jornalista não vale nada.
sábado, 27 de junho de 2009
O estelionato não vem de hoje
Se brasileiro tivesse memória e os políticos tivessem vergonha, José Sarney jamais seria presidente do Senado. Basta lembrar do estelionato eleitoral cometido em 1986. Em março daquele ano, milhões de brasileiros pregaram um broche nas camisas e saíram às ruas para defender o controle de preços do Plano Cruzado. Eram os "fiscais do Sarney". O congelamento só resistiu até as eleições estaduais de novembro daquele ano, quando o PMDB quase todos os governadores do país. Sem o tabelamento, a inflação galopante voltou, e os "fiscais" se sentiram traídos. Teve até jornal que publicou o tal broche na capa, para que ele fosse recortado e colado no peito. Que ilusão...Chega das velhas raposas, tema tão bem abordado pelo chargista Simanca, do jornal A Tarde, da Bahia (aí logo abaixo).
Ser bombeiro é fogo, mesmo que por 8 horas
Ser bombeiro por um dia foi um aprendizado e tanto, numa promoção dos bombeiros de Santa Maria. Em apenas 8 horas, aprendi muita coisa. Senão vejamos:

Conheci várias técnicas de enforcar gente...

Conheci várias técnicas de enforcar gente...
... aprendi a invadir prédios e a fugir de rapel...
... a sair correndo com a mangueira dos bombeiros...
... a incendiar...
... e depois atiçar o fogo...
... e a fazer baderna em cima do caminhão dos bombeiros (todas as fotos, com exceção da última, são de Marilice Daronco).
Brincadeiras à parte, ser bombeiro por um dia foi uma baita experiência. Deu pra ver que os caras ralam pra caramba. E que fazem muita coisa. Na boa, eles são mesmo heróis. E não só por um dia.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Periquito é time
O Riograndense tá indo bem melhor do que eu imaginava na 2ª fase da Segundona do Gauchão. Neste domingo, venceu o Bagé por 2 a 1 e está cada vez mais isolado na liderança de sua chave. Em cinco jogos nessa fase, são 4 vitórias e 1 empate, o que impressiona. E o time está jogando direitinho.
Na tarde deste domingo, saiu atrás, numa falha gritante do zagueiro Bonaldi, mas empatou logo depois com Rangel e virou com Juninho Laguna. O que não dá é perder tanto gol. A partida poderia ter sido muito mais fácil e sem sustos se não fossem desperdiçadas tantas chances de gol.
Se o Periquito vai subir pra primeira divisão, não sei. Até porque depois tem uma fase em que tudo começa do zero novamente. Mas está legal ver o Riograndense. Tem mecânica, jogadas bonitas, saída rápida de trás... Tem cara de time.
domingo, 14 de junho de 2009
O exterminador do roteiro

Puxa, que saudade do James Cameron. Ele fez da série O Exterminador do Futuro algo de fundamento. O primeiro, de 1984, tive a oportunidade de ver no cine Marrocos, na Getúlio Vargas, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. Tinha 10 anos na época, e filme tinha censura de 16. No Marrocos, não davam muita bola pra isso. Mais tarde, eu entendi a mensagem da classificação por idade. Tudo bem que dava pra ver os peitos da Linda Hamilton, a Sarah Connor que o robô Arnold Schwarzenegger queria matar para que ela não tivesse o filho, John Connor, que seria o líder da resistência. O engraçado é que depois eu não sonhava com as tetas da Sarah, e sim com a cara do atual governador da California.
Fechando o parêntese, voltamos a 2009 e ao O Exterminador do Futuro: a Salvação, que estreou recentemente nos cinemas. Os efeitos são bacanas, mas a historinha... Quantos buracos no roteiro.
Pra começar, os robôs da Skynet, que domina o mundo e está prestes a exterminar toda a raça humana do planeta, são muito burros. Em algumas cenas, eles parecem Hulks jogando humanos para lá e para cá, em vez de esmagar o crânio deles. E ainda permitem que a resistência humana se comunique por rádio! Em 2018! Ah, desculpa, mas não dá pra acreditar.
Tem uma cena no final que eu não vou nem comentar, pra não estragar a surpresa e para não pegar pesado demais. Sem falar em outras dezenas de furos no roteiro. Estou me perguntando até agora onde foi para a equipe comandada por John Connor (Christian Bale) que desce de rapel em um buraco no início do filme. Eles desapareceram! Vai ver vão voltar numa futura sequência. Por mim, tudo bem que a franquia siga viva. Desde que arrumem um diretor e um roteirista que não exterminem a minha paciência.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
De olhos abertos para a cegueira do mundo

Em um sábado à noite, saio perturbado da sessão de Ensaio sobre a Cegueira. Estou na Cidade Baixa, em Porto Alegre, e começo a observar alguns detalhes que não enxergava mais. Na Rua Lima e Silva, um guardador de carro pergunta se eu, assim como ele, achava que um carro estacionado estava com os faróis acessos. Respondo que sim e ainda emito a opinião de que o dono do veículo iria ter problemas para dar partida. Sigo meu caminho e percebo que, antes do filme, talvez aquele guardador estivesse invisível. Logo depois, quase sou atropelado por um veículo que dobra na Rua da República. Ele não havia dado o sinal da conversão, e eu, não o vi. Cegueira momentânea?
Segui pensando na visão que temos do mundo. O diretor Fernando Meirelles tem a sua, apresentada em Ensaio sobre a Cegueira, adaptação para o cinema da obra do escritor português José Saramago. Li o livro há uns bons anos e posso dizer que o cineasta (e seus roteiristas) tiveram trabalho para filmar uma história cujos espaço e tempo são indefinidos, repleta de metáforas e com personagens sem nome. O básico: uma epidemia de cegueira que atinge a humanidade. A partir da perda do sentido da visão, vem a barbárie.
Com medo do contágio, o governo decide isolar os primeiros "infectados" em uma espécie de manicômio abandonado. Lá, eles têm que se acostumar a novas regras e hierarquias. Enquanto uns propõem a igualdade de direitos e deveres, outros crêem que podem governar pela força e humilham os restantes. É interessante, tanto no livro quanto no filme, ver essa transformação do homem em um animal que só vive para saciar o apetite de seu instinto. Despojados das facilidades modernas, "os seres humanos" voltam a ser bichos, em busca das necessidades básicas, como comida, bebida e sexo.
A cegueira é branca, muito bem retratada pela fotografia do filme. É o brilho da luz que cega, é o excesso de informações desordenadas que confunde, e não deixa ver como o mundo como ele realmente é. Isso só pode dar em caos. Não é o que estamos vivendo?
Meirelles fez algumas concessões - amenizou a cena dos estupros, por exemplo -, mas não todas. E conseguiu tirar boas atuações de Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Danny Glover e Alice Braga. Com produção globalizada e filmagens não menos espalhadas (São Paulo foi uma das locações), Ensaio, com o perdão do trocadilho, faz a gente enxergar muitas coisas. Mesmo que em, algumas partes do filme, o choque de realidade nos faça fechar os olhos.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Parte IV
domingo, 6 de julho de 2008
A história, parte 3

A parte 1 da história você encontra no blog do Homero.
A parte 2 tá no da Alexandra.
A parte 3, depois de um parto, está aqui.
Em breve, a parte 4, que será tarefa do meu grande amigo Paulo Chagas.
Antes de entrar no bar, vomita uma mistura de estrogonofe com musse de maracujá. Não conseguiu entrar no beco. Uma senhora gorda passa, diz algo parecido com “torto” e cospe, mas ele não dá bola. Passa a mão no rosto. Quer uma bebida gelada pra tirar o seco da garganta e o gosto de podre.
Não há ninguém na porta, então ele entra direto. Supresa. O lugar é muito menor do que parece do lado de fora. À direita, num canto escuro, uma jukebox toca “Over the Rainbow”.
Ainda meio tonto e com gosto de guarda-chuva na boca, ele se aproxima do balcão, que fica a uns 5 metros das únicas três mesas do bar. A luz negra domina o ambiente. Na última mesa do fundo, há uma mulher em um vestido branco, que se destaca naquele ambiente escuro e fétido.
Que sede! Sentado em um banco à frente do balcão, um homem de terno verde- musgo e chapéu de panamá balança a cabeça, num cumprimento. Ele não retribui, só pensa em algo bem gelado. Pede uma cerveja e uma dose de gin tônica para o longilíneo barman, que usa uma camiseta branca sem mangas.
Só depois de os copos serem servidos é que ele nota o bigodinho bem aparado e uma tatuagem no antebraço esquerdo: “O destino o trouxe aqui. Deus o levará.” é a frase dentro de um coração sem flecha e sem cor.
Ele larga uma nota de R$ 50 e vai sentar de frente para a moça do vestido branco. Nem dá tempo de terminar o primeiro gole de gim, e ela se levanta e sai porta afora. Os cabelos são longos e loiros. Um doce aroma de alfazema fica no ar.
A porra da cerveja está quente. Ele então seca o copo de gim e vai para o banheiro, atrás de uma porta estilo “saloon”.
Dentro do WC, um forte cheiro de merda. Numa peça sem porta, a latrina está com uma água marron transbordando. Ele resolve, então, mijar no mictório, que já não dá vencimento e também está entupido. Tudo gira.
Sobre a pia, uma ponta. Meio entorpecido pelo fedor que invade suas narinas e acende a baga com seu Bic. A fumaça ainda está nos pulmões quando a porta se abre. É um velho, de feições magras. A barba está grande e malfeita. Os cabelos, soltos, ultrapassam os ombros. Veste um tipo de túnica longa e avermelhada. Sem saber o que fazer, ele tenta sair. O senhor coloca a mão em seu braço e puxa uma faca. Começa a gritar:
- Não deixe Dolores ir atrás do rouxinol! Não deixe Dolores ir atrás do rouxinol!
A porta se abre novamente. Surge uma pistola cromada, na mão de alguém com terno preto e Rolex. Ainda seguro no braço pelo velho, o homem fecha os olhos e ouve um tiro.
A parte 2 tá no da Alexandra.
A parte 3, depois de um parto, está aqui.
Em breve, a parte 4, que será tarefa do meu grande amigo Paulo Chagas.
Antes de entrar no bar, vomita uma mistura de estrogonofe com musse de maracujá. Não conseguiu entrar no beco. Uma senhora gorda passa, diz algo parecido com “torto” e cospe, mas ele não dá bola. Passa a mão no rosto. Quer uma bebida gelada pra tirar o seco da garganta e o gosto de podre.
Não há ninguém na porta, então ele entra direto. Supresa. O lugar é muito menor do que parece do lado de fora. À direita, num canto escuro, uma jukebox toca “Over the Rainbow”.
Ainda meio tonto e com gosto de guarda-chuva na boca, ele se aproxima do balcão, que fica a uns 5 metros das únicas três mesas do bar. A luz negra domina o ambiente. Na última mesa do fundo, há uma mulher em um vestido branco, que se destaca naquele ambiente escuro e fétido.
Que sede! Sentado em um banco à frente do balcão, um homem de terno verde- musgo e chapéu de panamá balança a cabeça, num cumprimento. Ele não retribui, só pensa em algo bem gelado. Pede uma cerveja e uma dose de gin tônica para o longilíneo barman, que usa uma camiseta branca sem mangas.
Só depois de os copos serem servidos é que ele nota o bigodinho bem aparado e uma tatuagem no antebraço esquerdo: “O destino o trouxe aqui. Deus o levará.” é a frase dentro de um coração sem flecha e sem cor.
Ele larga uma nota de R$ 50 e vai sentar de frente para a moça do vestido branco. Nem dá tempo de terminar o primeiro gole de gim, e ela se levanta e sai porta afora. Os cabelos são longos e loiros. Um doce aroma de alfazema fica no ar.
A porra da cerveja está quente. Ele então seca o copo de gim e vai para o banheiro, atrás de uma porta estilo “saloon”.
Dentro do WC, um forte cheiro de merda. Numa peça sem porta, a latrina está com uma água marron transbordando. Ele resolve, então, mijar no mictório, que já não dá vencimento e também está entupido. Tudo gira.
Sobre a pia, uma ponta. Meio entorpecido pelo fedor que invade suas narinas e acende a baga com seu Bic. A fumaça ainda está nos pulmões quando a porta se abre. É um velho, de feições magras. A barba está grande e malfeita. Os cabelos, soltos, ultrapassam os ombros. Veste um tipo de túnica longa e avermelhada. Sem saber o que fazer, ele tenta sair. O senhor coloca a mão em seu braço e puxa uma faca. Começa a gritar:
- Não deixe Dolores ir atrás do rouxinol! Não deixe Dolores ir atrás do rouxinol!
A porta se abre novamente. Surge uma pistola cromada, na mão de alguém com terno preto e Rolex. Ainda seguro no braço pelo velho, o homem fecha os olhos e ouve um tiro.
CNH: proibida para pobre

A primeira habilitação no Rio Grande do Sul:
R$ 129,90 - 30 horas de aulas teóricas (R$ 4,33 cada hora)
R$ 360,75 - 15 horas de aulas práticas (15 x R$ 24,05)
R$ 21,62 - Locação do carro para os exames práticos
R$ 41,99 - Exame de saúde
R$ 41,99 - Avaliação psicológica
R$ 41,99 - Exame teórico
R$ 73,04 - Exame prático de Direção
R$ 32,86 - Expedição da CNH
R$ 744,14 - Total
Em Santa Catarina, a primeira CNH sai por R$ 560. Pra começar, os exames custam R$ 30 cada. É uma diferença.
Se as contratadas para fazer os exames no Rio Grande do Sul conseguiam executar o serviço e ainda desviar milhões, a carteira podia ser mais barata, não? Demorou. Não é à toa que os CFCs parcelam, aceitam cartão de crédito etc
R$ 129,90 - 30 horas de aulas teóricas (R$ 4,33 cada hora)
R$ 360,75 - 15 horas de aulas práticas (15 x R$ 24,05)
R$ 21,62 - Locação do carro para os exames práticos
R$ 41,99 - Exame de saúde
R$ 41,99 - Avaliação psicológica
R$ 41,99 - Exame teórico
R$ 73,04 - Exame prático de Direção
R$ 32,86 - Expedição da CNH
R$ 744,14 - Total
Em Santa Catarina, a primeira CNH sai por R$ 560. Pra começar, os exames custam R$ 30 cada. É uma diferença.
Se as contratadas para fazer os exames no Rio Grande do Sul conseguiam executar o serviço e ainda desviar milhões, a carteira podia ser mais barata, não? Demorou. Não é à toa que os CFCs parcelam, aceitam cartão de crédito etc
Um pingo de ressaca moral
Protesto na frente do Bar do Pingo (foto de Charles Guerra/Diário)Fatos:
1) No sábado retrasado, dia 28, um jovem administrador de empresa de 25 anos não concordou com a conta no Bar do Pingo, na esquina da Astrogildo de Azevedo com a Floriano Peixoto, no Centro de Santa Maria. Terminou a noite com alguns dentes quebrados e com o maxilar partido em dois.
2) Na quinta-feira à noite, mais de 100 pessoas fazem protesto em frente ao Bar do Pingo, propondo boicote coisa e tal, por causa da violência. O trânsito foi fechado, os jornais divulgaram fotos...
Conseqüências:
1) Advogado da vítima fecha acordo com o bar, para não haver processo. As bases ainda não são conhecidas.
2) Sábado, meia-noite. Uma fila de quase 40 pessoas se forma do lado de fora do bar. Todas querendo entrar.
Desejos:
1) Que as casas noturnas sejam fiscalizadas de verdade pelas autoridades, a começar pelos seguranças.
2) Espero que nenhum dos que estavam na fila no sábado passado tenha comparecido ao protesto. Seria muita hipocrisia.
1) No sábado retrasado, dia 28, um jovem administrador de empresa de 25 anos não concordou com a conta no Bar do Pingo, na esquina da Astrogildo de Azevedo com a Floriano Peixoto, no Centro de Santa Maria. Terminou a noite com alguns dentes quebrados e com o maxilar partido em dois.
2) Na quinta-feira à noite, mais de 100 pessoas fazem protesto em frente ao Bar do Pingo, propondo boicote coisa e tal, por causa da violência. O trânsito foi fechado, os jornais divulgaram fotos...
Conseqüências:
1) Advogado da vítima fecha acordo com o bar, para não haver processo. As bases ainda não são conhecidas.
2) Sábado, meia-noite. Uma fila de quase 40 pessoas se forma do lado de fora do bar. Todas querendo entrar.
Desejos:
1) Que as casas noturnas sejam fiscalizadas de verdade pelas autoridades, a começar pelos seguranças.
2) Espero que nenhum dos que estavam na fila no sábado passado tenha comparecido ao protesto. Seria muita hipocrisia.
terça-feira, 1 de julho de 2008
O cocô fala

Você nunca se sentiu incomodado por estar "trancado"? Numa linguagem mais chula, ficou um tempo sem conseguir cagar? Pois é, além de causar um mal-estar, afeta o lado psicológico. O cara fica meio chateado, não consegue fazer as coisas direito, parece que carrega um peso nas costas (neste caso, literalmente)...
E descobriram, mesmo, o valor do marronzinho (ou begezinho, se você estiver com "churrio"). Tanto que os norte-americanos Anish Sheth e Josh Richman lançaram o livro O que Seu Cocô Está Dizendo a Você - Montes de Fatos Importantes Sobre a sua Saúde. Uma crítica de Ludmilla Balduino no UOL Tablóide dá uma idéia do quão sensacional foi escrever sobre merda, mesmo que seja para depois alguém dizer que a obra é uma merda.
Da resenha de Ludmilla tiro algumas coisas sensacionais. A começar por uma parte da introdução do livro: "Ainda que não seja uma conquista facilmente alcançável, essa espécie de 'Cocô-Foria' nos proporciona um êxtase, uma sensação de invencibilidade, que alguns já comparam com uma iluminação mística".
Vejam alguns tipos de cocô classificados pelos autores: "Os Que Flutuam e Os Que Afundam", "O Cocô Empedrado", "O Pingente", "O Cocô Que Põe Fim à Lua-de-Mel", "Cocô Já-Te-Vi" (também chamado de "Hambúrguer Vegetariano" ou "Sobras de Ontem"), "Número 3" (Fazer Xixi por Trás, Cocô Líquido, As Grandes Corredeiras etc)... Sabem qual personagem do livro explica tudo isso? O Dr. Barroso kkkkkkkkkkkk
Para quem despreza o que sai da bunda e dá descarga sem nem dar tchau, é bom repensar seus conceitos. E tem o lado lúdico também: vai dizer que o cocô não é um bom amigo com quem se poder falar merda. Dizer porra nenhuma já fica complicado. Dar uma mijada em alguém também é muito grosseiro. Tá, exagerei na escatologia. Mas, pensando bem, me fez bem escrever esse post. Que está uma merda.
(agradecimento ao Deni por essa descoberta)
O livro já está venda por aí a R$ 17,90, é só jogar no Google que você acha.
Leia o release da editora aqui.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
A história
O diploma
Estava marcada para agora de manhã uma manifestação de estudantes de Jornalismo pela exigência do diploma para o exercício da profissão.
Confesso que sou meio indiferente a essa questão, mas por causa de uma situação bem pessoal. Antes de receber o canudo propriamente dito, trabalhei quase quatro anos em redação e um em assessoria de imprensa. Trabalhei e aprendi muito mais do que no curso da UFRGS. Para não dizer que não tirei nada da Fabico, ficvaram muitas amizades e muito senso crítico, principalmente por causa de professores como Giba Assis Brasil. Sandra de Deus, Wladimir Ungaretti e Virginia Fonseca. Infelizmente, foram poucos momentos de brilho. Eu também dei a minha contribuição, sendo um péssimo aluno.
Só não larguei mesmo o curso porque precisava me formar para poder trabalhar na "legalidade" e, claro, poder assinar carteira. E porque uma professora acreditou que eu podia. Enquanto a formatura não acontecia, diversas oportunidades foram passando. Perdi pra gente que sabia menos que eu por causa da falta do diploma.
Então, pra mim, tanto faz. Mas é uma opinião bem pessoal. O certo é que não qualifico ou desmereço ninguém por causa de seus "títulos". O contrasenso disso tudo é cursar uma especialização e gostar dela.
Confesso que sou meio indiferente a essa questão, mas por causa de uma situação bem pessoal. Antes de receber o canudo propriamente dito, trabalhei quase quatro anos em redação e um em assessoria de imprensa. Trabalhei e aprendi muito mais do que no curso da UFRGS. Para não dizer que não tirei nada da Fabico, ficvaram muitas amizades e muito senso crítico, principalmente por causa de professores como Giba Assis Brasil. Sandra de Deus, Wladimir Ungaretti e Virginia Fonseca. Infelizmente, foram poucos momentos de brilho. Eu também dei a minha contribuição, sendo um péssimo aluno.
Só não larguei mesmo o curso porque precisava me formar para poder trabalhar na "legalidade" e, claro, poder assinar carteira. E porque uma professora acreditou que eu podia. Enquanto a formatura não acontecia, diversas oportunidades foram passando. Perdi pra gente que sabia menos que eu por causa da falta do diploma.
Então, pra mim, tanto faz. Mas é uma opinião bem pessoal. O certo é que não qualifico ou desmereço ninguém por causa de seus "títulos". O contrasenso disso tudo é cursar uma especialização e gostar dela.
Noite de São João

São João deve estar excomungando os participantes da 4ª festa junina (se não me perdi nas contas) que é realizada em Minas do Camaquã, em Caçapava do Sul. É uma comemoração, digamos, extremamente pagã. Vinho, cerveja, ovelha, porco, carreteiro, feijão e, dizem, até tequila. Mas acho que o pessoal está ficando mais velho... Tomba mais cedo ultimamente. Para quem tinha de trabalhar no domingo, como eu, ficou algo faltando. Mas foi bem divertido, como mostram algumas fotos feitas por este que vos escreve.
A volta
Passei praticamente um mês fora desse espaço. Porque fui viver a vida real. Várias consultas para ver como anda a saúde (por enquanto, tudo bem), trabalhos de aula (quase em dia, finalmente), diversas andanças para fazer documentação nova (agora tenho uma identidade decente, CNH renovada e passaporte) e um tempo para namorar (essa, a parte boa). Sempre tenho muita coisa pra fazer (o que inclui trabalhar e cuidar da casa), mas acho que consegui me organizar. Por isso, o blog está voltando à ativa. Espero que não pare mais.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Ela merece

Interrompo o jejum de postagens (outra hora eu explico o motivo) para dar os parabéns a minha amiga Elaine (aí em cima na foto, à direita, claro), que ganhou o Prêmio Fatma de Jornalismo Ambiental, junto com Edélcio Lopes, ambos do jornal Correio Hoje, de Videira (SC), pela matéria Pinheiro Brasileiro. Além de tudo, levou um checão!
Ela merece, ela merece...
Tá, depois de todos esses elogios, vc tem algum pra emprestar?
Beijo, amiga, e parabéns de novo. Precisamos comemorar juntos. Já tô procurando nos classificados um fígado para alugar, para quando você aparecer por Santa Maria ou eu for pra Videira.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
www.procon
Sou vítima do meu próprio blog. Vou lá nos favoritos, acho o santaporto e clico. O que eu recebo em troca? Um pop up comercial! Mercado Livre!
Fui lá ler nos "termos de serviço" e não fala nada em publicidade às minhas custas. Tá certo que eu não pago nada pra ter um blog, mas nem por isso tenho que dar visibilidade (leia-se "grana") pra algo que não curto. Quando é que vão inventar o Procon da Internet?
Fui lá ler nos "termos de serviço" e não fala nada em publicidade às minhas custas. Tá certo que eu não pago nada pra ter um blog, mas nem por isso tenho que dar visibilidade (leia-se "grana") pra algo que não curto. Quando é que vão inventar o Procon da Internet?
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Jogo no MP3
Esqueci meu radinho em Santa Maria, mas fui pro Estádio Olímpico com meu MP3, achando que teria de escutar o jogo na PopRock. O que não me agradava muito. Mas tive uma grata surpresa: a Rádio Guaíba FM surgiu com a transmissão da AM na hora da partida. E fico sabendo que, daqui a alguns dias, a Gaúcha também vai para a FM. Demoraram para descobrir que a maioria das pessoas hoje só tem FM, seja no MP3 ou no celular...
No estádio
Sábado, final de tarde, reencontro com o Olímpico, em Porto Alegre. Aquela velha história: o jogo pode até não ter sido um espetáculo, mas não há nada como clima de estádio. Mais de 25 mil viram Grêmio 2x0 Naútico. Torcer é uma religião.
*
O ingresso mais barato é R$ 15, pra quem é "sócio torcedor". Para o restante dos mortais, R$ 30. Futebol já foi um esporte mais popular.
*
Bebida alcóolica está proibida nos estádios. A moda agora é encher a cara antes de entrar. Mas aí o porre tem tempo limitado. Coincidência ou não, nenhum bêbado veio me chatear no jogo.
*
Na arquibancada, ninguém senta. Quando eu era piá, a torcida levantava só nos lances de perigo. E ninguém mais grita "olha o mijo!" pro cara da frente que está de pé. Fica todo mundo na mesma.
*
Muito mais crianças, muito mais mulheres. E elas também xingam o juiz. Só não gritam "gostoso!" pra ninguém.
*
A torcida Alma Castelhana (aquela da avalanche) ganhou espaço, justamente por não ser organizada. Não pára um minuto. As organizadas (Super Raça e Torcida Jovem) ainda resistem, em número muito reduzido ao de outrora.
Ainda no tempo de adolescente, eu e o Tiago - vizinho e colega de colégio - fomos nos associar numa dessas organizadas. Era tanta regra que desistimos: chegar 2h antes do jogo, não sentar, não ouvir rádio...
*
Pouco mais de 24 horas depois do jogo, já são 11 vídeos no You Tube relacionados a Grêmio x Náutico (um deles está aí no alto). Sinal do tempos.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Tudo trancado

Definitivamente, a cena daí de cima é uma das coisas que não dão saudade de Porto Alegre. Experimente sair de carro nos horários em que todo mundo resolve fazer o mesmo. Do túnel da rodoviária até o começo da Tabaí-Canoas (BR-386), foi uma hora e meia. O que, sem tráfego, dá pra fazer em 15 minutos. Isso que nós até demos sorte. Podia ser bem pior, já que era véspera de feriadão.
A caveira do Indy
O tempo foi implacável com o personagem Indiana Jones, que volta 19 anos depois. Não que Harrison Ford esteja fora de forma. Nem que Steven Spielberg tenha perido o timing. Quanto a esses dois, sem reparos.
Ford ainda pode ser um herói de primeira. E Spielberg ainda sabe entreter como poucos e tem completo domínio das cenas de ação. Mas Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal peca no roteiro. O problema não é o objeto do desejo - a caveira de cristal -, mas a chatice de algumas personagens, como as de John Hurt e Karen Allen (aquela mesmo de Caçadores da Arca Perdida).
A vilã, sim, é de respeito: Irina Spalko (Cate Blanchett) é uma cientista soviética conhecida como a "favorita de Stalin". Em plena era da Guerra Fria, Indiana consegue fugir dos russo e é levado para uma floresta da América do Sul por um jovem Mutt (Shia LaBeouf, de Transformers), que o procura para salvar a mãe (Karen) e um arqueólogo (Hurt). No decorrer do filme, segue a busca pela caveira de cristal e por um reino perdido que dá poderes a quem o encontrar.
Na comparação, com os outros, O Reino da Caveira de Cristal perde. Mas ainda assim diverte, pois o Indy está lá com sua jaqueta de couro, seu chicote e o seu já conhecido medo de cobras. Só não acho que seja o caso de um quinto filme da série.
Operação: reportagem

Apenas meia hora depois de ter encerrado a jornada de trabalho na terça, já estava na estrada, rumo a Porto Alegre, acompanhado pelo motorista, o Zeca, e o fotógrafo Fernando Ramos. Eram 21h30. Até chegar na minha casa porto-alegrense, 1h. Beijos no pai e na mãe, afago no gato coisa e tal. Até conseguir dormir, 2h.
Às 4h, tocou o despertador no celular, mas não dei muita bola. Quinze minutos depois, veio o reforço.
- Ô, Luiz, tu não tinha que acordar às 4h? - disse o pai.
Foi só o tempo de tomar uma ducha e chamar um táxi. Saí no seco. O relógio marcava 4h43 quando entro no Hotel Continental, na frente da rodoviária. A equipe está no restaurante do hotel, tomando café. Fico meio preocupado, porque o encontro com os policiais civis de Santa Maria estava marcado para as 5h30, mas em Novo Hamburgo. Chegar lá é fácil, mas eu não tinha nem idéia de onde ficava a Central de Polícia. O Zeca e o Fernando, muito menos.
Não esquentei muito a cabeça, resolvi me sentar para tomar um café. Afinal, como dizia a minha avó, "saco vazio não pára em pé". Uma xícara de café, uma fatia de pão integral com manteiga e queijo, uma colherada de mel e dois pedacinhos de mamão papaya. Eu não estava hospedado, mas achei que ninguém ia complicar. Ledo engano. Antes de deixar o recinto, um funcionário do hotel veio pedir para eu "acertar o café". Tá, tudo bem, faz parte. O problema foi o preço cobrado: R$ 19 (!). A empresa vai pagar, mas é um abuso, não? Se eu soubsesse, tinha enchido os bolsos com pães e frutas...
A vida segue, e a caravana pega a estrada rumo a Novo Hamburgo. Chegamos às 5h30 na delegacia. Foi bem fácil porque ela ficava bem do lado da BR-116, que àquela hora não tinha movimento algum. O dia continuava escuro, e o Fernando Ramos já fazia suas primeiras imagens (na foto aí de cima). Um equipe da sucursal da RBS TV também pintou por lá.
Logo na saída, a primeira confusão. Achávamos que tínhamos de seguir o delegado, mas não. O quente da história estava com outra equipe. Daí foi um "pau" pra alcançar os policiais, com um pedágio no meio do caminho até Sapiranga pra complicar. No fim, deu tudo certo.
Na frente de um prédio de 11 andares no Centro de Sapiranga, os policiais se armavam e colocavam coletes à prova de bala. Parêntese: em operações como essa, de combate a sonegadores, quase nunca são disparados tiros. É diferente de casos encolvendo traficantes ou assaltantes de banco, por exemplo.
O porteiro franqueou a entrada no prédio, mas já tomou um calor dos policiais. Os agentes perguntaram se ele conhecia o suspeito que seria "visitado". Gaguejando e tremendo, o homem só se explicava, dizendo que trabalhava ali fazia apenas dois meses e não conhecia ninguém. Porteiro liberado, vamos em oito no elevador: quatro agentes, repórter e câmera da TV, eu e o Fernando. Oito num elevador! Talvez tenha sido o momento mais arriscado do dia.
Agora, o momento mais tenso foi quando os policiais começaram a tocar a campainha e bater na porta do homem-alvo. Não pelo perigo, mas pela demora. Esse tava num sono ferrado. Um dos agentes se preparava para dar um pé na porta, mas não precisou. Olha, acho que ele iria mesmo quebrar o pé, pois a espessura da porta não era pouca bosta.
Nosso suspeito atende a prova só de cueca e com a cara toda amassada. Não reage e ainda ganha o direito de se vestir antes de ser algemado. Depois, os policiais começam a dar uma vasculhada por cima, em busca de documentos. Não dá meia hora e já estamos fora do luxuoso apê.
Ciceroneados pelo repórter da TV, cuja família é de Sapiranga, fomos para outro ponto. Numa casa de dois pisos e pátio generoso. Estava sendo preso um motorista. A casa não era dele. Fomos informados pelo dono, que não estava muito feliz com a presença da imprensa. Ainda deu tempo de acompanhar mais dois suspeitos saindo algemados do mesmo prédio, em outro local.
De lá, fomos para a DP de Sapiranga, para o registro das prisões. A essa altura, a história já estava toda na cabeça. Logo voltamos para a estrada, não sem antes tomar um capuccino no posto em frente à delegacia. Destino: Zero Hora.
Dessa vez, a 116 já estava atrolhada. Era 10 e pouco quando consegui chegar na redação para começar a escrever. A única pausa foi do meio-dia à 1, para lamoçar em casa. Depois, tocamos direto. Teve até coletiva no Palácio da Polícia, em que uma repórter loira (não tenho nada contra, pra ficar bem claro) ficava brigando com o fotógrafo pelo celular, só porque ele foi parar na Polícia Federal (!?).
A alforria só veio às 6h da tarde, depois de muitos telefonemas e algumas paradas para responder a dúvidas dos coleguinhas que iriam usar meu material. Fazendo as contas, eu já estava há 13 horas trabalhando. Mas feliz.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Programa de índia
Como é bom ser surpreendido, ficar meio desestabilizado por conta de algo. Positivamente falando. Nem conhecia muito bem a lenda do surgimento de Santa Maria. Só sabia que tinha uma tal de índia Imembuy. Mas, agora, aprendi da forma mais lúdica possível.
A sensação se chama Musical Imembuy. Com canções e coreografias, conta a história do amor entre a índia Imembuy e o branco Rodrigues. Dessa união, nasceu José o primeiro santa-mariense. Como bem disse a Tati, uma das coisas bacanas é a escolha por uma forma moderna e fora do convencional para falar da criação de Santa Maria, do conto de Cezimbra Jacques.
Uma rapaziada do street dance se mistura com meninas do balé clássico. Junta aí vozes conhecidas da noite santa-mariense. Uma orquestra que não pode ser enxergada (está abaixo do palco), mas que faz você se arrepiar. O batuque irresistível da turma do projeto Cuica. Figurino hip hop-hippie. Tudo isso no Theatro Treze de Maio.
Enfim, uma salada que deu muito certo. Saiu da cabeça do professor Orlando Fonseca e é dirigido pelo também profe Bebeto Badke. Poderia falar de mais gente, mas aí o post iria ficar grande. 100% de Santa Maria. Quase tudo perfeito. Desde os detalhes da iluminação (na hora em que o bandeirante é capturado, repare no vermelho violento) até a harmonia entre dança clássica e moderna.
No final do espetáculo vem um refrão: "Ibitory, Ibitory, Alegra o Nosso Viver, O Nosso Lugar é Aqui, Em ti Queremos Crescer". Todo mundo no palco, vozes unidas... é de emocionar. Mesmo sem ser santa-mariense de nascença, saí orgulhoso do Theatro.
A sensação se chama Musical Imembuy. Com canções e coreografias, conta a história do amor entre a índia Imembuy e o branco Rodrigues. Dessa união, nasceu José o primeiro santa-mariense. Como bem disse a Tati, uma das coisas bacanas é a escolha por uma forma moderna e fora do convencional para falar da criação de Santa Maria, do conto de Cezimbra Jacques.
Uma rapaziada do street dance se mistura com meninas do balé clássico. Junta aí vozes conhecidas da noite santa-mariense. Uma orquestra que não pode ser enxergada (está abaixo do palco), mas que faz você se arrepiar. O batuque irresistível da turma do projeto Cuica. Figurino hip hop-hippie. Tudo isso no Theatro Treze de Maio.
Enfim, uma salada que deu muito certo. Saiu da cabeça do professor Orlando Fonseca e é dirigido pelo também profe Bebeto Badke. Poderia falar de mais gente, mas aí o post iria ficar grande. 100% de Santa Maria. Quase tudo perfeito. Desde os detalhes da iluminação (na hora em que o bandeirante é capturado, repare no vermelho violento) até a harmonia entre dança clássica e moderna.
No final do espetáculo vem um refrão: "Ibitory, Ibitory, Alegra o Nosso Viver, O Nosso Lugar é Aqui, Em ti Queremos Crescer". Todo mundo no palco, vozes unidas... é de emocionar. Mesmo sem ser santa-mariense de nascença, saí orgulhoso do Theatro.
É o post mais bairrista que eu já fiz. Tem motivos. Santa Maria está completando 150 anos neste sábado. E eu já estou há cinco anos na Ibitory-retan (Terra da Alegria), como era chamada no tempo da Imembuy. O Rio Grande do Sul tem centenas de municípios, e fui parar justamente numa cidade que faz aniversário no mesmo dia que eu. Se não fosse jornalista, ganharia um feriado de vez em quando...
***
Dia 30 tem mais, na Praça Saldanha Marinho. E é bom mesmo. Não pirei ou fiquei mais sentimental pela proximidade do aniversário: a Tati Py e o Cassol também gostaram do Imembuy. Confere lá.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
On/off
A nostalgia de hoje vem do rádio.
Tudo começou na cozinha da casa dos meus avós, pais da minha mãe, no bairro Partenon, em Porto Alegre. De um Telefunken ligado na tomada, minha avó ouvia a Farroupilha, e o vô, a Gaúcha. Aliás, o seu Luiz Alberto costumava dormir com um rádio portátil colado no ouvido. Sempre na área esportiva.
Peguei gosto pelo coisa. No Transglobe do meu irmão, numa era paleontológica pré-Internet, ficava fascinado ao ouvir línguas estranhas para um menino de 10 anos. E ficava horas na escuta de emissoras de outros estados.
Daí não vivi mais sem rádio. No estádio, por exemplo, não pode faltar o radinho. Por todo esse sentimento, jamais vou jogá-lo no juiz. E me acostumei com rádio AM. Por força do ofício de jornalista de notícias factuais, não vi nada parecido em termos de imediatismo. Nem um meio tão próximo da vida real. Bem mais que a TV. Por isso, não largo essas emissoras que são toscas, sim, mas que tem seu lado verdadeiro.
Claro, também tenho meu lado FM. Mas, hoje, com a possibilidade de carregar um caminhão de músicas em um pequeno tablete, já está bem enfraquecido. Foi-se o tempo, numa época estritamente analógica, que a Ipanema FM, de Porto Alegre, foi referência. À noite, Katia Suman tinha um programa com muito rock n'roll. Como o Led Zeppelin nunca faltava (a música de abertura do horário era, inclusive, Misty Mountain Hop), era impossível não escutar. A rádio também tinha a característica de rodar as músicas inteiras, sem cortes, sem remix e sem "barulhinhos" que identificavam a emissora. E a Katia ainfda ficava lendo matérias inteiras de uma distante Folha de S.Paulo (hoje ao alcance de um clique), trazendo novidades. Ainda por cima, ela tinha comentários ácidos e engraçados, falando um portoalegrês dos mais típicos.
No fim, viciou. E sempre houve uma espécie de sonho de trabalhar em rádio. Mas, no jornalismo, acabei enveredando para a escrita. Agora, às quartas e às sextas pela manhã, perto das 9 e meia, mato a sede da latinha com alguns segundos na Itapema FM de Santa Maria. É só uma chamadinha, falando o que vai sair no jornal no dia seguinte. É uma rapidinha, mas é boa.
Eu iria até comentar que o mundo seria mais perfeito se os aparelhinhos de MP3 tivessem também rádio AM embutido. Mas percebi que esse artigo existe. Não é Brastemp a marca, mas acho que satisfaz alguns desejos.
Não quero que as AMs desapareçam. Mas também lamento o uso político delas. Vejam quantos radialistas acabam eleitos. E quantos políticos são donos de rádios. Para esses todos, volume baixo ou, simplesmente, off (sim, porque nem o meu radinho portátil AM/FM, que é verde-amarelo, vem com o "desliga").
Tudo começou na cozinha da casa dos meus avós, pais da minha mãe, no bairro Partenon, em Porto Alegre. De um Telefunken ligado na tomada, minha avó ouvia a Farroupilha, e o vô, a Gaúcha. Aliás, o seu Luiz Alberto costumava dormir com um rádio portátil colado no ouvido. Sempre na área esportiva.
Peguei gosto pelo coisa. No Transglobe do meu irmão, numa era paleontológica pré-Internet, ficava fascinado ao ouvir línguas estranhas para um menino de 10 anos. E ficava horas na escuta de emissoras de outros estados.
Daí não vivi mais sem rádio. No estádio, por exemplo, não pode faltar o radinho. Por todo esse sentimento, jamais vou jogá-lo no juiz. E me acostumei com rádio AM. Por força do ofício de jornalista de notícias factuais, não vi nada parecido em termos de imediatismo. Nem um meio tão próximo da vida real. Bem mais que a TV. Por isso, não largo essas emissoras que são toscas, sim, mas que tem seu lado verdadeiro.
Claro, também tenho meu lado FM. Mas, hoje, com a possibilidade de carregar um caminhão de músicas em um pequeno tablete, já está bem enfraquecido. Foi-se o tempo, numa época estritamente analógica, que a Ipanema FM, de Porto Alegre, foi referência. À noite, Katia Suman tinha um programa com muito rock n'roll. Como o Led Zeppelin nunca faltava (a música de abertura do horário era, inclusive, Misty Mountain Hop), era impossível não escutar. A rádio também tinha a característica de rodar as músicas inteiras, sem cortes, sem remix e sem "barulhinhos" que identificavam a emissora. E a Katia ainfda ficava lendo matérias inteiras de uma distante Folha de S.Paulo (hoje ao alcance de um clique), trazendo novidades. Ainda por cima, ela tinha comentários ácidos e engraçados, falando um portoalegrês dos mais típicos.
No fim, viciou. E sempre houve uma espécie de sonho de trabalhar em rádio. Mas, no jornalismo, acabei enveredando para a escrita. Agora, às quartas e às sextas pela manhã, perto das 9 e meia, mato a sede da latinha com alguns segundos na Itapema FM de Santa Maria. É só uma chamadinha, falando o que vai sair no jornal no dia seguinte. É uma rapidinha, mas é boa.
Eu iria até comentar que o mundo seria mais perfeito se os aparelhinhos de MP3 tivessem também rádio AM embutido. Mas percebi que esse artigo existe. Não é Brastemp a marca, mas acho que satisfaz alguns desejos.
Não quero que as AMs desapareçam. Mas também lamento o uso político delas. Vejam quantos radialistas acabam eleitos. E quantos políticos são donos de rádios. Para esses todos, volume baixo ou, simplesmente, off (sim, porque nem o meu radinho portátil AM/FM, que é verde-amarelo, vem com o "desliga").
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Me cita nesta tribuna
"Os acúmulos do senhor socializados com esse par"
"A concretude dessa grande obra"
"A grandiosidade dessa grande pessoa"
"Estes são apenas UM dos problemas da cidade"
A melhor comédia da TV passa no canal 16 da NET. Não perca. Terças e quintas à noite, com várias e várias reprises ao longo da semana.
"A concretude dessa grande obra"
"A grandiosidade dessa grande pessoa"
"Estes são apenas UM dos problemas da cidade"
A melhor comédia da TV passa no canal 16 da NET. Não perca. Terças e quintas à noite, com várias e várias reprises ao longo da semana.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Averiguaram a vaca

3h15
O horário está registrado no celular do plantão. As primeiras palavras, puro reflexo:
- Luiz, do Diário.
- Luiz, é o Flávio da portaria. O pessoal da Brigada ligou pra dizer que tem uma vaca lá na frente do CO (Centro de Operações da Polícia Civil).
- Como é que é? Uma vaca? Daonde?
- Lá de Itaara, acharam aqui em Santa Maria. A sargento Mara diz que sempre pedem pra eles avisarem das boa. Se a gente não for, tenho de avisar ela. Que aí eles ficam com a vaca lá mais um pouco.
- Pode deixar que eu mesmo vou. Pode avisar.
É o tempo de vestir calça, camiseta, blusão e casaco. Mais touca. Achei que estava um gelo na rua, mas não. Chamei um táxi do ponto da esquina e me fui pra delegacia da Andradas. E não que tinha uma vaca mesmo? Amarrada numa grade dum corrimão da entrada do CO. Quietinha ela. Bem tranqüila. Ali perto, três PMs. Dois homens e uma mulher. Fui pegando a história e batendo foto. A Andorinha (o nome da novilha) se incomodava um pouco com o flash, mas não fez escarcéu.
Enquanto isso, o futuro dono da vaca discutia o preço do transporte com outro cara que ia fazer o carreto da vaca. Afinal, ela já estava vendida a prestação pelo dono, que é de Itaara. 300 quilos de vaca por R$ 1 mil.
No final, lá se foi cada um pro seu lado. Menos a Andorinha, que foi socada numa Kombi. E não estamos falando da Kombi de carroceria aberta. Não adianta, não tem horário pra ver coisas muito estranhas.
Depois dessa, voltei pra casa. Eu, ao contrário da Andorinha, podia escolher.
sábado, 3 de maio de 2008
A vida em comunidade

Há dias, venho falando em comunidades virtuais coisa e tal. A vida real é muito melhor, claro. Mas também tem suas complicacões. Em condomínio, então, nem se fala. Volta e meia, encontro com vizinhos falando mal da síndica. E daí encontro a síndica falando mal dos vizinhos. Tudo é motivo. É o lixo, a porta mal fechada, as taxas, o horário do zelador, a limpeza...
O barulho é um capítulo à parte. Até não me queixo das sertanejas de um condômino, porque também detono o meu rock n'roll. Um tempo atrás, rolavam umas animadas partidas de truco no apartamento de baixo. Eu jarava que ia rolar morte no jogo, tamanho o gritedo. Mas não me incomodava, porque durmo pesado. Agora mesmo, está rolando uma obra num dos apartamentos do prédio. Continuo não dando bola. porque tenho o sono dos justos. E nos horários de bateção, estou sempre acordado de qualquer jeito.
Mas tem vizinho que está incomodado mesmo, como dá prá ver nesse bilhetinho grudado na porta do apê em obras. Parem com isso, chamem o Tim Maia.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Alô, comunidade
Este blog chega aos 20 links de outros blogs. Já é uma comunidade. Já estou linkado em outros também. E gente que conhece os outros vem me conhecer. E eu conheço os amigos dos outros. Um teórico diria que o conceito de rede é um elemento estruturante das relações cognitivas e sociais, sobretudo com a expansão dos serviços telemáticos.
Tá, vou dormir. Boa-noite.
Tá, vou dormir. Boa-noite.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
FDP

Gabriel O Pensador vai estar em Santa Maria neste sábado, primeiro dia da Feira do Livro. Vem para um bate-papo, às 19h. Essa visita me fez lembrar de uma história dos tempos de assessoria de imprensa em Viamão. Faz uns 8 anos, eu acho.
Como estagiário, não tinha moleza. Sábado, domingo, feriado... Cinco horas, segunda a sexta, só no papel. Pense tudo em que é possível virar relise numa prefeitura de uma cidade enorme em extensão e população, grudada em Porto Alegre. Bom, rolava inauguração de tudo, até de banheiro. E tínhamos de acompanhar o prefeito em tudo o que é evento, até aniversário de cachorro. E ainda tínhamos de fazer o cerimônial dos eventos. E foto disso e daquilo. E um jornal mensal. E largar os relises nos veículos de comunicação. E ler todos os jornais, todos os dias, pra fazer clipping. E ouvir e gravar programas de rádio. E fazer o texto e a arte de materiais de divulgação. Certa vez inventaram até uma rádio poste. Quem produzia e apresentava os programas? Tchan tchan tchan tchan... Os estagiários!
Eram uns 10. Mais um jornalista CC de chefa. Mais uma jornalista-taipa-concursada. Mais uma RP CC. Tudo isso numa sala 3x4. E dois computadores, disputados a tapa. Três mesas. Em dia de reunião, uns ficavam do lado de fora, espiando pela janela.
Foi um período de muito trabalho, muita aprendizagem e muita amizade (a convivência com a Elaine é uma boa lembrança dessa época). Além disso, era de dar risada.
Certa vez, me matei de rir, por dentro. O que nos remete ao Gabriel O Pensador. Era uma manhã de sábado. Estagiário cuja prioridade era a Secretaria de Educação, lá fui eu fazer uma "cobertura" de inauguração da ampliação do refeitório de uma escola municipal. Rolava um rango legal, preparado pela comunidade. Essa parte era bem divertida. Tirar foto também valia.
Bom, durante a inauguração (com corte de fita, coisa e tal), havia apresentações artísticas dos "locais". Valia de tudo, o que era bacana. Dança, banda, solo, declamação e por aí afora.
Nessa tal escola do refeitório, o rap era predominante (cultura hip hop domina, ou dominava, a cidade, ao lado do tradicionalismo). Pois bem, lá se foram três preguinhos, entre 10 e 11 anos. Anunciaram que iriam cantar um rap, largaram uma base nas caixas de som e começaram:
"Os fdp vive arrumando desculpa..."
E lá veio o refrão: "fdp fdp fdp fdp fdp fdp..."
O prefeito ficou sério. O secretário de educação virou de lado. A secretária do prefeito (e mulher do secretário) ficou vermelha. As professoras sorriam amarelo... E eu vibrava por dentro. Queria dar gaitadas, mas iria ficar chato.
Foi o dia em que Gabriel O Pensador (a música é dele) divertiu minha existência. Viva a comunidade. Salve o imprevisível.
***
E bom bate-papo tem domingo, às 19h. De Porto Alegre para Santa Maria, vem o Sarau Elétrico. O profe Luís Augusto Fischer, a escritora Cláudia Tajes e a locutora Katia Suman vão ficar um tempo conversando sobre literatura. Garanto que eleva o espírito. Ponto para a Feira do Livro.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Pau-ferro

"Has he lost his mind, can he see or is he blind..." Saí do cinema com a música do Black Sabbath na cabeça. Foi mais ou menos assim: me senti um pouco adolescente depois de ver o Homem de Ferro. Primeiro, é um espetáculo visual. Os efeitos especiais são perfeitos para as cenas de ação no solo ou nas alturas. Sensacional a cena em que ele é perseguido por dois caças.
Segundo, é baseado em uma história em quadrinhos da Marvel que nunca havia ganho uma chance de chegar às telas. E olha que o Iron Man já tem mais de 40 anos. É do tempo da Guerra Fria.
Mas o herói não chega enferrujado ao século 21. Ganha atualidade com a história (meio boba, vamos combinar) do milionário que, depois de ser capturado e conseguir escapar de guerrilheiros afegães, resolve sair voando por aí numa armadura vermelha e dourado. A aventura faz com que ele repense a indústria de armas da família.
Moralista como pode ser, mas com um toque legal de canalhice, injetado por Robert Downer Jr. (aquele que teve problemas com drogas, mas que um dia já foi Chaplin). Pois não é que ele exala ironia (e bem)? Ao lado de Jeff Bridges (o vilão careca, quase irreconhecível), é um dos destaques do filme.
Para fechar na boa, Iron Man do Sabbath. Não dá para esquecer que lá, bem no início, tem Back in Black, do AC/DC. Diversão heavy metal do começo ao fim. Custou R$ 4 voltar aos 15 anos por duas horas. Bem mais barato que uma aplicação de Botox.
***
Última sessão do Iron Man em Santa Maria. Estréia mundial. Lotadaça. Fila do Gargarejo. Pipoca. Bib's. Peguei na mão dela. Público comportado. Meia-entrada. 2 elevadores. Celulares quietos. Evolução. Luz, câmera, ação.
Chegou a hora
Tem dias em que você termina o dia de trabalho se sentindo um lixo. Acordou cedo, tentou facilitar a vida de todo mundo, não foi mal-educado com ninguém, esforçou-se etc etc etc. Mas, no final das contas, não adiantou nada. Em alguns segundos, vem alguém e, como se você não valesse nada, despreza parte do que foi feito, sem nem dar satisfação.
É nessas horas em que você se pergunta se é isso mesmo que quer na vida. Claro que há os momentos felizes. Mas certos instantes levam tão para baixo que apagam tudo de positivo. E esses são mais difíceis de curar.
Ou mudam os outros ou muda você. Como é mais fácil a mudança singular, chegou a hora de pensar nela. Senão vai haver uma hora em que o fundo do poço está bem mais perto do que a superfície.
É nessas horas em que você se pergunta se é isso mesmo que quer na vida. Claro que há os momentos felizes. Mas certos instantes levam tão para baixo que apagam tudo de positivo. E esses são mais difíceis de curar.
Ou mudam os outros ou muda você. Como é mais fácil a mudança singular, chegou a hora de pensar nela. Senão vai haver uma hora em que o fundo do poço está bem mais perto do que a superfície.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Não sei nada!
Depois de fazer uma reportagem sobre blogs, fiquei angustiado. Cada vez leio mais coisas sobre o assunto e percebo que, na verdade, sei muito pouco. Aliás, aprendi várias coisas fazendo essa matéria, conversando com blogueiros e, claro, olhando os blogs dos outros.
O santaporto, na verdade, é uma chinelagem perto do que tem por aí. É uma formiguinha. Para me tornar alguém na blogosfera, vou ter de ralar muito.
Mas, pelo menos, sei que este blog motivou muitas pessoas a fazerem o seu. Ele também me inspirou a fazer uma reportagem para a Revista Mix, a primeira depois de quatro anos e meio de Diário de Santa Maria. Já são alguns pontos a considerar.
Esse trololó é para contar que pretendo me dedicar ao assunto, academicamente falando. Não só aos blogs, mas aos novos formatos de comunicação em geral. Até coloquei uns links novos aí do lado, para compartilhar com os visitantes. Façam bom proveito e dividam comigo suas dúvidas e descobertas. Quem sabe assim fico menos angustiado.
O santaporto, na verdade, é uma chinelagem perto do que tem por aí. É uma formiguinha. Para me tornar alguém na blogosfera, vou ter de ralar muito.
Mas, pelo menos, sei que este blog motivou muitas pessoas a fazerem o seu. Ele também me inspirou a fazer uma reportagem para a Revista Mix, a primeira depois de quatro anos e meio de Diário de Santa Maria. Já são alguns pontos a considerar.
Esse trololó é para contar que pretendo me dedicar ao assunto, academicamente falando. Não só aos blogs, mas aos novos formatos de comunicação em geral. Até coloquei uns links novos aí do lado, para compartilhar com os visitantes. Façam bom proveito e dividam comigo suas dúvidas e descobertas. Quem sabe assim fico menos angustiado.
domingo, 27 de abril de 2008
Até na testa
Ano passado, por uma série de coincidências e imprevistos, acabei interrompendo um sábado de descanso para virar repórter. A pauta era a campanha nacional de vacinação contra a paralisia infantil. Aquela coisa de sempre. A única quebra de rotina foi uma cover da Xuxa em um posto de saúde. Ela até assustava algumas crianças, mas não deixava a desejar em animação...
Entra mãe, sai filho, gotinhas para lá, choros para cá... Nada extraordinário. Até que uma enfermeira faz uma proposta:
- Vocês não querem tomar uma vacina contra a gripe?
A proposta era para mim e para o fotógrafo Claudio Vaz. Até brinquei:
- Mas, bá, pode aplicar até aqui na testa.
Claro que a enfermeira não riu. Afinal, a piada era ruim e velha. Mas eu tenho certeza que, no seu rosto, havia um sorriso sádico no momento em que meu braço estava nu, à espera da picada. Não fiz escarcéu. Talvez por isso ela tenha ficado um pouco decepcionada...
Faltava ainda um mês e pouco para o fim do inverno. Depois disso, gripe nunca mais. Apesar de eu não ter chegado aos 60 anos (meu figado, talvez), posso até dar depoimento na TV, a favor da vacina. Ela funciona!
Lembrei dessa história porque estou há dois dias com o nariz fungando, tossindo e com dores pelo corpo. Não sei se tenho febre, pois termômetro é uma coisa ausente da minha casa. Enfim, uma maldita gripe me enganou, me atacou antes do inverno. Felizes são os velhinhos que ainda não foram atacados por esse vírus sorrateiro e puderam se prevenir com a campanha de vacinação deste ano, que começou no sábado.
E quanto a mim? Agora, só me resta a Coristina, o Melagrião e a cama. Assim que esse mal-estar for embora, vou tomar aquela injeção de novo. Quanto mais sádica for a enfermeira, melhor. E, se for na testa, não tem problema.
Entra mãe, sai filho, gotinhas para lá, choros para cá... Nada extraordinário. Até que uma enfermeira faz uma proposta:
- Vocês não querem tomar uma vacina contra a gripe?
A proposta era para mim e para o fotógrafo Claudio Vaz. Até brinquei:
- Mas, bá, pode aplicar até aqui na testa.
Claro que a enfermeira não riu. Afinal, a piada era ruim e velha. Mas eu tenho certeza que, no seu rosto, havia um sorriso sádico no momento em que meu braço estava nu, à espera da picada. Não fiz escarcéu. Talvez por isso ela tenha ficado um pouco decepcionada...
Faltava ainda um mês e pouco para o fim do inverno. Depois disso, gripe nunca mais. Apesar de eu não ter chegado aos 60 anos (meu figado, talvez), posso até dar depoimento na TV, a favor da vacina. Ela funciona!
Lembrei dessa história porque estou há dois dias com o nariz fungando, tossindo e com dores pelo corpo. Não sei se tenho febre, pois termômetro é uma coisa ausente da minha casa. Enfim, uma maldita gripe me enganou, me atacou antes do inverno. Felizes são os velhinhos que ainda não foram atacados por esse vírus sorrateiro e puderam se prevenir com a campanha de vacinação deste ano, que começou no sábado.
E quanto a mim? Agora, só me resta a Coristina, o Melagrião e a cama. Assim que esse mal-estar for embora, vou tomar aquela injeção de novo. Quanto mais sádica for a enfermeira, melhor. E, se for na testa, não tem problema.
Tempo frio, cores quentes


Se você estava de ressaca no sábado de manhã, em Santa Maria, perdeu esse amanhecer... Como sou um rapaz estudioso, levantei cedo e resolvi socializar essa visão com esse pessoal que afunda o pé na jaca ou vai dar risada no César Menotti & Fabiano.
***
Em tempo: peço desculpas àqueles que visitam este blog pela ausência durante uma semana. É que, com tanta coisa para estudar e escrever, não deu. Mas tudo voltou ao normal agora.
sábado, 26 de abril de 2008
Sem passar despercebido
Lance Luiz Roese entre aspas no Google e você vai descobrir que eu fiz reportagens sobre acidentes, operações policiais, treinamento da Brigada Militar, rebaixamento do Guarani de Bagé e sobre o leão que atacou um menino no circo e foi eletrocutado (esta a de mais aparições no buscador), entre outras. Ainda dá para achar uma foto que eu fiz quando estava na faculdade e descobrir que eu sou fã de Nei Lisboa e trabalho no Diário de Santa Maria. Para completar, o Google revela que eu moro em Santa Maria e tenho este blog (que, por sua vez, mostra muito sobre mim).
Já os que sabem meu nome completo podem descobrir o tema da minha monografia no Jornalismo da UFRGS (e quando eu a defendi) e ainda que eu fui selecionado para uma especialização na Unifra.
É de assustar que, só pelo Google, seja possível descobrir tanta informação sobre mim. Se juntar com o Orkut, então... Ou seja, não posso mais desaparecer, pelo menos virtualmente. Não vejo prestígio em ser citado cerca de 200 vezes no site...
É um reflexo do momento atual. Cada vez mais temos menos privacidade. Se quisermos viver em sociedade, é indespensável ter celular e e-mail. E ambos podem ser monitorados. Nas ruas, temos câmeras. E, na Internet, quase toda uma vida revelada. É o preço que se paga por fazer parte de uma comunidade. Seja ela real ou virtual. Assim que funciona: Big Brother ou exclusão. O que você prefere?
Já os que sabem meu nome completo podem descobrir o tema da minha monografia no Jornalismo da UFRGS (e quando eu a defendi) e ainda que eu fui selecionado para uma especialização na Unifra.
É de assustar que, só pelo Google, seja possível descobrir tanta informação sobre mim. Se juntar com o Orkut, então... Ou seja, não posso mais desaparecer, pelo menos virtualmente. Não vejo prestígio em ser citado cerca de 200 vezes no site...
É um reflexo do momento atual. Cada vez mais temos menos privacidade. Se quisermos viver em sociedade, é indespensável ter celular e e-mail. E ambos podem ser monitorados. Nas ruas, temos câmeras. E, na Internet, quase toda uma vida revelada. É o preço que se paga por fazer parte de uma comunidade. Seja ela real ou virtual. Assim que funciona: Big Brother ou exclusão. O que você prefere?
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Dá lucro, sim
Ter alguém ao lado é um sistema não-capitalista. Você faz trocas: de idéias, de carinhos, de momentos, de segredos, de idéias, de prazer, de sentimentos... E, no final das contas, dá muito lucro.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Vem aí uma decisão

Não lembro exatamente quem era o adversário. Só recordo de um domingo meio frio e chuvoso. E não fui nem para as arquibancadas, ocupei um lugar nas cabines de imprensa do Presidente Vargas, para fazer companhia ao repórter Carlos Ferreira. Isso faz uns três anos.
Que choque de realidade! O estádio, praticamente vazio. O gramado, um potreiro. E o jogo? Bah, sem comentários. Chutão prá lá e prá cá. Zero lance de brilho. Confesso que me decepcionei e pensei em nunca mais voltar. Parte importante: o Inter-SM ganhou. E continui freqüentando a Baixada Melancólica (no início, pensei que o estádio era apelidado assim por causa do nível futebolístico, mas não, tem relação com a proximidade do Cemitério Ecumênico).
De lá para cá, tudo mudou. Agora, as arquibancadas lotam, o gramado deixa a bola rolar tranqüilamente, e o nível futebolístico é incomparável à perebice de outrora. Só uma rotina continua: ao acompanhar o jogo no estádio, nunca, mas nunca mesmo, vi o Interzinho perder. Se a escrita for mantida, a presença do time de Santa Maria na final do Gauchão está garantida.
Claro que agora o nível de exigência é bem maior. E é difícil continuar como pé-quente para sempre. Mas, pelo menos neste domingo, dá para acreditar que nada vai mudar. Pelo menos no jogo contra o Juventude. Basta um empate. Os deuses do futebol não seriam tão travessos assim.
Para o time que me deu a oportunidade profissional de escrever uma crônica de jogo e manteve o meu deleite de freqüentar um estádio de futebol (como já escrevi aqui), minha homenagem e minha torcida. Para os supersticiosos, uma certeza: estarei lá no domingo (o Maurício, que não fica prá trás em matéria de "pé-quentismo", também).
terça-feira, 15 de abril de 2008
Espirito libertário
Dá para dizer, sim, que esse blog mudou minha existência. Pra mim, é um deleite escrever sobre qualquer assunto. E o santaporto me deu esse espaço.
Como tá no meu perfil, sou jornalista. Logo, sou pago para escrever. Mas a profissão não se resume a colocar as linhas no papel. Não vou nem falar no fato de que o cara pode ser de TV ou de rádio e passar sua mensagem somente com a voz ou com o gestual + voz. Mesmo trabalhando em um jornal, existem dezenas de funções que não são relacionadas diretamente ao trabalho de produzir um texto.
Sem falar nos limites. Como empregado assalariado, há regras a seguir. Em um veículo de comunicação de massa, a mensagem tem de atingir um público médio, que até pode se ofender com o que eu escrevo aqui. Ou achar tudo uma grande babaquice, um instrumento de megalomania.
Por isso, valorizo essa liberdade textual. E me sinto muito bem com ela. Esse é o espírito dos blogs. O santaporto, por exemplo, tem diário, resenhas culturais, fotos, recados para os amigos e, até, desabafos.
Ao fazer uma pesquisa em blogs de Santa Maria, deuuma certa felicidade ao ver que muita gente anda se libertando das amarras e colocando um pedaço de si para o mundo. Tem de tudo. Da vovó que coloca poesias e fotos à adolescente que dá opiniões firmes sobre o que enxerga. Daos professores que criaram um canal de ligação com seus alunos às artesãs que vendem chaveiros ou bonecas. Exposição pura e, acredito, sinceridade. Construções individuais que formam um coletivo sem homogeneidade, com diversidade.
Até onde isso vai, não sei. Se é uma moda, também não consigo dizer. Mas é um retrato do nosso tempo. E sem censura, o que é o mais importante. Se você não gosta de alguns blogs (ou até deste), tem o direito de criticar. Assim como quem os faz tem o direito de não ligar para o que você acha. Liberdade é assim mesmo.
Em tempo: pra não dizer que tem blog de tudo, olha essa chalaça aqui.
Como tá no meu perfil, sou jornalista. Logo, sou pago para escrever. Mas a profissão não se resume a colocar as linhas no papel. Não vou nem falar no fato de que o cara pode ser de TV ou de rádio e passar sua mensagem somente com a voz ou com o gestual + voz. Mesmo trabalhando em um jornal, existem dezenas de funções que não são relacionadas diretamente ao trabalho de produzir um texto.
Sem falar nos limites. Como empregado assalariado, há regras a seguir. Em um veículo de comunicação de massa, a mensagem tem de atingir um público médio, que até pode se ofender com o que eu escrevo aqui. Ou achar tudo uma grande babaquice, um instrumento de megalomania.
Por isso, valorizo essa liberdade textual. E me sinto muito bem com ela. Esse é o espírito dos blogs. O santaporto, por exemplo, tem diário, resenhas culturais, fotos, recados para os amigos e, até, desabafos.
Ao fazer uma pesquisa em blogs de Santa Maria, deuuma certa felicidade ao ver que muita gente anda se libertando das amarras e colocando um pedaço de si para o mundo. Tem de tudo. Da vovó que coloca poesias e fotos à adolescente que dá opiniões firmes sobre o que enxerga. Daos professores que criaram um canal de ligação com seus alunos às artesãs que vendem chaveiros ou bonecas. Exposição pura e, acredito, sinceridade. Construções individuais que formam um coletivo sem homogeneidade, com diversidade.
Até onde isso vai, não sei. Se é uma moda, também não consigo dizer. Mas é um retrato do nosso tempo. E sem censura, o que é o mais importante. Se você não gosta de alguns blogs (ou até deste), tem o direito de criticar. Assim como quem os faz tem o direito de não ligar para o que você acha. Liberdade é assim mesmo.
Em tempo: pra não dizer que tem blog de tudo, olha essa chalaça aqui.
domingo, 13 de abril de 2008
Amigos para sempre
Em apenas duas semanas, pelo Orkut (e eu que falava mal dele...), encontrei duas amigas que foram muito importantes na minha vida, a Gisleine e a Luciane. As duas, em épocas diferentes, dividiram a sala de aula comigo. Nem foi tanto tempo assim, mas valeu para a vida toda.
A Luciane foi minha parceirona, um ombro amigo que me consolava e me animava. Ela sempre me ajudava (ou tentava) a fazer meu lado com as gurias de quem eu gostava. E aprontamos muita coisa juntos... Mesmo quando ela saiu da Azenha prá morar com uma tia em Teresópolis e já não éramos mais colegas, ainda mantivemos contato por um tempo. E, durante anos, ficava sabendo das notícias pela mãe dela, que cortava o meu cabelo.
A Gisleine morava a umas duas quadras da minha casa. E sempre voltávamos a pé da escola. Muito mais do que minha primeira paixão, ela se tornou uma grande amiga. Mesmo depois que a Gilseine se foi de Porto Alegre, trocamos cartas por algum tempo. Cartas, acredita? Era uma era pré-internet. E até hoje guardo aquelas correspondências. Que podem ser inocentes, mas de fundamento.
A sensação desse reencontros, mesmo que eles sejam ainda virtuais, é indescritível. A Luciane e a Gisleine tiveram grande significado na minha vida e saber que elas estão bem é sensacional. Que alegria vocês me deram, amigas! E como é bom, 20 anos depois, ainda podê-las chamar assim.
A Luciane foi minha parceirona, um ombro amigo que me consolava e me animava. Ela sempre me ajudava (ou tentava) a fazer meu lado com as gurias de quem eu gostava. E aprontamos muita coisa juntos... Mesmo quando ela saiu da Azenha prá morar com uma tia em Teresópolis e já não éramos mais colegas, ainda mantivemos contato por um tempo. E, durante anos, ficava sabendo das notícias pela mãe dela, que cortava o meu cabelo.
A Gisleine morava a umas duas quadras da minha casa. E sempre voltávamos a pé da escola. Muito mais do que minha primeira paixão, ela se tornou uma grande amiga. Mesmo depois que a Gilseine se foi de Porto Alegre, trocamos cartas por algum tempo. Cartas, acredita? Era uma era pré-internet. E até hoje guardo aquelas correspondências. Que podem ser inocentes, mas de fundamento.
A sensação desse reencontros, mesmo que eles sejam ainda virtuais, é indescritível. A Luciane e a Gisleine tiveram grande significado na minha vida e saber que elas estão bem é sensacional. Que alegria vocês me deram, amigas! E como é bom, 20 anos depois, ainda podê-las chamar assim.
Testando limites
É uma peça de teatro, mas não há palco nem platéia. Em Provokações - Labrinto Teatral, os protagonistas são alunos do curso de Iniciação Teatral da Escola de Artes Eduardo Trevisan (Emaet), mas o espectador também acaba virando ator.
Você entra dentro de um cenário e passa por situações incomuns, interagindo com os verdadeiros atores. O lance é acompanhar o trajeto em uma espécie de labirinto com objetos, tecidos, teias e sons. Ao longo da trajetória de perfomances, os sujeitos tentam despertar as reações de quem os visita. Pode ser meio de olhares, sussuros, danças, toques ou massagens. É uma experiência forte, que testa os limites. Tem que estar preparado.
Seja qual for o seu mundo, sai de lá diferente. Mesmo ao repetir a dose, na Casa de Cultura de Santa Maria, continuo achando tudo muito estranho. E quero mais.
"Disfarça, tem gente olhando.
Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.
Outros olham para baixo,
procurando algum vetígio
do tempo que a gente acha,
em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada."
(Rumo ao Sumo, poema de Paulo Leminski que é sussurado durante Provokações)
Você entra dentro de um cenário e passa por situações incomuns, interagindo com os verdadeiros atores. O lance é acompanhar o trajeto em uma espécie de labirinto com objetos, tecidos, teias e sons. Ao longo da trajetória de perfomances, os sujeitos tentam despertar as reações de quem os visita. Pode ser meio de olhares, sussuros, danças, toques ou massagens. É uma experiência forte, que testa os limites. Tem que estar preparado.
Seja qual for o seu mundo, sai de lá diferente. Mesmo ao repetir a dose, na Casa de Cultura de Santa Maria, continuo achando tudo muito estranho. E quero mais.
"Disfarça, tem gente olhando.
Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.
Outros olham para baixo,
procurando algum vetígio
do tempo que a gente acha,
em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada."
(Rumo ao Sumo, poema de Paulo Leminski que é sussurado durante Provokações)
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Cheiro de filme bom

No início, vem o título: O Cheiro do Ralo. Logo depois, um close em uma bunda feminina andando pela rua. Não demora muito, e aparece um protoganista insuportável, cuja frase para definir sua vida é "Eu não gosto de ninguém".
Como esses elementos, pode parecer difícil gostar de um filme desses. Mas bastam alguns minutos para notarmos algo diferente. A começar pelo Selton Melo, que deixa de lado seus cacoetes costumeiros para encarnar um crápula, um canalha. Ele é Lourenço, dono de uma loja de penhores que sempre avalia com um certo desprezo as mercadorias recebidas. Do banheiro do local de trabalho, vem um cheiro insuportável do ralo, que parece impregnar sua vida cheia de falhas e ausências.
Obcecado por uma mulher - ou melhor, pela bunda dela -, ele vai levando sua vidinha ordinária. Pela loja, desfilam tipos que vão do trágico ao hilariante. O roteiro tem diálogos que fazem você querer ouvir algumas coisas novamente. Até mesmo as grosserias costumeiras de Lourenço são engraçadas.
Tem figurino, tem direção de arte, tem fotografia. E conta bem uma história, criada pelo quadrinista Lourenço Mutarelli. Já conhecia os grafismos dele, e nunca imaginei que o cara pudesse criar uma história tão cruel com tanto humor negro e que ainda ela virasse filme. Para completar, ainda deu uma de ator, sem dever nada prá ninguém, no papel de segurança da loja, com seu indefectível terno vinho.
Para essa avalanche de filmes estilo Rede Globo, um antídoto pode vir de criações como o Cheiro, onde tudo é feio, mas o resultado final é lindo.
Como esses elementos, pode parecer difícil gostar de um filme desses. Mas bastam alguns minutos para notarmos algo diferente. A começar pelo Selton Melo, que deixa de lado seus cacoetes costumeiros para encarnar um crápula, um canalha. Ele é Lourenço, dono de uma loja de penhores que sempre avalia com um certo desprezo as mercadorias recebidas. Do banheiro do local de trabalho, vem um cheiro insuportável do ralo, que parece impregnar sua vida cheia de falhas e ausências.
Obcecado por uma mulher - ou melhor, pela bunda dela -, ele vai levando sua vidinha ordinária. Pela loja, desfilam tipos que vão do trágico ao hilariante. O roteiro tem diálogos que fazem você querer ouvir algumas coisas novamente. Até mesmo as grosserias costumeiras de Lourenço são engraçadas.
Tem figurino, tem direção de arte, tem fotografia. E conta bem uma história, criada pelo quadrinista Lourenço Mutarelli. Já conhecia os grafismos dele, e nunca imaginei que o cara pudesse criar uma história tão cruel com tanto humor negro e que ainda ela virasse filme. Para completar, ainda deu uma de ator, sem dever nada prá ninguém, no papel de segurança da loja, com seu indefectível terno vinho.
Para essa avalanche de filmes estilo Rede Globo, um antídoto pode vir de criações como o Cheiro, onde tudo é feio, mas o resultado final é lindo.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Riscos existem. Eu rabisco
Lá se vão 10 anos de carreira no jornalismo, entre coluna em jornal de bairro, estágio em prefeitura e jornais diários. Nesse tempo todo, dá para contar nos dedos as vezes em que minha integridade física correu algum risco.
A primeira ocorreu em 1999, quando ainda era um mero estagiário da prefeitura de Viamão, na Região Metropolitana. Só que lá estagiário era gente. Até demais. Trabalhava bem mais de cinco horas e, quase sempre, ainda ficava engatado no fim de semana.
Pois foi numa noite quente de sábado que vi a morte de perto. E não foi nada tão poético como em O Sétimo Selo, do Bergman. Minha tarefa era fotografar o 1º Festival de Hip Hop, na Praça Júlio de Castilhos, no Centro. Um palco foi montado entre o Centro Administrativo e a Casa de Cultura, bem no Centro, para receber cerca de 30 grupos "de mano". Ah, eu também tinha de escrever a respeito, claro.
Passava das 10 da noite, e tudo ia bem. Não sou brigadiano, mas arrisco que havia umas 500 pessoas prestigiando o festival. Lá pelas tantas, bem do lado do palco, rolou uma pancadaria. Até aí, tranqüilo. Eu estava em cima do palco, bem de canto, só olhando a confusão. E não é que um maluco resolve sacar um revólver? Bom, a bala comeu. Até hoje não consegui assimilar quantos tiros foram dados, mas arrisco que chegou a meia dúzia. Ainda bem que o cara era meio perturbado. E muito ruim de mira.
Os disparos foram a esmo e não acertaram ninguém. E hoje até acho graça da correria. Saiu gente para tudo o que é lado, em tempo recorde. Inclusive o atirador. Eu não me mexi. Fiquei meio catatônico com aquilo tudo.
Já tinha visto tiroteio de perto quando criança, depois de um assalto a banco no Menino Deus. Também já visitei a casa de um amigo bem na hora em que o namorado da irmã dele, com um três-oitão, resolveu fazer a residência de alvo, no Partenon. Mas nada como essa experiência na vida adulta, na profissão.
Depois do tumulto, alguns manos continuaram a mostrar sua poesia. Só que muitos refrões pedindo paz perderam o sentido naquela noite. Tanto que menos de 50 pessoas permaneceram fiéis ao festival. Nem a Brigada Militar ficou, talvez porque a maioria era negra e pobre.
Episódios como esse revelam quão frágil pode ser a vida. Não fui herói nem pretendo ser, a não ser que a situação exija muito. Afinal, penso nos que gostam de mim e que gostariam de continuar tendo a minha presença por perto.
Lembro tudo isso porque fiquei sabendo nesta segunda-feira, Dia do Jornalista, que algumas pessoas querem a minha cabeça, literalmente, por conta de coisas que escrevi no jornal. Não tenho medo, mas prometo que vou me cuidar. Pois quero continuar atualizando este blog por um bom tempo.
Aguarde. No próximo capítulo das situações arriscadas, o dia em que, entre a Santa e o Porto, tinha um assalto a carro-forte.
A primeira ocorreu em 1999, quando ainda era um mero estagiário da prefeitura de Viamão, na Região Metropolitana. Só que lá estagiário era gente. Até demais. Trabalhava bem mais de cinco horas e, quase sempre, ainda ficava engatado no fim de semana.
Pois foi numa noite quente de sábado que vi a morte de perto. E não foi nada tão poético como em O Sétimo Selo, do Bergman. Minha tarefa era fotografar o 1º Festival de Hip Hop, na Praça Júlio de Castilhos, no Centro. Um palco foi montado entre o Centro Administrativo e a Casa de Cultura, bem no Centro, para receber cerca de 30 grupos "de mano". Ah, eu também tinha de escrever a respeito, claro.
Passava das 10 da noite, e tudo ia bem. Não sou brigadiano, mas arrisco que havia umas 500 pessoas prestigiando o festival. Lá pelas tantas, bem do lado do palco, rolou uma pancadaria. Até aí, tranqüilo. Eu estava em cima do palco, bem de canto, só olhando a confusão. E não é que um maluco resolve sacar um revólver? Bom, a bala comeu. Até hoje não consegui assimilar quantos tiros foram dados, mas arrisco que chegou a meia dúzia. Ainda bem que o cara era meio perturbado. E muito ruim de mira.
Os disparos foram a esmo e não acertaram ninguém. E hoje até acho graça da correria. Saiu gente para tudo o que é lado, em tempo recorde. Inclusive o atirador. Eu não me mexi. Fiquei meio catatônico com aquilo tudo.
Já tinha visto tiroteio de perto quando criança, depois de um assalto a banco no Menino Deus. Também já visitei a casa de um amigo bem na hora em que o namorado da irmã dele, com um três-oitão, resolveu fazer a residência de alvo, no Partenon. Mas nada como essa experiência na vida adulta, na profissão.
Depois do tumulto, alguns manos continuaram a mostrar sua poesia. Só que muitos refrões pedindo paz perderam o sentido naquela noite. Tanto que menos de 50 pessoas permaneceram fiéis ao festival. Nem a Brigada Militar ficou, talvez porque a maioria era negra e pobre.
Episódios como esse revelam quão frágil pode ser a vida. Não fui herói nem pretendo ser, a não ser que a situação exija muito. Afinal, penso nos que gostam de mim e que gostariam de continuar tendo a minha presença por perto.
Lembro tudo isso porque fiquei sabendo nesta segunda-feira, Dia do Jornalista, que algumas pessoas querem a minha cabeça, literalmente, por conta de coisas que escrevi no jornal. Não tenho medo, mas prometo que vou me cuidar. Pois quero continuar atualizando este blog por um bom tempo.
***
Aguarde. No próximo capítulo das situações arriscadas, o dia em que, entre a Santa e o Porto, tinha um assalto a carro-forte.
Que venha o Juventude
Ainda bem que o Inter-SM existe para me consolar. Porque o Grêmio...
Confesso que até ando torcendo mais para o time de Santa Maria, pelo menos no Gauchão. Para quem assistiu partidas na Segundona, com jogadores meia-boca, gramado podre e arquibancada vazia, dá um orgulho agora de ver o Interzinho entre os quatro melhores no campeonato e o estádio cheio. Que venha o Juventude!
Confesso que até ando torcendo mais para o time de Santa Maria, pelo menos no Gauchão. Para quem assistiu partidas na Segundona, com jogadores meia-boca, gramado podre e arquibancada vazia, dá um orgulho agora de ver o Interzinho entre os quatro melhores no campeonato e o estádio cheio. Que venha o Juventude!
sábado, 5 de abril de 2008
A bela dor de Piaf

Marion Cotillard. Não a conhecia e não vou esquecê-la tão cedo. Vencedora do Oscar de melhor atriz pelo papel-título de Piaf – Um Hino ao Amor, essa francesa opera uma transformação física radical no filme. De uma jovem faminta e desbocada ela vai até a mulher enrugada e frágil que, no final da carreira, mal conseguia ficar de pé sozinha. Irretocável na expressão corporal e na dublagem de canções, ela chega para arrasar na última cena, na qual Piaf dá seus últimos suspiros artísticos na interpretação de Non, Je Ne Regrette Rien (Não, Não Me Arrependo de Nada), uma das últimas canções que gravou.
Em tempos tomados pela insensibilidade, o filme-biografia mostra o quanto a dor pode ser bela e nos ensinar a viver o amor e a se revoltar. Depois de uma vida nada comum, a cantora francesa morreu em 1963, aos 47 anos, com a aparência de quem tinha muito mais do que essa idade, em razão de reumatismo, muita morfina e doses cavalares de infelicidade.
Dá para ficar refletindo horas a respeito. No caso de Piaf, que foi abandonada pela mãe, chegou a viver no bordel da avó e quase ficou sem poder enxergar com seus belos olhos azuis, o talento extraordinário foi uma espécie de destino. Pode não ter anulado os outros destinos traçados para ela, mas foi forte o suficiente para guerrear com eles e superá-los. Sobrou dor. Mas esse sofrimento todo não apagou o que de mais lindo havia em Piaf.
"Não, absolutamente nada
Não, eu não me arrependo de nada
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal
Isso tudo me parece indiferente
Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Está pago, varrido, esquecido
Dane-se o passado
Com minhas lembranças,
Eu alimentei o fogo
Minhas mágoas, meus prazeres
Eu não preciso mais deles
Varridos os amores
Junto a seus aborrecimentos
Varridos para sempre
Vou recomeçar do zero
Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, tudo me parece igual
Não, de jeito nenhum
Não, não me arrependo de nada
Pois minha vida
Pois minhas alegrias
Hoje
Isso tudo começa com você"
(Tradução de Non, Je ne Regrette Rien, imortalizada por Edith Piaf)
Em tempos tomados pela insensibilidade, o filme-biografia mostra o quanto a dor pode ser bela e nos ensinar a viver o amor e a se revoltar. Depois de uma vida nada comum, a cantora francesa morreu em 1963, aos 47 anos, com a aparência de quem tinha muito mais do que essa idade, em razão de reumatismo, muita morfina e doses cavalares de infelicidade.
Dá para ficar refletindo horas a respeito. No caso de Piaf, que foi abandonada pela mãe, chegou a viver no bordel da avó e quase ficou sem poder enxergar com seus belos olhos azuis, o talento extraordinário foi uma espécie de destino. Pode não ter anulado os outros destinos traçados para ela, mas foi forte o suficiente para guerrear com eles e superá-los. Sobrou dor. Mas esse sofrimento todo não apagou o que de mais lindo havia em Piaf.
"Não, absolutamente nada
Não, eu não me arrependo de nada
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal
Isso tudo me parece indiferente
Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Está pago, varrido, esquecido
Dane-se o passado
Com minhas lembranças,
Eu alimentei o fogo
Minhas mágoas, meus prazeres
Eu não preciso mais deles
Varridos os amores
Junto a seus aborrecimentos
Varridos para sempre
Vou recomeçar do zero
Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, tudo me parece igual
Não, de jeito nenhum
Não, não me arrependo de nada
Pois minha vida
Pois minhas alegrias
Hoje
Isso tudo começa com você"
(Tradução de Non, Je ne Regrette Rien, imortalizada por Edith Piaf)
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Não peça ajuda aos universitários
Por que, num centro universitário, é preciso colocar um cartaz no banheiro com os seguintes dizeres: "Favor dar a descarga após usar o vaso sanitário". E por que a maioria dos usuários do tal recinto, depois de secar as mãos ou limpar a bunda, não joga o papel dentro da lixeira?
Gente estudada, de bom nível social.
É de pensar no assunto.
Gente estudada, de bom nível social.
É de pensar no assunto.
Heroína



Não são muitas pessoas que podem se orgulhar de ter salvo vidas sem ser bombeiro, policial, médico e até veterinário. Pois a Bruna Porciúncula, que é jornalista, tem isso no currículo. Já tinha adotado a Lídia. Mais recentemente, pegou uma ninhada de quatro ou cinco cães que tinham sido abandonados por alguém de maldade extrema. Os bichinhos eram recém-nascidos e ainda nem abriam os olhos...
Pois a Bruna não se fez de rogada e perdeu várias noites de sono para salvar essa gurizadinha. Alguns não sobreviveram e, de noite, vão puxar o pé de quem os abandonou, tomara. Mas um casalzinho está são e salvo. E os dois filhotes são lindos, como dá prá ver nas fotos acima. Parabéns, Bruna, você nos faz ter esperança na raça humana.
As origens 2
Entre 1984 e 1986, o Correio do Povo ficou fechado. Antes disso, o Breno Caldas tinha torrado uma grana na TV Guaíba. Depois de um tempo, não teve como segurar o rojão. Apesar de não ter o hábito de olhar o velho Correio na infância, fiquei sentido. Porque não via mais os caminhões passando carregados de bobinas de papel ou de jornais empacotados. Enxergava tudo isso da porta da loja de vinhos e bebidas da família na Getúlio Vargas, em Porto Alegre. A uma quadra dali, ficavam as oficinas do Correio do Povo. O prédio administrativo foi preservado e restaurado pelo Zaffari, mas o megagalpão onde o jornal era impresso virou hoje um hipermercado dessa empresa.
A volta do Correio, já nas mãos da família Ribeiro, foi marcada por uma campanha maciça, em que a assinatura era de graça. Então, muita gente, mas muita gente mesmo assinava o tablóide repleto de notícias resumidas. Inclusive eu.
Naquela época, saía pela manhã para ir à aula. E cruzava a pé todo o bairro Menino Deus para chegar até a Azenha. No caminho, as casas eram sem grades, os prédios de portas abertas e sem interfone. Cenário propício para uma travessura: eu e um vizinho, que estudava na mesma escola mas numa série abaixo, íamos arrecadando quase todos os Correios pelo caminho. Depois, chegávamos na aula e os distribuíamos para os colegas. Tudo bem que o jornal era de graça, mas hoje não vejo muito sentido em tudo isso. Mesmo fazendo parte do mundo do crime, dá pra dizer que foi meu primeiro emprego no jornalismo...
Hoje, o jornal é da Igreja Universal do Reino de Deus. Triste. Mas antes isso do que fechar, botar gente na rua e deixar de fazer parte da concorrência.
A volta do Correio, já nas mãos da família Ribeiro, foi marcada por uma campanha maciça, em que a assinatura era de graça. Então, muita gente, mas muita gente mesmo assinava o tablóide repleto de notícias resumidas. Inclusive eu.
Naquela época, saía pela manhã para ir à aula. E cruzava a pé todo o bairro Menino Deus para chegar até a Azenha. No caminho, as casas eram sem grades, os prédios de portas abertas e sem interfone. Cenário propício para uma travessura: eu e um vizinho, que estudava na mesma escola mas numa série abaixo, íamos arrecadando quase todos os Correios pelo caminho. Depois, chegávamos na aula e os distribuíamos para os colegas. Tudo bem que o jornal era de graça, mas hoje não vejo muito sentido em tudo isso. Mesmo fazendo parte do mundo do crime, dá pra dizer que foi meu primeiro emprego no jornalismo...
Hoje, o jornal é da Igreja Universal do Reino de Deus. Triste. Mas antes isso do que fechar, botar gente na rua e deixar de fazer parte da concorrência.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
As origens
Quando era bem piá, lá pelos 5/6 anos, ainda não sabia ler, mas o jornal já me causava algum interesse. Hoje, fazendo uma retrospectiva, lembro que a "culpa" foi do meu avô, Luiz Alberto Martins Fagundes, que faleceu quando eu tinha uns 10.
Eu ainda morava em São Paulo, terra em que nasci por força das circunstância. Eu e meu irmão somos os únicos da família inteira que nasceram lá, por causa do trabalho do pai. Voltando ao jornal... Meu vô e minha vó costumavam sair de Porto Alegre e ir à capital paulista, via ônibus da Penha, para visitar.
Nesse contexto todo, há lembranças peculiares. Primeiro, que lá em casa o jornal escolhido era O Estado de S.Paulo. Outra: o Estadão costumava colocar a cidade de origem de suas notícias de uma forma destacada, no início de cada texto.
Apesar da tenra idade, eu já identificava algumas palavras, graças ao hábito de olhar as revistinhas da Disney, muitas delas herdadas do meu irmão. Uma das expressões que sabia identificar bem era "Porto Alegre". Quando meu avô estava em São Paulo, eu costumava folhear o jornal de cabo a rabo, sempre procurando por notícias da cidade em que ele morava. Quando achava um "Porto Alegre", ia correndo mostrar pro vô.
Mais tarde, fui morar na cidade que aparecia no meu cabeçalho favorito do Estadão. O primeiro ano e meio foi na casa dos meus avós, no bairro Partenon. Era entre 1981 e 1982. Todas as manhãs, eu ia até a "quitanda" do Nérso, numa das esquinas da João do Rio. Com 50 centavos dados pelo meu avô, comprava uma Zero Hora. Os quadrinhos continuavam no top da preferência, mas eu também tinha uma atração pela Polícia e pelo Esporte. Claro que só pegava o jornal pra ler depois que meu avô fizesse a leitura dele, durante o café da manhã.
Não sei se isso tem alguma relação com o que eu me tornei. Mas a lembrança vale, porque estimula. Imagina se tem por aí algum piá fazendo o que eu fazia? Que tenha uma ligação afetiva com esse maço de papel...
Tá, tô numa fase bem sentimental com o jornalismo, eu sei. Provavelmente porque agora, fora da redação, posso discuti-lo enquanto conceito. E, para isso, busco no passado muitas lições. Assim, enxergo de forma mais lúcida o futuro.
Falado em resgate, vale dar uma olhada na fase nostálgica do Cacto.
Eu ainda morava em São Paulo, terra em que nasci por força das circunstância. Eu e meu irmão somos os únicos da família inteira que nasceram lá, por causa do trabalho do pai. Voltando ao jornal... Meu vô e minha vó costumavam sair de Porto Alegre e ir à capital paulista, via ônibus da Penha, para visitar.
Nesse contexto todo, há lembranças peculiares. Primeiro, que lá em casa o jornal escolhido era O Estado de S.Paulo. Outra: o Estadão costumava colocar a cidade de origem de suas notícias de uma forma destacada, no início de cada texto.
Apesar da tenra idade, eu já identificava algumas palavras, graças ao hábito de olhar as revistinhas da Disney, muitas delas herdadas do meu irmão. Uma das expressões que sabia identificar bem era "Porto Alegre". Quando meu avô estava em São Paulo, eu costumava folhear o jornal de cabo a rabo, sempre procurando por notícias da cidade em que ele morava. Quando achava um "Porto Alegre", ia correndo mostrar pro vô.
Mais tarde, fui morar na cidade que aparecia no meu cabeçalho favorito do Estadão. O primeiro ano e meio foi na casa dos meus avós, no bairro Partenon. Era entre 1981 e 1982. Todas as manhãs, eu ia até a "quitanda" do Nérso, numa das esquinas da João do Rio. Com 50 centavos dados pelo meu avô, comprava uma Zero Hora. Os quadrinhos continuavam no top da preferência, mas eu também tinha uma atração pela Polícia e pelo Esporte. Claro que só pegava o jornal pra ler depois que meu avô fizesse a leitura dele, durante o café da manhã.
Não sei se isso tem alguma relação com o que eu me tornei. Mas a lembrança vale, porque estimula. Imagina se tem por aí algum piá fazendo o que eu fazia? Que tenha uma ligação afetiva com esse maço de papel...
Tá, tô numa fase bem sentimental com o jornalismo, eu sei. Provavelmente porque agora, fora da redação, posso discuti-lo enquanto conceito. E, para isso, busco no passado muitas lições. Assim, enxergo de forma mais lúcida o futuro.
Falado em resgate, vale dar uma olhada na fase nostálgica do Cacto.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Histórias do jornalismo II
Terça-feira, 23 de janeiro de 2001. Era mais um dia na minha vida de frila não-formado na Geral da Zero Hora (o milagre do diploma só ocorreria no final de 2003). Fazia tarefas importantes, mas nada emocionantes: notinhas para serviço e para o Informe do Ensino e o obituário (aprendi um monte com ele, não riam).
Enfim, o início da noite chegou com uma chuva daquelas sobre a capital gaúcha. O telefone não parava de tocar. Alagamento aqui, engarrafamento lá, e muita reclamação. Daqui a pouco, chega a notícia de que havia uma lotação presa no meio de um metro e meio de água, sob a passarela do Parque Moinhos de Vento, o Parcão, na Avenida Goethe.
Para quem não conhece, um parêntese: era histórico que aquele local algava em dias de muita chuva. Fazia parte da cultura porto-alegrense.
O mais inusitado daquela noite não era a lotação. No mesmo cenário, havia um jet ski (!) dando umas voltinhas. A essa altura, não havia repórter para ir até lá. O fotógrafo Mário Brasil já estava no local. Quem? Quem? Quem poderá ajudar?
Nem pensei duas vezes quando me pediram pra ir. Com aquela confusão pela cidade, o jeito foi pegar um táxi, pois não havia mais "viaturas" no jornal. Depois de enfrentar um engarrafamento-monstro na Avenida Ipiranga e ficar aflito por achar que perderia a história, cheguei até o lago na Goethe. A lotação estava lá. O jet ski, também. O fotógrafo estava com tronco dentro d'água. O equipamento era segurado acima da cabeça.
Bom, se eu quisesse contar mesmo aquela história, tinha de encarar. Pior que, dias antes, um colega repórter havia sido internado para tratar de hemorróidas (argh!). Depois de ter trabalhado numa enchente... Pensei: o que é uma dor no rabo perto de uma grande história? Azar, fui.
Fiquei até com medo de me afogar, pois não sou um modelo de altura. No meio daquela água podre, fui me deslocando até a lotação. Ali pela volta, o empresário Milton Chies fazia acrobacias com seu jet ski.
Encharcado e fedendo, entrei na lotação. Falei com o motorista e os dois passageiros. No fundo, todos curtiam a "aventura". Mas o mais animado era o dono do jet ski. Ele morava ali perto e resolveu pegar seu brinquedinho só para se divertir.
- Em outras enxurradas, já pensei em fazer isso. Desta vez, não resisti - disse, na época, para este repórter.
O bon vivant acabou virando um herói involuntário: tirou os dois passageiros da lotação. O motorista ficou no veículo, como um bom capitão que não abandona seu barco.
E eu recebi de brinde uma baita matéria. O fotógrafo, uma foto na capa da segunda edição. Naquele dia, senti o prazer inestimável de contar uma boa história. Me ralei, mas não tive hemorróidas nem leptospirose...
Em 2005, uma matéria no jornal porto-alegrense Já tinha o título "Jet ski na Goethe, nunca mais". No mês passado, logo depois da inauguração do conduto Álvaro Chaves-Goethe, que promete resolver o problema histórico dos alagamentos naquela avenida, um vereador falou mais ou menos a mesma coisa em um discurso na Câmara da Capital. Se tem gente que não esquece daquela cena, imagina eu.
Enfim, o início da noite chegou com uma chuva daquelas sobre a capital gaúcha. O telefone não parava de tocar. Alagamento aqui, engarrafamento lá, e muita reclamação. Daqui a pouco, chega a notícia de que havia uma lotação presa no meio de um metro e meio de água, sob a passarela do Parque Moinhos de Vento, o Parcão, na Avenida Goethe.
Para quem não conhece, um parêntese: era histórico que aquele local algava em dias de muita chuva. Fazia parte da cultura porto-alegrense.
O mais inusitado daquela noite não era a lotação. No mesmo cenário, havia um jet ski (!) dando umas voltinhas. A essa altura, não havia repórter para ir até lá. O fotógrafo Mário Brasil já estava no local. Quem? Quem? Quem poderá ajudar?
Nem pensei duas vezes quando me pediram pra ir. Com aquela confusão pela cidade, o jeito foi pegar um táxi, pois não havia mais "viaturas" no jornal. Depois de enfrentar um engarrafamento-monstro na Avenida Ipiranga e ficar aflito por achar que perderia a história, cheguei até o lago na Goethe. A lotação estava lá. O jet ski, também. O fotógrafo estava com tronco dentro d'água. O equipamento era segurado acima da cabeça.
Bom, se eu quisesse contar mesmo aquela história, tinha de encarar. Pior que, dias antes, um colega repórter havia sido internado para tratar de hemorróidas (argh!). Depois de ter trabalhado numa enchente... Pensei: o que é uma dor no rabo perto de uma grande história? Azar, fui.
Fiquei até com medo de me afogar, pois não sou um modelo de altura. No meio daquela água podre, fui me deslocando até a lotação. Ali pela volta, o empresário Milton Chies fazia acrobacias com seu jet ski.
Encharcado e fedendo, entrei na lotação. Falei com o motorista e os dois passageiros. No fundo, todos curtiam a "aventura". Mas o mais animado era o dono do jet ski. Ele morava ali perto e resolveu pegar seu brinquedinho só para se divertir.
- Em outras enxurradas, já pensei em fazer isso. Desta vez, não resisti - disse, na época, para este repórter.
O bon vivant acabou virando um herói involuntário: tirou os dois passageiros da lotação. O motorista ficou no veículo, como um bom capitão que não abandona seu barco.
E eu recebi de brinde uma baita matéria. O fotógrafo, uma foto na capa da segunda edição. Naquele dia, senti o prazer inestimável de contar uma boa história. Me ralei, mas não tive hemorróidas nem leptospirose...
Em 2005, uma matéria no jornal porto-alegrense Já tinha o título "Jet ski na Goethe, nunca mais". No mês passado, logo depois da inauguração do conduto Álvaro Chaves-Goethe, que promete resolver o problema histórico dos alagamentos naquela avenida, um vereador falou mais ou menos a mesma coisa em um discurso na Câmara da Capital. Se tem gente que não esquece daquela cena, imagina eu.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Histórias do jornalismo I
Nem sempre dá para se orgulhar do que se faz no jornalismo. Aliás, tem coisas que dá para se envergonhar, e muito.
O ano era 2000. O mês, dezembro. Quase no Natal, o IBGE divulgou dados preliminares sobre o censo daquele ano. Em um jornal de grande circulação, a pauta especial era falar sobre a proporção entre homens e mulheres. Uma "força-tarefa" estava encarregada do assunto. Do interior, uma correspondente escreveria sobre a pequena Guabiju, na Serra, que tinha 1.745 habitantes - 873 mulheres e 872 homens, pau a pau, ou melhor, pau a... Ah, deixa pra lá.
Uma dupla repórter-fotógrafo ficou encarregada de ir para a rua e catar uma boa foto que retratasse a maior proporção feminina-masculina do Estado, que ocorria em Porto Alegre. A imagem saiu do Parque Moinhos de Vento, o Parcão.
Outra frente se abriu, rumo a Charqueadas, na Região Metropolitana. O repórter iniciante e o fotógrafo experiente foram até a cidade para tentar descobrir um motivo para os números que davam conta de 2.382 homens a mais do que mulheres, a maior proporção desse gênero no Rio Grande do Sul. A gincana: reunir o maior número de pessoas do sexo masculino em uma foto.
Pois lá se foram os otários, que não precisaram mais do que 5 minutos para descobrir que Charqueadas tinha 4 presídios que abrigavam 3 mil detentos homens. Ou seja, eles estavam na cidade e contavam no censo, mas não saíam andando pelas ruas...
Primeiro, eles foram para a praça principal. Ué, cadê os homens? Quase todos trancados... Os pobres jornalistas bem que ligaram para a redação e avisaram o editor do absurdo que estava rolando. Do outro lado da linha, pura compreensão:
- Não interessa. Voltem com a foto.
Depois de tentar arrecadar homens no Centro e ouvir alguns xingamentos, eles colocaram a cabeça prá pensar. Hmmm, quem sabe a cidade tem um quartel? Não tinha. O mais próximo disso era um alojamento da Brigada Militar, na saída de Charqueadas.
Ao chegar lá, um pouco de esperança. Um tenente ouviu o drama, exposto de forma sincera, e topou o desafio. Com voz de comando, mandou que todos os policiais do prédio descessem. Detalhe: à paisana. Senão a farsa ficaria muito descarada.
A coisa melhorou significativamente. Já havia cerca de 10 homens para uma foto. Por sorte, ali perto, três piás jogavam bola. Juntaram-se ao grupo. Mais dois rapazes passavam a cavalo. Entraram no quadro também. Mais um a pé e mais um de bicicleta. Pronto, passou dos 15 e quase chegou a 20. O fotógrafo, que não era bobo, fez uma imagem mais fechada. Parecia uma multidão.
O repórter, depois de entrevistar uns 20 homens e não chegar a lugar algum, consegue, finalmente, uma declaração que editor adora:
- Bah, aqui nos bailes a gente chega a se tapear por mulher.
Missão cumprida, vergonha completa. E um baita aprendizado de como não se deve fazer.
O ano era 2000. O mês, dezembro. Quase no Natal, o IBGE divulgou dados preliminares sobre o censo daquele ano. Em um jornal de grande circulação, a pauta especial era falar sobre a proporção entre homens e mulheres. Uma "força-tarefa" estava encarregada do assunto. Do interior, uma correspondente escreveria sobre a pequena Guabiju, na Serra, que tinha 1.745 habitantes - 873 mulheres e 872 homens, pau a pau, ou melhor, pau a... Ah, deixa pra lá.
Uma dupla repórter-fotógrafo ficou encarregada de ir para a rua e catar uma boa foto que retratasse a maior proporção feminina-masculina do Estado, que ocorria em Porto Alegre. A imagem saiu do Parque Moinhos de Vento, o Parcão.
Outra frente se abriu, rumo a Charqueadas, na Região Metropolitana. O repórter iniciante e o fotógrafo experiente foram até a cidade para tentar descobrir um motivo para os números que davam conta de 2.382 homens a mais do que mulheres, a maior proporção desse gênero no Rio Grande do Sul. A gincana: reunir o maior número de pessoas do sexo masculino em uma foto.
Pois lá se foram os otários, que não precisaram mais do que 5 minutos para descobrir que Charqueadas tinha 4 presídios que abrigavam 3 mil detentos homens. Ou seja, eles estavam na cidade e contavam no censo, mas não saíam andando pelas ruas...
Primeiro, eles foram para a praça principal. Ué, cadê os homens? Quase todos trancados... Os pobres jornalistas bem que ligaram para a redação e avisaram o editor do absurdo que estava rolando. Do outro lado da linha, pura compreensão:
- Não interessa. Voltem com a foto.
Depois de tentar arrecadar homens no Centro e ouvir alguns xingamentos, eles colocaram a cabeça prá pensar. Hmmm, quem sabe a cidade tem um quartel? Não tinha. O mais próximo disso era um alojamento da Brigada Militar, na saída de Charqueadas.
Ao chegar lá, um pouco de esperança. Um tenente ouviu o drama, exposto de forma sincera, e topou o desafio. Com voz de comando, mandou que todos os policiais do prédio descessem. Detalhe: à paisana. Senão a farsa ficaria muito descarada.
A coisa melhorou significativamente. Já havia cerca de 10 homens para uma foto. Por sorte, ali perto, três piás jogavam bola. Juntaram-se ao grupo. Mais dois rapazes passavam a cavalo. Entraram no quadro também. Mais um a pé e mais um de bicicleta. Pronto, passou dos 15 e quase chegou a 20. O fotógrafo, que não era bobo, fez uma imagem mais fechada. Parecia uma multidão.
O repórter, depois de entrevistar uns 20 homens e não chegar a lugar algum, consegue, finalmente, uma declaração que editor adora:
- Bah, aqui nos bailes a gente chega a se tapear por mulher.
Missão cumprida, vergonha completa. E um baita aprendizado de como não se deve fazer.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Proibido para hipertenso
E por falar em...
Saudade. Quase sempre vira metáfora: "soprou um vento", "invadiu neu coração", "tomou conta da casa" "aperta no peito"... E por aí vai. Tudo muito bonito. Mas, na hora de sentir de verdade, dói. Ainda bem que não é incurável.
E ainda bem que dá pra sentir falta de um dia muito bom sabendo que ele pode ser igual ou melhor nas 24 horas seguintes.
Por último: não gosto de ficar acompanhando a partida de um alguém muito querido até a porta se fechar, o motorista dar a partida e o ônibus deixar o box. É masoquismo, acredite. Ale, até bem breve. Prefiro pensar assim.
E ainda bem que dá pra sentir falta de um dia muito bom sabendo que ele pode ser igual ou melhor nas 24 horas seguintes.
Por último: não gosto de ficar acompanhando a partida de um alguém muito querido até a porta se fechar, o motorista dar a partida e o ônibus deixar o box. É masoquismo, acredite. Ale, até bem breve. Prefiro pensar assim.
Cinema sem reparação

Pois tudo funciona no novo velho cinema em Santa Maria, pelo menos na sala 2. As poltronas estão com todas as partes, o som Dolby digital se apresentou em dia, e não há reparos a fazer em relação à projeção. O saco é ter de esperar o elevador na saída do cinema, porque não há outro jeito de sair do Santa Maria Shopping. Mas um funcionário já me avisou que, em dias de mais público, as escadas estão liberadas. Menos mal. Nesse domingo, havia umas 20 e poucas pessoas para ver Desejo e Reparação na última sessão do dia.
Sobre o filme: surpreendeu positivamente. Não sou muito afeito a filmes de época ingleses. Via de regra, eles seguem com muito rigor a obra literária da qual foram originados. E aí a técnica cinematográfica não é bem aproveitada. Vide Uma Janela para o Amor, A Feira das Vaidades, Retorno a Howard's End... Se você gostou, desculpe. Mas, para mim, eles são chatos, muito chatos. Não vou generalizar: Razão e Senbilidade e Vestígios do Dia merecem ser vistos.
Desejo e Reparação vai nessa linha, ao contar uma história que se passa na Inglaterra dos anos 30, entre as duas guerras mundiais.
A história começa numa pomposa propriedade na Inglaterra. Lá vive a família Tallis, que se prepara para receber de volta o filho mais velho. A irmã mais nova, Briony, tem uma inaginação fértil que vai desencadear uma grande mudança no destino de todos os personagens. Por ciúme e por não entender bem o que acontece entre a irmã mais velha e o filho da governanta, ela acaba acusando o rapaz por algo que ele não fez.
A partir daí, o roteiro viaja pela vida dos personagens, mostrando como o futuro pode ser destruído por um ato impulsivo. No caso, o das irmãs e o do rapaz acusado. Nem quem inventou a história escapa, pois ela não consegue abandonar a culpa que sente pelo que fez. E só consegue buscar a tal "reparação" no último livro de sua longa carreira como escritora.
Surpreendente, de boa trilha sonora orquestrada (vencedora do Oscar), grandes atuações e com uma fotografia que leva do colorido da paisagem do interior da Inglaterra ao cinzento dos anos de guerra e de desencontros.
Filme bom, pipoca e boa companhia. Valeu o domingo.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Post para maiores de 18
Não sou purista. Nem nas atitudes nem nas palavras. Volta e meia, num rompante, solto um bu... (piiii) no meio da redação. Ando mais comedido, mas os impropérios ainda saem da minha boca.
Essa módica introdução é para introduzir (aaaahhhh, q preguiça de pensar) uma historieta. Na terça, bem cedinho, peguei um táxi do bairro Santana, em Porto Alegre, para a rodoviária. Fui sorteado. O profissional do volante era o campeão do "nome feio". O cara que cortava ele no trânsito era viado, cuzão etc. A mulher que andava em zigue-zague recebeu a contribuição mais baixa de todas: "Pô, segura firme esse volante. Porque a minha pi... (piiii) tu gosta de segurar bem, gata." Outro motorista, mais um "FDP", vários "cara... (piiii)" passando, outras bu... (piiii) caminhando pelo Parque da Redenção... Meu Deus, só com desentupidor pra limpar tanta m... (piiii) que saía daquela boca.
Se o cara ainda fosse meu parente, se eu devesse algum dinheiro pra ele, se eu tivesse pego a irmã dele, até vai. Mas eu nunca vi mais gordo! Que lembre que é um prestador de serviços. Imagine se eu fosse devoto do Mãe-Rainha-Trocentas-Vezes-Sei-Lá-O-Que. Ele seria excomungado e arderia no fogo do inferno (ou ao meio-dia no Calçadão de Santa Maria, tanto faz). Com todo o respeito, QUE ELE SE F... (piiii)!
Essa módica introdução é para introduzir (aaaahhhh, q preguiça de pensar) uma historieta. Na terça, bem cedinho, peguei um táxi do bairro Santana, em Porto Alegre, para a rodoviária. Fui sorteado. O profissional do volante era o campeão do "nome feio". O cara que cortava ele no trânsito era viado, cuzão etc. A mulher que andava em zigue-zague recebeu a contribuição mais baixa de todas: "Pô, segura firme esse volante. Porque a minha pi... (piiii) tu gosta de segurar bem, gata." Outro motorista, mais um "FDP", vários "cara... (piiii)" passando, outras bu... (piiii) caminhando pelo Parque da Redenção... Meu Deus, só com desentupidor pra limpar tanta m... (piiii) que saía daquela boca.
Se o cara ainda fosse meu parente, se eu devesse algum dinheiro pra ele, se eu tivesse pego a irmã dele, até vai. Mas eu nunca vi mais gordo! Que lembre que é um prestador de serviços. Imagine se eu fosse devoto do Mãe-Rainha-Trocentas-Vezes-Sei-Lá-O-Que. Ele seria excomungado e arderia no fogo do inferno (ou ao meio-dia no Calçadão de Santa Maria, tanto faz). Com todo o respeito, QUE ELE SE F... (piiii)!
quarta-feira, 26 de março de 2008
Esqueça tudo o que você já viu

No Santander Cultural, em Porto Alegre, é possível viajar de graça. É o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, que ocorre simultaneamente no Rio. Interagir é a palavra da hora, pois em quase tudo o visitante pode participar ativamente, muitas vezes fazendo também parte da obra.
A belga Yacine Sebti, por exemplo, apresenta a Jump (na foto acima), onde o público participa como personagem, "pulando", na obra. Dali em diante, ele poderá começar a construir esta imagem, na qual também vê os outros visitantes: enquanto pula, ele lentamente desloca os saltos dos visitantes anteriores, com seus próprios saltos. E tudo vai parar num telão.
Tem também a obra do venezuelano Ernesto Klar, Convergenze Parallele, onde o visitante "sopra" a imagem e o som. Pequenas partículas podem formar um desenho inédito na tela.
Em Dreamlines, do argentino Leonardo Solaas, o cara entra com uma ou mais palavras (em inglês) que definem um sonho que ele gostaria de sonhar. O sistema procura na rede imagens relacionadas e gera uma pintura onírica, que muda constantemente.
Sem falar no Piso, dos brasileiros Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti. A pessoa pisa em uma das duas extremidades da máquina e essa ação produz o deslocamento de uma onda na direção equivalente à ação. A onda em movimento levanta a chapa de aço e o conjunto levanta quem ou o que estiver em cima dela.
Eu poderia ficar aqui falando por quase três horas (tempo que fiquei viajando lá dentro) de tudo o que vi. Mas não vou conseguir descrever todas as nuances e sensações. O negócio é ir até lá.
O lance vai até 20 de abril. São 150 obras – webart, netart, vida artificial, hipertexto, animação computadorizada, teleconferência em tempo real, realidade virtual, software art, além de games, filmes interativos, e-videos, fotos 360° e instalações de arte eletrônica.
Esqueça tudo o que você viu antes em termos de arte. Não fique parado. Interaja.
E use filtro solar.
Em busca da felicidade
Estou feliz, mas em crise permanente. Pois gostaria que todos ao meu redor estivessem felizes. "Todos" significa desde a pessoa que senta do meu lado na redação do jornal até o catador que vai buscar o jornal velho na minha casa. Infelizmente, não sou capaz de ajudar a todos, e isso me frustra um pouco.
São muitas as injustiças no mundo. E sou incapaz de resolver a maioria delas. Até porque tem um numeroso time jogando contra.
Volta e meia, tenho vontade de botar uma mochila nas costas e sair por aí, sem rumo. Só para fazer o bem. Não quero canonização, apenas me sentir legal. Sei lá o que isso. Não enxerguei nenhum santo nem recebi uma mensagem psicografada. Deve ser a idade.
Enfim (minha palavra preferida), se alguém precisar de ajuda para ser feliz, tô de plantão. Claro que tudo tem limite. Não posso resolver os problemas da dona de um certo bar da Venâncio, por exemplo.
São muitas as injustiças no mundo. E sou incapaz de resolver a maioria delas. Até porque tem um numeroso time jogando contra.
Volta e meia, tenho vontade de botar uma mochila nas costas e sair por aí, sem rumo. Só para fazer o bem. Não quero canonização, apenas me sentir legal. Sei lá o que isso. Não enxerguei nenhum santo nem recebi uma mensagem psicografada. Deve ser a idade.
Enfim (minha palavra preferida), se alguém precisar de ajuda para ser feliz, tô de plantão. Claro que tudo tem limite. Não posso resolver os problemas da dona de um certo bar da Venâncio, por exemplo.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Simplicidade na tela

Juno é um achado. De vez em quando, aparecem esses filmes americanos que dependem só do roteiro e das boas interpretações. Porque a maioria, você bem sabe, se apóia nos efeitos e na maquiagem. Não que esses sejam ruins, mas é que, de vez em quando, a simplicidade faz falta.
A protagonista que dá nome ao filme (interpretada por Ellen Paige, sensacional) é uma garota de 16 anos que fica grávida na primeira transa, em meio a sua rotina diária de high school. O bacana é que o longa destaca pessoas comuns, sem cair no esteriótipo que filmes desse tipo de gênero e trama costumam apresentar. Não há pais desajustados que vão chorar pelo destino da adolescente, não há namorado canalha e não há uma protagonista idiota - aliás, esperteza é o que não falta para ela.
Enfim, nossa heroína decide dar o bebê. É aí que entra em cena o casal interessado. Ele é um publicitário, roqueiro e fã de filme de terror e quadrinhos, que acaba deixando tudo isso o que curte porque a mulher (obcecada em ser mãe mas incapaz fisicamente) o censura. É aí vem mais um pedacinho de vida real: ela não percebe que mata o homem por quem se apaixonou ao podá-lo de seus prazeres.
É um filme (raro) que consegue ser inteligente ao falar de adolescentes. O diretor Jason Reitman (que deixou para trás o cinismo de seu Obrigado por Fumar, muito bom, aliás) se revela de uma sensibilidade incrível e um construtor de belos diálogos. E ainda arrumou uma trilha sonora meio folk, bem agradável, que combina com a toda a história.
É uma hora e meia de ótima companhia. Mesmo se você for sozinho ao cinema, fique tranqüilo. Lá na tela, só tem gente legal para bater um papo.
Em tempo: minha amiga Adri já falou desse filme em seu blog. Dá uma olhada aqui.
quarta-feira, 19 de março de 2008
A academia
Volto à rotina de escrever para falar que voltei à academia. Não, não estou levantando peso nem fazendo spinning, step, gap ou qualquer uma dessas coisas "estrangeiras". O único exercício, nesse caso, é pensar. Depois de quase cinco anos, estou estudando. É um curso de especialização. O nome é pomposo: Comunicação e Projetos de Mídia. As aulas são sexta à noite e sábado o dia inteiro.
Por enquanto, foi apenas um final de semana. É cedo pra avaliar o tal do curso. Mas que faz bem sair um pouco do ambiente de uma redação de vez em quando, não há dúvida. Outro mundo, outro tipo de discussão, outras pessoas...
Só não sei de que forma vou levar. Não lembro se já contei isso aqui, mas meu curso de jornalismo durou 10 anos. Quase fui jubilado. Por isso que não respeito muito o diploma. Trabalho há mais de 10 anos na área e só me formei há quatro. E vi muito nêgo graduado patinar pra fazer as coisas que eu fazia antes de ser "bacharel". Então, peguei um certo ranço.
Mas isso já passou. Quero, quem sabe, um dia poder dar aula. E, para isso, preciso dos títulos de "dotô". Talvez eu chegue lá, vamos esperar.
Historinha de começo de aula.
Sexta-feira à noite. Em um auditório do Centro Universitário Franciscano, uma professora dá sua aula inaugural, usando data-show coisa e tal. A atividade era aberta para os alunos da especialização e os da graduação.
Em todas as cadeiras do chamado "salão de atos" (talvez a pessoa que batizou não conheça o da UFRGS), havia uma revista dos alunos do Jornalismo. Passado um tempo do começo da explanação da profe, uma loira (se era natural, não sei dizer) chega com a amiga e vê vários lugares vagos em uma fila. Pára, olha e faz cara de braba.
- Mas que saco! Todos os lugares estão reservados...
Por enquanto, foi apenas um final de semana. É cedo pra avaliar o tal do curso. Mas que faz bem sair um pouco do ambiente de uma redação de vez em quando, não há dúvida. Outro mundo, outro tipo de discussão, outras pessoas...
Só não sei de que forma vou levar. Não lembro se já contei isso aqui, mas meu curso de jornalismo durou 10 anos. Quase fui jubilado. Por isso que não respeito muito o diploma. Trabalho há mais de 10 anos na área e só me formei há quatro. E vi muito nêgo graduado patinar pra fazer as coisas que eu fazia antes de ser "bacharel". Então, peguei um certo ranço.
Mas isso já passou. Quero, quem sabe, um dia poder dar aula. E, para isso, preciso dos títulos de "dotô". Talvez eu chegue lá, vamos esperar.
Historinha de começo de aula.
Sexta-feira à noite. Em um auditório do Centro Universitário Franciscano, uma professora dá sua aula inaugural, usando data-show coisa e tal. A atividade era aberta para os alunos da especialização e os da graduação.
Em todas as cadeiras do chamado "salão de atos" (talvez a pessoa que batizou não conheça o da UFRGS), havia uma revista dos alunos do Jornalismo. Passado um tempo do começo da explanação da profe, uma loira (se era natural, não sei dizer) chega com a amiga e vê vários lugares vagos em uma fila. Pára, olha e faz cara de braba.
- Mas que saco! Todos os lugares estão reservados...
segunda-feira, 17 de março de 2008
Os comentários
Como continuo em crise de pensamentos, aproveito para dar o devido destaque aos comentários, que são uma parte legal disso tudo. O chiado do vinil bateu todos os recordes do blog. Vocês não imaginam o quanto isso faz bem. E olhem o nível desse pessoal. Te mete!
"Pavão misterioso"
7 Comentários -
Ale disse...
Tigre, não é que vc não sente falta do chiado. O bom é ter o acesso fácil a todo tipo de música. Mas, me diz, ouvir um vinil não é maravilhoso? Aquele chiadinho soa tão bem. bjos
11 de Março de 2008 10:54
Maurício disse...
Então chega lá em casa pra escutar um Ultraje no vinilzão....
11 de Março de 2008 13:47
Cor de rosa e carvão disse...
maurício: pior sou eu que tenho trilha sonora de novelas, com aquela música do Ultraje: 'nú com a mão no bolso'. Diria até que é a minha música atualmente...
11 de Março de 2008 22:08
vitor disse...
eu tenho saudade de um chiado, na verdade, um estalo. um dos meus discos preferidos era o paco de lucia tocando concerto de aranjuez. lá pelas tantas, no clímax do adágio, o cara enlouquecia no violão para, em seguida, a orquestra entrar. mas antes da orquestra toda entrar, o disco estalava. até hoje, quando ouço qualquer gravação deste concerto, fico esperando o estalo.(obrigado pelo link, não sabia... descobri agora, em seguida à descoberta do teu blog)
11 de Março de 2008 23:37
Francieli Rebelatto disse...
Pelo visto todos acima ainda são uns velhos românticos, heheh....
Eu também o sou, por isso quero uma vitrola e uma coleção de vinil, opa também um violão...
para o chiado ser feito pelas próprias mãos....
Ok, Ok, confesso a "portatilidade" da vida também me agrada.
Vontade de trazer o mundo no bolso...
12 de Março de 2008 13:59
Tati Py disse...
Cês lembram daquele cheirinho de disco novo? E como ele reluzia quando a gente tirava do plástico?
Só não tenho saudade dos discos arranhados. E eu era dona de arranhar discos. Meu pai chegava a esconder sua "discoteca da Jovem Guarda" pra eu não destruir...
12 de Março de 2008 15:15
Adri! disse...
Anteontem comentei com meus coleguinhas novinhos de trabalho - enquanto eles colocavam uns MP3 no 'pen' da Tia Adri - sobre minhas fitas K-7 e as seleções, por estilo, que tinha em cada uma delas: obviamente, dividadas em rock nacional, rock internacional e balaaaaaaaaaaaadas...
essas com todas as vinhetas que vocês possam imaginar das rádios de POA. Isso porque a primeira coisa que fazia, dos meus 10 aos meus 16 anos, quando acordava pra ir pro colégio, era dar 'play-record-pause' no 2x1 do meu quarto infanto-juvenil-refúgio-da-rebeldia-e-das-dores-de-amores!!!
p.s.: Tigre, please, segue escrevendo. mesmo que sem grande inspirações...é sempre bão saber de ti!!! Beijos!!!
16 de Março de 2008 09:25
"Pavão misterioso"
7 Comentários -
Ale disse...
Tigre, não é que vc não sente falta do chiado. O bom é ter o acesso fácil a todo tipo de música. Mas, me diz, ouvir um vinil não é maravilhoso? Aquele chiadinho soa tão bem. bjos
11 de Março de 2008 10:54
Maurício disse...
Então chega lá em casa pra escutar um Ultraje no vinilzão....
11 de Março de 2008 13:47
Cor de rosa e carvão disse...
maurício: pior sou eu que tenho trilha sonora de novelas, com aquela música do Ultraje: 'nú com a mão no bolso'. Diria até que é a minha música atualmente...
11 de Março de 2008 22:08
vitor disse...
eu tenho saudade de um chiado, na verdade, um estalo. um dos meus discos preferidos era o paco de lucia tocando concerto de aranjuez. lá pelas tantas, no clímax do adágio, o cara enlouquecia no violão para, em seguida, a orquestra entrar. mas antes da orquestra toda entrar, o disco estalava. até hoje, quando ouço qualquer gravação deste concerto, fico esperando o estalo.(obrigado pelo link, não sabia... descobri agora, em seguida à descoberta do teu blog)
11 de Março de 2008 23:37
Francieli Rebelatto disse...
Pelo visto todos acima ainda são uns velhos românticos, heheh....
Eu também o sou, por isso quero uma vitrola e uma coleção de vinil, opa também um violão...
para o chiado ser feito pelas próprias mãos....
Ok, Ok, confesso a "portatilidade" da vida também me agrada.
Vontade de trazer o mundo no bolso...
12 de Março de 2008 13:59
Tati Py disse...
Cês lembram daquele cheirinho de disco novo? E como ele reluzia quando a gente tirava do plástico?
Só não tenho saudade dos discos arranhados. E eu era dona de arranhar discos. Meu pai chegava a esconder sua "discoteca da Jovem Guarda" pra eu não destruir...
12 de Março de 2008 15:15
Adri! disse...
Anteontem comentei com meus coleguinhas novinhos de trabalho - enquanto eles colocavam uns MP3 no 'pen' da Tia Adri - sobre minhas fitas K-7 e as seleções, por estilo, que tinha em cada uma delas: obviamente, dividadas em rock nacional, rock internacional e balaaaaaaaaaaaadas...
essas com todas as vinhetas que vocês possam imaginar das rádios de POA. Isso porque a primeira coisa que fazia, dos meus 10 aos meus 16 anos, quando acordava pra ir pro colégio, era dar 'play-record-pause' no 2x1 do meu quarto infanto-juvenil-refúgio-da-rebeldia-e-das-dores-de-amores!!!
p.s.: Tigre, please, segue escrevendo. mesmo que sem grande inspirações...é sempre bão saber de ti!!! Beijos!!!
16 de Março de 2008 09:25
sexta-feira, 14 de março de 2008
Recesso
Pra quem se acostumou a ler um post por dia nas últimas semanas:
A internet não anda colaborando muito... e as idéias, também.
Até daqui a um tempo, aquele abraço
A internet não anda colaborando muito... e as idéias, também.
Até daqui a um tempo, aquele abraço
terça-feira, 11 de março de 2008
Pavão misterioso
Vamos a mais um pouco de nostalgia.
Hoje pareço moderninho, pois tenho um blog e carrego um caminhão de músicas pendurado no pescoço. Mas não faz muito tempo (tá, até faz) eu gravava as músicas do rádio em fita cassete para poder ouvir depois. Algumas até tinham um "su-su-su-su-su-su-cééééésso" junto.
Tudo começou com as fitinhas que havia lá em casa. Uma em particular me chamava a atenção: tinha Nuvem Passageira, com o Hermes Aquino. Gastei a música no deck do nosso "3 em 1".
Mas as maiores descobertas daquela época (eu tinha uns 7/8 anos) foram os LPs do meu irmão. Mergulhei naquele mundo eclético dele. O primeiro garimpo foi Falso Brilhante, da Elis. Nem a mãe, tri fã da Elis, aguentava mais ouvir aquele disco, de tanto que eu colocava. Ainda tinha Caetano, Pink Floyd, Led, Ednardo (aquele do Pavão Misterioso), Astor Piazzolla, Rita Lee, Eduardo Dusek... Certa vez, um colega meu pegou emprestado 2 discos do Yes. E não é rolou uma festinha na casa dele (ele tinha uns irmãos mais velhos também) e sumiram os LPs? Bom, até hoje meu irmão não sabe que fim levaram os discos...
Tudo era um ritual. Até ir numa galeria do Centro de Porto Alegre para mandar gravar em cassete uns "discos piratas" de shows na Europa do Led Zeppelin e do Deep Purple. E, hoje, com alguns cliques e uma boa ferramenta de busca, dá pra encontrar tudo isso em poucos minutos, sem sair de casa. Não, e eu não sinto saudade do chiado.
Hoje pareço moderninho, pois tenho um blog e carrego um caminhão de músicas pendurado no pescoço. Mas não faz muito tempo (tá, até faz) eu gravava as músicas do rádio em fita cassete para poder ouvir depois. Algumas até tinham um "su-su-su-su-su-su-cééééésso" junto.
Tudo começou com as fitinhas que havia lá em casa. Uma em particular me chamava a atenção: tinha Nuvem Passageira, com o Hermes Aquino. Gastei a música no deck do nosso "3 em 1".
Mas as maiores descobertas daquela época (eu tinha uns 7/8 anos) foram os LPs do meu irmão. Mergulhei naquele mundo eclético dele. O primeiro garimpo foi Falso Brilhante, da Elis. Nem a mãe, tri fã da Elis, aguentava mais ouvir aquele disco, de tanto que eu colocava. Ainda tinha Caetano, Pink Floyd, Led, Ednardo (aquele do Pavão Misterioso), Astor Piazzolla, Rita Lee, Eduardo Dusek... Certa vez, um colega meu pegou emprestado 2 discos do Yes. E não é rolou uma festinha na casa dele (ele tinha uns irmãos mais velhos também) e sumiram os LPs? Bom, até hoje meu irmão não sabe que fim levaram os discos...
Tudo era um ritual. Até ir numa galeria do Centro de Porto Alegre para mandar gravar em cassete uns "discos piratas" de shows na Europa do Led Zeppelin e do Deep Purple. E, hoje, com alguns cliques e uma boa ferramenta de busca, dá pra encontrar tudo isso em poucos minutos, sem sair de casa. Não, e eu não sinto saudade do chiado.
Gente como a gente
O Ministério das Relações Interiores adverte:
Jornalista é igual a todo mundo
Chora e/ou ri
Tem amigos e/ou inimigos
Acerta e/ou erra
Bebe e/ou vai à igreja
Jornalista é igual a todo mundo
Chora e/ou ri
Tem amigos e/ou inimigos
Acerta e/ou erra
Bebe e/ou vai à igreja
segunda-feira, 10 de março de 2008
Algo a dizer
Foi-se o tempo em que eu não tinha algo a dizer. Ou que eu tinha medo de dizer algo. Sinceramente, não gosto de assumir responsabilidades. Mas não tenho mais medo delas.
No fim, se você sempre for sincero, fica fácil. Por mais que aquilo que você está dizendo não seja o que a pessoa do outro lado queria ouvir. O negócio é se colocar na posição do outro.
Também não temo em errar. Acertar sempre é impossível. Mas sei que as minhas intenções são as melhores. Então, no final, tudo vale a pena.
Bom, todo esse papo de neurolingüistica é para lembrar de uma história de escolhas erradas. Uma vez escolhi o trabalho como prioridade, em detrimento da faculdade. Era divertido, eu ganhava uma graninha... Mas tava parado no mesmo lugar. E o cavalo passou encilhado várias vezes... No fim, fui parar no olho da rua, com uma mão na frente e outra atrás. Ainda bem que não larguei o curso de Jornalismo, naquela falsa ilusão de ser um "profissional".
Formado e desempregado, eu cheguei a pensar em voltar para o comércio. Nenhum demérito para a atividade. Pelo contrário. Afinal, encostei a barriga no balcão (da loja de vinhos e do restaurante da família, da locadora de vídeo...) desde os 13. E muita coisa aprendi. Muito mais do que nas cadeiras de Linguística e Fundamentos de Editoração (!).
Mas, parando pra pensar, será que a escolha de priorizar o trabalho foi errada mesmo? Será que eu não chegaria aos dias de hoje num sentimento de infelicidade com meu local de trabalho?
Não existem escolhas erradas, apenas escolhas. Se a minha fosse tão errada assim, talvez eu estivesse hoje trabalhando na Renner (pelo menos ganharia desconto nas camisetas do Planeta Atlântida). Se eu tivesse resistido a todos os sentimentos que tive, talvez hoje não tivesse a capacidade de amar. Nem de ser amado.
O certo é que hoje não privilegio nada, mas tudo. E, acima de tudo, a vida. Sem se lamentar. Sem ter raiva. Adianta?
E olha que até dá saudade da falta de responsabilidade e da ausência de compromissos. De vez em quando, preferia ser mesmo um ninguém por completo. Apenas mais um na multidão. Mas não se preocupe, é um sentimento bem rápido. Se você chamar por mim, saio do meio do povo e venho correndo.
No fim, se você sempre for sincero, fica fácil. Por mais que aquilo que você está dizendo não seja o que a pessoa do outro lado queria ouvir. O negócio é se colocar na posição do outro.
Também não temo em errar. Acertar sempre é impossível. Mas sei que as minhas intenções são as melhores. Então, no final, tudo vale a pena.
Bom, todo esse papo de neurolingüistica é para lembrar de uma história de escolhas erradas. Uma vez escolhi o trabalho como prioridade, em detrimento da faculdade. Era divertido, eu ganhava uma graninha... Mas tava parado no mesmo lugar. E o cavalo passou encilhado várias vezes... No fim, fui parar no olho da rua, com uma mão na frente e outra atrás. Ainda bem que não larguei o curso de Jornalismo, naquela falsa ilusão de ser um "profissional".
Formado e desempregado, eu cheguei a pensar em voltar para o comércio. Nenhum demérito para a atividade. Pelo contrário. Afinal, encostei a barriga no balcão (da loja de vinhos e do restaurante da família, da locadora de vídeo...) desde os 13. E muita coisa aprendi. Muito mais do que nas cadeiras de Linguística e Fundamentos de Editoração (!).
Mas, parando pra pensar, será que a escolha de priorizar o trabalho foi errada mesmo? Será que eu não chegaria aos dias de hoje num sentimento de infelicidade com meu local de trabalho?
Não existem escolhas erradas, apenas escolhas. Se a minha fosse tão errada assim, talvez eu estivesse hoje trabalhando na Renner (pelo menos ganharia desconto nas camisetas do Planeta Atlântida). Se eu tivesse resistido a todos os sentimentos que tive, talvez hoje não tivesse a capacidade de amar. Nem de ser amado.
O certo é que hoje não privilegio nada, mas tudo. E, acima de tudo, a vida. Sem se lamentar. Sem ter raiva. Adianta?
E olha que até dá saudade da falta de responsabilidade e da ausência de compromissos. De vez em quando, preferia ser mesmo um ninguém por completo. Apenas mais um na multidão. Mas não se preocupe, é um sentimento bem rápido. Se você chamar por mim, saio do meio do povo e venho correndo.
domingo, 9 de março de 2008
Barão campeã
Deu Barão do Itararé em 1º, Trevo de Ouro em 2º e Unidos do Itaimbé em 3º. Ganhou a organização, a sorte, o trabalho. Império, ano que vem tem de novo e vocês vão arrasar. Barão, parabéns pelo primeiro titulo.
A maldição do Carnaval de rua


Quando eu tinha uns 14/15, costumava ir escondido até os desfiles do Carnaval de rua em Porto Alegre, primeiro na Perimetral e depois na Augusto de Carvalho. Fica ali pela dispersão, pegando o finalzinho das apresentações e gritaria de quem cumpriu seu dever na passarela. Numa época antes dessa, virava a noite vendo o Carnaval do Rio na TV (tá certo que não era só pelo samba, eu queria ver mulher pelada também), apesar dos apelos da mãe para que eu fosse pra cama.
O tempo passou, e o Carnaval de Porto Alegre ficou mais longe de casa. E eu só fui ter a chance de chegar perto de novo do samba na avenida em Viamão, quando estagiava na assessoria de imprensa da prefeitura. Depois, ainda fui privilegiado com uma credencial para os desfiles na Capital. Já um pouco mais dono das minhas idéias, pirei ao ver uma bateria passando bem do meu lado. E, agora, se tenho a chance de sentir isso, não perco. Como fiz em Floripa no mês passado.
Já tinha visto o Carnaval de Santa Maria antes. E já tinha gostado. Agora, em 2008, os desfiles voltaram depois de um ano de ausência. Oito escolas mostraram sua homenagem aos 150 anos de Santa Maria.
O tempo passou, e o Carnaval de Porto Alegre ficou mais longe de casa. E eu só fui ter a chance de chegar perto de novo do samba na avenida em Viamão, quando estagiava na assessoria de imprensa da prefeitura. Depois, ainda fui privilegiado com uma credencial para os desfiles na Capital. Já um pouco mais dono das minhas idéias, pirei ao ver uma bateria passando bem do meu lado. E, agora, se tenho a chance de sentir isso, não perco. Como fiz em Floripa no mês passado.
Já tinha visto o Carnaval de Santa Maria antes. E já tinha gostado. Agora, em 2008, os desfiles voltaram depois de um ano de ausência. Oito escolas mostraram sua homenagem aos 150 anos de Santa Maria.
Se você quiser uma análise mais apurada, dá uma olhada no blog da Tati. Eu fico só com a emoção. Com o choro dos puxadores da Império da Zona Norte (na foto aí de cima), escola que levantou a arquibancada com um samba de primeira, mas teve três carros quebrados. Com a batéria nota 10 da Unidos do Itaimbé. Claro que fiquei grudado neles, no recuo. Ou você acha que sou bobo?
Nem tudo foi lindo. A outrora luxuosa Vila Brasil, por exemplo, tava pobrinha, pobrinha. E o samba não ajudou (sem falar no Macalé, que, do jeito que cantou, devia pedir pra sair). Mas a batucada compensa tudo.
Hoje tem a noite das campeãs. Como caí nessa tal de maldição, não tem jeito: vou.
***
Um repórter (de folga, só no lazer) toma cerveja na pista. O político com mandato passa, pára e olha. Cumprimenta. Na saída, esbarra na mão do repórter e derruba a latinha de Sol, que tava bem gelada. É ou não é caso pra impeachment?

Santati
sábado, 8 de março de 2008
O sol nasce pra todos

Amanheceu, peguei a viola
Botei na sacola e fui viajar
Sou cantador e tudo nesse mundo
Vale prá que eu cante e possa praticar
A minha arte sapateia as cordas
E esse povo gosta de me ouvir cantar
Ao meio-dia eu tava em Mato Grosso
Do Sul ou do norte não sei explicar
Só sei dizer que foi de tardezinha
Eu já tava cantando em Belém do Pará
Em Porto Alegre um tal de coronel
Pediu que eu musicasse uns versos que ele fez
Para uma china, que pela poesia,
Nem lá em Pequim se vê tanta altivez
Parei em Minas prá trocar as cordas
E segui direto para o Ceará
E no caminho fui pensando é linda
Essa grande aventura de poder cantar
Chegou a noite e pegou cantando
Num bailão lá no norte do Paraná
Daí pra frente ninguém mais se espanta
E o resto da noitada eu não posso contar
Anoiteceu e eu voltei prá casa
Que o dia foi longo e o sol quer descansar
(Amanheceu, Peguei a Viola, Renato Teixeira)
sexta-feira, 7 de março de 2008
A pergunta da semana
Por que um guia das ruas de "São Francisco", nos EUA, é vendido numa revistaria da rodoviária de Porto Alegre, com direito a exposição na vitrine?
Talvez tenham criado uma linha de ônibus direto pra lá e eu não fiquei sabendo.
Talvez tenham criado uma linha de ônibus direto pra lá e eu não fiquei sabendo.
Me dá o fogo
Um "esqueiro", numa análise, digamos, infame e grosseira, seria algo que um dia você quis e agora não quer mais?
Bom, segundo a prefeitura, coisas como "esqueiros" iriam ser destruídas na manhã desta sexta.
Não, eu não tô louco. Olha aqui.
Bom, segundo a prefeitura, coisas como "esqueiros" iriam ser destruídas na manhã desta sexta.
Não, eu não tô louco. Olha aqui.
É uma festa

Pra quem já foi a jogo com meia dúzia de gato pingado, quanta diferença. Ir ao Estádio Presidente Vargas virou um baita evento. Tem novo, velho, mulher, criança e até cachorro. Agora vendem até churros com chocolate. Mas tem coisas que acho que não vão mudar jamais: a cerveja quente e o banheiro podreco.
Mas uma novidade está valendo a ida ao estádio: a charanga. Quase toda formada por milicos, a junção une metais de sopro com percussão e não pára nunca. Com direito a Marcha Fúnebre na hora em que um jogador do adversário se machuca. E eles ainda acompanham com música o tradicional grito de FDP da torcida para o juiz.
E era isso que o Franco tava gritando na foto acima, para deleite da Tati e da Tatá. Em outra imagem, abaixo, a Bruna mostra que estava atenta ao espetáculo, grudada ao alambrado como uma típica torcedora.
Ah, o jogo com o Veranópolis foi 1 a 1. Eu e o Franco continuamos invictos. Quando construirem uma arena em 2058, vamos ganhar um camarote.

Mas uma novidade está valendo a ida ao estádio: a charanga. Quase toda formada por milicos, a junção une metais de sopro com percussão e não pára nunca. Com direito a Marcha Fúnebre na hora em que um jogador do adversário se machuca. E eles ainda acompanham com música o tradicional grito de FDP da torcida para o juiz.
E era isso que o Franco tava gritando na foto acima, para deleite da Tati e da Tatá. Em outra imagem, abaixo, a Bruna mostra que estava atenta ao espetáculo, grudada ao alambrado como uma típica torcedora.
Ah, o jogo com o Veranópolis foi 1 a 1. Eu e o Franco continuamos invictos. Quando construirem uma arena em 2058, vamos ganhar um camarote.

quinta-feira, 6 de março de 2008
Haja saúde
Hoje tem jogo do Interzinho. E mulher não paga... Iiiiissa! Como uma parte feminina da redação promete comparecer (no jogo, mané. muita calma nessa hora), e o Franco já é parceiro confirmado (pro jogo, mané. não fica pensando em coisa suja), claro que vai rolar uma cervejinha de canto. Vai estar meio quente (a cerveja, não o jogo), mas vai rolar.
Amanhã tem a recepção de formatura da Fran. É sair do trabalho e afundar o pé na jaca. E ainda tem Carnaval de rua.
Sábado, mais Carnaval de rua. E um baile de formatura como opção. Isso se não rolar um churrasco durante o dia...
Agora, dois pedidos:
1) Alguém me empresta um fígado?
2) Alguém me arruma algo insano pra fazer no domingo?
Amanhã tem a recepção de formatura da Fran. É sair do trabalho e afundar o pé na jaca. E ainda tem Carnaval de rua.
Sábado, mais Carnaval de rua. E um baile de formatura como opção. Isso se não rolar um churrasco durante o dia...
Agora, dois pedidos:
1) Alguém me empresta um fígado?
2) Alguém me arruma algo insano pra fazer no domingo?
quarta-feira, 5 de março de 2008
Simples como a vida
Que fase.
Uma menina me liga de Porto Alegre para que eu decida onde ela deve morar.
Alguém me agradece muito por algo que fiz, sem eu saber que aquilo fazia tanta diferença.
Uma pessoa conta algo chorando, porque você simplesmente parou para ouvi-la e olhar nos olhos dela.
Uma grande amiga faz uma singela homenagem em seu blog.
Dia para ficar nas nuvens. E, como diz aquela música do Pato Fu, "acima das nuvens, o tempo é sempre bom".
Tá. Mas nem tudo na vida acontece do jeito que a gente quer. Ao mesmo tempo, tem coisas que você não espera, mas quer, e elas acontecem. Filme bom é assim, com várias nuances e viradas. Por enquanto, tô gostando do roteirista, seja ele quem for.
Uma menina me liga de Porto Alegre para que eu decida onde ela deve morar.
Alguém me agradece muito por algo que fiz, sem eu saber que aquilo fazia tanta diferença.
Uma pessoa conta algo chorando, porque você simplesmente parou para ouvi-la e olhar nos olhos dela.
Uma grande amiga faz uma singela homenagem em seu blog.
Dia para ficar nas nuvens. E, como diz aquela música do Pato Fu, "acima das nuvens, o tempo é sempre bom".
Tá. Mas nem tudo na vida acontece do jeito que a gente quer. Ao mesmo tempo, tem coisas que você não espera, mas quer, e elas acontecem. Filme bom é assim, com várias nuances e viradas. Por enquanto, tô gostando do roteirista, seja ele quem for.
Ziriguidum
Com o Carnaval fora de época de Santa Maria, terei a chance de assistir dois desfiles em menos de dois meses. O ano começa bem. O outro foi em Floripa, como já falei aqui. Sentir a bateria de uma escola de samba passando do teu lado é uma sensação que todo mundo deveria experimentar. Mesmo que você esteja ruim da cabeça e doente do pé, vale a pena não perder essa chance. Todos os dias, vai começar às 20h30. Olha aí a programação:
Sexta-feira
* Blocos Catando Cidadania e Vila Brasil do Futuro
* Imperatriz Academia do Samba
* Barão do Itararé
* Mocidade Independente das Dores
* Trevo de Ouro
Sábado
* Bloco Os Audaciosos
* Unidos de Camobi
* Unidos do Itaimbé
* Vila Brasil
* Império da Zona Norte
Domingo
* Desfile das campeãs (com as três primeiras colocadas)
Sexta-feira
* Blocos Catando Cidadania e Vila Brasil do Futuro
* Imperatriz Academia do Samba
* Barão do Itararé
* Mocidade Independente das Dores
* Trevo de Ouro
Sábado
* Bloco Os Audaciosos
* Unidos de Camobi
* Unidos do Itaimbé
* Vila Brasil
* Império da Zona Norte
Domingo
* Desfile das campeãs (com as três primeiras colocadas)
O melhor prêmio da semana
Fui premiado (sim, vamos hoje para a primeira pessoa. Mais umbigo, impossível).
Calma, esse prêmio é mais recente, não tem a ver com nenhum troféu ou alguma viagem...
Antes de contar, um parêntese. Quando eu ainda cursava a faculdade de jornalismo, comecei a trabalhar na Zero Hora. Um certo domingo à noite, já tinha terminado todas as minhas pequenas tarefas burocráticas, quando chega a notícia de que um avião forrado de passageiros derrapou na pista do Salgado Filho e foi parar na grama. Imediatamente, a Lúcia Pires foi mandada para lá, com fotógrafo.
Dali a pouco, vem a informação de que há feridos que começam a ser levados para hospitais. E, agora, o que se faz. Diego Araujo grita:
- O que tá fazendo, Tigre?
- Já terminei minhas coisas, por quê? (Me fazendo de louco)
- Tu pode dar uma volta nos hospitais pra falar com os feridos?
Que dúvida. Lá fui eu, com o fotógrafo Mauro Vieira. Prmeiro, passamos pelo Pronto-Socorro. Que decepção, lá não tinha ninguém. Fico um tempo em depressão, em frente ao hospital, pensando que havia perdido uma chance. Não demora, e o celular toca. Hospital Cristo Redentor é o destino agora.
Ao chegar no Cristo, é preciso uma negociação com o guardinha. Algum tempo quarando, e a entrada é liberada. Bingo! Várias pessoas que haviam tomado um baita susto lá. Um senhor me conta que achou que iria morrer. E que caiu no meio do barro, ao descer do avião por uma rampa de emergência. E nessa linha vieram outros relatos.
Volto para a redação. Em 15 minutos, minha parte estava escrita, para juntar com a da Lúcia. Meu nome não saiu, porque eu não era formado, mas eu sabia que meu texto estava lá. Putz, que alegria. Claro que a mãe e o pai também souberam. Cheguei a sublinhar no jornal os trechos que eram meus...
Corta para a redação do Diário de Santa Maria. Março de 2008. Início de noite. Eduardo Silva, jovem recém-formado, acaba de terminar um texto policial sobre a mulher que colocou fogo no marido. Daí eu lembro do detalhe: o magrão já tinha o canudo. Logo, poderia assinar o texto. Por isso, falo:
- Dá para assinar esse texto aí, né?
Nem preciso dizer que a cara dele denunciava a felicidade. Cheguei a me engasgar, tchê.
Em apenas alguns minutos, momentos únicos, que fizeram diferença na vida. Oito anos depois que alguém me deu uma chance, o destino quis que eu proporcionasse uma alegria semelhante para outra pessoa. Vamos para o clichê: isso não tem preço. Esse foi o melhor prêmio que ganhei na semana, sem dúvida.
Calma, esse prêmio é mais recente, não tem a ver com nenhum troféu ou alguma viagem...
Antes de contar, um parêntese. Quando eu ainda cursava a faculdade de jornalismo, comecei a trabalhar na Zero Hora. Um certo domingo à noite, já tinha terminado todas as minhas pequenas tarefas burocráticas, quando chega a notícia de que um avião forrado de passageiros derrapou na pista do Salgado Filho e foi parar na grama. Imediatamente, a Lúcia Pires foi mandada para lá, com fotógrafo.
Dali a pouco, vem a informação de que há feridos que começam a ser levados para hospitais. E, agora, o que se faz. Diego Araujo grita:
- O que tá fazendo, Tigre?
- Já terminei minhas coisas, por quê? (Me fazendo de louco)
- Tu pode dar uma volta nos hospitais pra falar com os feridos?
Que dúvida. Lá fui eu, com o fotógrafo Mauro Vieira. Prmeiro, passamos pelo Pronto-Socorro. Que decepção, lá não tinha ninguém. Fico um tempo em depressão, em frente ao hospital, pensando que havia perdido uma chance. Não demora, e o celular toca. Hospital Cristo Redentor é o destino agora.
Ao chegar no Cristo, é preciso uma negociação com o guardinha. Algum tempo quarando, e a entrada é liberada. Bingo! Várias pessoas que haviam tomado um baita susto lá. Um senhor me conta que achou que iria morrer. E que caiu no meio do barro, ao descer do avião por uma rampa de emergência. E nessa linha vieram outros relatos.
Volto para a redação. Em 15 minutos, minha parte estava escrita, para juntar com a da Lúcia. Meu nome não saiu, porque eu não era formado, mas eu sabia que meu texto estava lá. Putz, que alegria. Claro que a mãe e o pai também souberam. Cheguei a sublinhar no jornal os trechos que eram meus...
Corta para a redação do Diário de Santa Maria. Março de 2008. Início de noite. Eduardo Silva, jovem recém-formado, acaba de terminar um texto policial sobre a mulher que colocou fogo no marido. Daí eu lembro do detalhe: o magrão já tinha o canudo. Logo, poderia assinar o texto. Por isso, falo:
- Dá para assinar esse texto aí, né?
Nem preciso dizer que a cara dele denunciava a felicidade. Cheguei a me engasgar, tchê.
Em apenas alguns minutos, momentos únicos, que fizeram diferença na vida. Oito anos depois que alguém me deu uma chance, o destino quis que eu proporcionasse uma alegria semelhante para outra pessoa. Vamos para o clichê: isso não tem preço. Esse foi o melhor prêmio que ganhei na semana, sem dúvida.
terça-feira, 4 de março de 2008
Classificados
Troco uma cadeira ao lado do bebedouro por uma cadeira de praia, atrás de um castelo de areia com vista para o mar. Tratar em horário de fechamento de um jornal.
Compro uma idéia, mas só posso pagar parcelado ou no cartão Visa Vale. Para abater no preço final, tenho alguns pensamentos um pouco antigos, mas bem conservados. Negociações depois das 23h, na mesa de um bar.
Procuro parcerias para excursões rumo ao desconhecido e ao inesperado. É preciso saber cozinhar, ter disponibilidade para sair do sério e gostar de pimentão. Mais informações podem ser obtidas no caminho entre Santa Maria e Porto Alegre.
Barbada! Torro... o saco, em dias de mau humor ou tristeza. Aproveite que a promoção é por tempo limitado.
Compro uma idéia, mas só posso pagar parcelado ou no cartão Visa Vale. Para abater no preço final, tenho alguns pensamentos um pouco antigos, mas bem conservados. Negociações depois das 23h, na mesa de um bar.
Procuro parcerias para excursões rumo ao desconhecido e ao inesperado. É preciso saber cozinhar, ter disponibilidade para sair do sério e gostar de pimentão. Mais informações podem ser obtidas no caminho entre Santa Maria e Porto Alegre.
Barbada! Torro... o saco, em dias de mau humor ou tristeza. Aproveite que a promoção é por tempo limitado.
domingo, 2 de março de 2008
Desde o Superman. E que venha o 13 de março
A primeira lembrança que eu tenho de um cinema é de um cinema sem nome. Claro que ele tem um, mas eu não lembro. Afinal, eu tinha uns 5/6 anos. Fui levado pelo meu irmão para ver Superman - O Filme, em algum lugar da capital paulista. Não sei se esse cinema ainda existe. Provavelmente, não. Não consigo me recordar do ambiente, apenas de uma sala escura com uma imagem projetada na parede.
Mas essa primeira experiência terminou cedo. Lá pela metade do filme, eu pedi pra sair. Não lembro se fiz fiasco, mas acabei convencendo meu irmão. Não tenho total certeza do que eu tô falando, mas acho que a razão era por medo. Sei lá do quê. E o filme era legendado...
Depois disso, só me vem a mente um cinema em Porto Alegre. Na verdade, dois. Não sei o que veio primeiro. Lembro da minha vó Adelina me levando no Cine Miramar, no Partenon (do lado de uma loja Incosul, que Deus a tenha), para ver um filme dos Trapalhões. Também lembro do meu irmão (ele, de novo) me arrastando pra ver Aristogatas, da Disney, no Scala, lá na Rua da Praia. Dessa vez eu aproveitei mais.
A minha querida avó tá firme, mas nem tão forte. Os cinemas que citei, não. Já se foram. Não sou de ficar lamentando isso. Esses locais fizeram seu papel. Que outros de melhor qualidade venham para o lugar deles. O que não dá é pra ficar sem nada.
Como em Santa Maria... Mais de 240 dias sem cinema! E olha que ainda tenho o consolo de poder ir a cinema por aí mundo afora.
Aí fico sabendo que Santa Maria vai voltar a ter dois cinemas no dia 13 de março. Contando, faltam 10 dias. Confesso que tô na expectativa. Depois do Superman e dos Aristogatas, a coisa só fluiu. Virei freqüentador. Ou "cliente", numa visão mais mercantilista.
Nessas horas, lembro do Cine Roma (na Azenha), que exibia os tops da época cerca de uma semana depois da estréia. E pela metade do preço.
Pára tudo para uma nota de redação: o autor deste texto agora vai mostrar que não cozinha na primeira fervura. Agora, podemos continuar.
No Roma, vi coisas como Caça-Fantasmas, Rambo 1, Comando para Matar, O Retorno de Jedi... Ia com os colegas de 1º Grau (meu pai amado... onde eu vou chegar?) nas matinês de domingo.
Lembro também do Marrocos, o cinema do meu bairro. Lá vi O Beijo da Mulher-Aranha e O Exterminador do Futuro. Ambos com censura 16 anos. E eu não tinha 16 anos...
Lembro também do Bristol, na Osvaldo Aranha. Era o cineclube de hoje, só que com freqüência diária. Só passava ciclos de uma semana. Numa delas, só passou filme do Hitchcock. Em outra, o tema era rock n'roll - lá pude ver The Song Remains the Same, do Led, e Pink Floyd - The Wall.
Por tudo isso, criei uma relação afetiva com a telinha. Ou melhor, a telona. Então, que venha o dia 13. Talvez eu até compre pipoca. Quem sabe um Bib's ou uma bala de goma.
Mas essa primeira experiência terminou cedo. Lá pela metade do filme, eu pedi pra sair. Não lembro se fiz fiasco, mas acabei convencendo meu irmão. Não tenho total certeza do que eu tô falando, mas acho que a razão era por medo. Sei lá do quê. E o filme era legendado...
Depois disso, só me vem a mente um cinema em Porto Alegre. Na verdade, dois. Não sei o que veio primeiro. Lembro da minha vó Adelina me levando no Cine Miramar, no Partenon (do lado de uma loja Incosul, que Deus a tenha), para ver um filme dos Trapalhões. Também lembro do meu irmão (ele, de novo) me arrastando pra ver Aristogatas, da Disney, no Scala, lá na Rua da Praia. Dessa vez eu aproveitei mais.
A minha querida avó tá firme, mas nem tão forte. Os cinemas que citei, não. Já se foram. Não sou de ficar lamentando isso. Esses locais fizeram seu papel. Que outros de melhor qualidade venham para o lugar deles. O que não dá é pra ficar sem nada.
Como em Santa Maria... Mais de 240 dias sem cinema! E olha que ainda tenho o consolo de poder ir a cinema por aí mundo afora.
Aí fico sabendo que Santa Maria vai voltar a ter dois cinemas no dia 13 de março. Contando, faltam 10 dias. Confesso que tô na expectativa. Depois do Superman e dos Aristogatas, a coisa só fluiu. Virei freqüentador. Ou "cliente", numa visão mais mercantilista.
Nessas horas, lembro do Cine Roma (na Azenha), que exibia os tops da época cerca de uma semana depois da estréia. E pela metade do preço.
Pára tudo para uma nota de redação: o autor deste texto agora vai mostrar que não cozinha na primeira fervura. Agora, podemos continuar.
No Roma, vi coisas como Caça-Fantasmas, Rambo 1, Comando para Matar, O Retorno de Jedi... Ia com os colegas de 1º Grau (meu pai amado... onde eu vou chegar?) nas matinês de domingo.
Lembro também do Marrocos, o cinema do meu bairro. Lá vi O Beijo da Mulher-Aranha e O Exterminador do Futuro. Ambos com censura 16 anos. E eu não tinha 16 anos...
Lembro também do Bristol, na Osvaldo Aranha. Era o cineclube de hoje, só que com freqüência diária. Só passava ciclos de uma semana. Numa delas, só passou filme do Hitchcock. Em outra, o tema era rock n'roll - lá pude ver The Song Remains the Same, do Led, e Pink Floyd - The Wall.
Por tudo isso, criei uma relação afetiva com a telinha. Ou melhor, a telona. Então, que venha o dia 13. Talvez eu até compre pipoca. Quem sabe um Bib's ou uma bala de goma.
sábado, 1 de março de 2008
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Diferentemente...
Correção - Não adianta. Jornalista e matemática não combinam. O blog fez 4 meses, e não 5 como eu havia dito em um post anterior. A informação incorreta foi calculada pelo próprio dono do blog.
Mutações

Entre 1 e 2 da manhã, ele levanta da mesa para ir ao banheiro. Deixar a mesa é um sacrifício. A cabeça já não está assim... tão no lugar. Um gole de cerveja como incentivo, e lá vai ele. Antes do Wanderlei Cardoso, um obstáculo: um gordinho de meia-idade e camisa social de cor clara está no meio do caminho com sua cadeira (meu pai, como é que a dona do bar não viu isso???!!!). De ladinho e beneficiado por um regime recente, ele passa incólume. Chega na porta estilo saloon. Os reflexos são mais lentos e, só depois de um tempo, percebe que acabou acertando a pleura de alguém com a tal portinha, naquele movimento de vaivém.
Finalmente, ele ingressa no ambiente fétido. Mas dois alguéns chegaram antes, um no mictório e outro no vaso sanitário. Enquanto aguarda, assobia, ao lado da porta estilo normal. De repente, ela se abre. O cabelo é curto e moreno. A jovem olha bem nos olhos dele. Em seguida, desvia o olhar para a placa na porta, que diz "masculino". Ela gira o pescoço e observa a outra porta lá fora: "feminino". Volta a mirar os olhos do incrédulo:
- Ahhhhh. Aqui é o dos rapazes...
A garota dá meia-volta. A porta se fecha. Direto da frente do vaso sanitário, o barbudo não se contém:
- Em noite de Mutantes, a gente não pode esperar menos do que isso.
***
O som é dos anos 60 e 70, mas parece atual. Pelo menos para os meus ouvidos. Deu para criar uma boa expectativa para as próximas amostragens do Jardim Elétrico (na foto divulgação lá de cima), que atacou só de Mutantes ontem à noite no Zeppelin. Baita repertório e baita instrumental (mas o tecladista ainda pode ousar mais, e a vocalista tem de perceber seus limites).
O melhor da noite: a Mila tava comportada.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Ah, esses humanos...
Já passei dos 30, mas não paro de aprender coisas. Desde a metade do ano passado, foram tantas... É bom isso, né? Saber que há surpresas na vida, que surgem situações em que você não sabe o que fazer. Tem mais: os erros aparecem, sim. Ninguém está imune. Eles estão aí para provar que somos humanos, somos falíveis.
Quer um exemplo recente? Então vou fazer uma confissão pública neste blog. Para ficar registrado nos anais...
Pois bem, aconteceu no final do ano passado. Quem me conhece sabe que tenho de exercer a posição de chefe. Aquele que manda, aquele que decide. E tive a oportunidade de chamar para trabalhar uma pessoa que eu não conhecia. A única referência que eu tinha era ter ouvido matérias dela na Rádio CDN. Volta e meia, eu não gostava de algumas coisas que ela fazia. Outras, sim. Mas acabei criando uma imagem negativa na minha cabeça. E isso foi protelando o tal chamado...
É difícil escrever isso sem sentir vergonha. Porque fiz um pré-julgamento. E, quase sempre, esse tipo de atitude não é legal. É bem passível de erro. Nesse caso, levei um belo tapa de luva. Pois descobri uma profissional com competência de sobra. Como se não bastasse, ela é uma grande pessoa. Será que alguém já a viu de mau humor? Tem alguém que não curta a presença dela por perto?
Ainda pergunto: tem como não sentir saudade? Não, né? Esse é o sentimento que vai ficar a partir desta sexta, quando essa menina deixa o convívio no trabalho e parte em busca da felicidade em Porto Alegre. Felicidade essa que ela nos trouxe enquanto esteve por perto. Agora, minha amiga, vá fazer outras pessoas felizes por aí. E sempre lembre que, por ser você mesma, fez um chefe rever seus conceitos, engolir sem água um pré-julgamento equivocado e aprender uma baita lição.
Agora, pelo menos, posso antecipar uma coisa, mas da qual tenho certeza: vamos sentir tua falta, Stefanie Silveira. Vai com Deus. E conosco no coração.
Quer um exemplo recente? Então vou fazer uma confissão pública neste blog. Para ficar registrado nos anais...
Pois bem, aconteceu no final do ano passado. Quem me conhece sabe que tenho de exercer a posição de chefe. Aquele que manda, aquele que decide. E tive a oportunidade de chamar para trabalhar uma pessoa que eu não conhecia. A única referência que eu tinha era ter ouvido matérias dela na Rádio CDN. Volta e meia, eu não gostava de algumas coisas que ela fazia. Outras, sim. Mas acabei criando uma imagem negativa na minha cabeça. E isso foi protelando o tal chamado...
É difícil escrever isso sem sentir vergonha. Porque fiz um pré-julgamento. E, quase sempre, esse tipo de atitude não é legal. É bem passível de erro. Nesse caso, levei um belo tapa de luva. Pois descobri uma profissional com competência de sobra. Como se não bastasse, ela é uma grande pessoa. Será que alguém já a viu de mau humor? Tem alguém que não curta a presença dela por perto?
Ainda pergunto: tem como não sentir saudade? Não, né? Esse é o sentimento que vai ficar a partir desta sexta, quando essa menina deixa o convívio no trabalho e parte em busca da felicidade em Porto Alegre. Felicidade essa que ela nos trouxe enquanto esteve por perto. Agora, minha amiga, vá fazer outras pessoas felizes por aí. E sempre lembre que, por ser você mesma, fez um chefe rever seus conceitos, engolir sem água um pré-julgamento equivocado e aprender uma baita lição.
Agora, pelo menos, posso antecipar uma coisa, mas da qual tenho certeza: vamos sentir tua falta, Stefanie Silveira. Vai com Deus. E conosco no coração.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
O blog
Confesso que estou impressionado com o "fazer blog". Quando comecei a escrever este que vocês estão vendo, não sabia bem o que queria. Só tava a fim de relatar o que eu não podia no meu trabalho diário. Depois de um tempo, o santaporto também passou a ser uma espécie de confessionário. E começou a refletir tudo o que eu vivia no mundo real, de carne-e-osso.
Passados cinco meses (fecharam no dia 21), releio algumas coisas que hoje parecem ridículas, mas que não apago porque não sou censor. Outras soam emocionantes, regozijam a alma. E tem umas que soam muito depressivas, mas, se isso fez parte da minha história, que fique lá.
Navegando em um mar de tranqüilidade agora, vejo que há dias não muito inspirados. Mas, se estou a fim de escrever, não vou me esconder na falta de criatividade. Sou o que sou, sou o que escrevo, e ponto.
O bacana é que isso é mais uma brincadeira de adulto na qual me meti. Que graça tem a vida se não continuarmos brincando? E a galera que brinca comigo está crescendo, como dá pra ver nos links aí do lado direito. Tudo jornalista. Todos criaturas imperfeitas, como eu. Todos irmãos.
Até quando? Até ter algo pra dizer e alguém pra escutar.
***
Quer saber mais sobre a origem dos blogs? Olha aqui.
Passados cinco meses (fecharam no dia 21), releio algumas coisas que hoje parecem ridículas, mas que não apago porque não sou censor. Outras soam emocionantes, regozijam a alma. E tem umas que soam muito depressivas, mas, se isso fez parte da minha história, que fique lá.
Navegando em um mar de tranqüilidade agora, vejo que há dias não muito inspirados. Mas, se estou a fim de escrever, não vou me esconder na falta de criatividade. Sou o que sou, sou o que escrevo, e ponto.
O bacana é que isso é mais uma brincadeira de adulto na qual me meti. Que graça tem a vida se não continuarmos brincando? E a galera que brinca comigo está crescendo, como dá pra ver nos links aí do lado direito. Tudo jornalista. Todos criaturas imperfeitas, como eu. Todos irmãos.
Até quando? Até ter algo pra dizer e alguém pra escutar.
***
Quer saber mais sobre a origem dos blogs? Olha aqui.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
A dinamicidade
Para quem trabalha em uma redação de jornal diário, TV ou rádio, a frase "está tudo tranqüilo" soa quase como uma maldição. Porque isso pode mudar em minutos. Um acidente, um assassinato, uma renúncia... Não dá para prever os fatos.
No último domingo, por exemplo. Tudo se encaminhava para que o jornal fechasse em, no máximo meia hora. Mas o telefone tocou. Do outro lado, a notícia: mais um morto em acidente. Era o quarto do fim de semana. Daí lá fui eu mudar minha página pronta, a manchete ganhou um número diferente, e mais uma hora e meia foi acrescentada à jornada do trabalho.
Não dá pra perder a calma, porque senão o processo de reconstrução da notícia fica mais demorado. Afinal, se o cara quer rotina, não é no jornalismo de hard news que ele vai se realizar.
O brabo é quando as coisas mudam não pelos acontecimentos, mas sim por fatores em que você não pode influenciar. Como a entrada de um anúncio em uma página, por exemplo. Repito: perder o controle ou se desesperar não adianta nada. Senão você carrega um monte de gente contigo pra lugar algum.
Enquanto estou escrevendo este post, ouço sirenes de bombeiros. O jeito é ligar pra eles e tentar dar um pouco de dinamicidade ao momento, já que todo esse papo tá meio sacal.
No último domingo, por exemplo. Tudo se encaminhava para que o jornal fechasse em, no máximo meia hora. Mas o telefone tocou. Do outro lado, a notícia: mais um morto em acidente. Era o quarto do fim de semana. Daí lá fui eu mudar minha página pronta, a manchete ganhou um número diferente, e mais uma hora e meia foi acrescentada à jornada do trabalho.
Não dá pra perder a calma, porque senão o processo de reconstrução da notícia fica mais demorado. Afinal, se o cara quer rotina, não é no jornalismo de hard news que ele vai se realizar.
O brabo é quando as coisas mudam não pelos acontecimentos, mas sim por fatores em que você não pode influenciar. Como a entrada de um anúncio em uma página, por exemplo. Repito: perder o controle ou se desesperar não adianta nada. Senão você carrega um monte de gente contigo pra lugar algum.
Enquanto estou escrevendo este post, ouço sirenes de bombeiros. O jeito é ligar pra eles e tentar dar um pouco de dinamicidade ao momento, já que todo esse papo tá meio sacal.
Segunda-feira

Segunda-feira, via de regra, é uma merda. O Garfield que o diga.
Mas não posso reclamar de hoje.
Refiz o contato com uma amiga de quem me afastei há muito, muito tempo. Isso não tem preço.
Estou me reaproximando de outra amiga. E eu achava que me afastar era melhor. Não, a distância nunca é alternativa entre amigos.
Falando em distância, uma amiga que está longe geograficamente, mas perto do coração, só teve notícias ótimas nos últimos dias, principalmente hoje. Isso depois de uma fase punk. Então, comemoro junto.
Pra ficar completo, só faltava largarem dinheiro na minha porta. Ou a Scarlett Johansson tocar a campainha. Quem sabe na próxima segunda...
Mas não posso reclamar de hoje.
Refiz o contato com uma amiga de quem me afastei há muito, muito tempo. Isso não tem preço.
Estou me reaproximando de outra amiga. E eu achava que me afastar era melhor. Não, a distância nunca é alternativa entre amigos.
Falando em distância, uma amiga que está longe geograficamente, mas perto do coração, só teve notícias ótimas nos últimos dias, principalmente hoje. Isso depois de uma fase punk. Então, comemoro junto.
Pra ficar completo, só faltava largarem dinheiro na minha porta. Ou a Scarlett Johansson tocar a campainha. Quem sabe na próxima segunda...
Mania de fotógrafo
Olho uma cena e fico imaginando que tipo de foto ela daria. Se estou de máquina na mão, clico. Caminho para um lado, caminho para outro lado, e experimento. Por alguns instantes, não ouço nada, só enxergo. E tudo não passa de uma grande brincadeira do seu olhar.Gostaria de brincar mais, não ficar limitado a uma câmera digital estilo "cybershot". Mas assim mesmo já me divirto. E já ganhei elogio até do Charles W. Guerra, que me ensinou pra caramba. Baita fotógrafo e boa gente. Vai aqui minha homenagem, com algunas fotos do final de semana em Imbé (exagerei: foram só 15 horas de praia no sábado. E 12 horas de estrada e assentos em ônibus. E 9 horas de trabalho no domingo). Aí em cima, a figura de quem estou falando, ao lado de outra grande pessoa, a Lídia. Ah, a foto também é minha.
Só não consigo fechar o foco numa imagem de mim mesmo. Afinal, onde está a linha do meu horizonte? Deve ser só um probleminha na lente, fácil de resolver. É só concentrar. Como disse Cartier-Bresson, "fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração".
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Cerveja quente, jogo idem
46 minutos do segundo tempo. O juiz já havia sinalizado que o jogo iria até os 48. Segundos antes, o meia-atacante Jean Michel, do Inter-SM, tinha driblado uns quatro jogadores e conseguido um escanteio. Do lado direito de ataque, o meia chiquinho levantou a bola, que cruzou toda a área e encontrou o zagueiro Weber no segundo pau. Inter-SM 1 x o São José, de Porto Alegre. Liderança.
Hora de subir no alambrado e jogar em alguém a Bavária quente (R$ 2,50 a latinha!) que adormece no copo de plástico. Num dos cantos do Estádio Presidente Vargas, a charanga detona o som. Trumpete, trombone, tuba, clarim, bumbo e outros instrumentos desfilaram pérolas como Bandeira Branca, Mal-Acostumado, As Águas Vão Rolar, Trem das Onze... Com direito a partitura. Show de bola.
Estádio lotado, juiz com uma atuação à altura de muitos palavrões, fila na entrada, banheiro podre. Estava tudo lá. Chinelagem nível 5 estrelas.
Se Deus quiser, a gente "vamos" conseguir mais resultados positivos. Nós só fizemu aí o que o "professor" pediu. E a torcida tá de parabéns, é muito "hospitalar".
Hora de subir no alambrado e jogar em alguém a Bavária quente (R$ 2,50 a latinha!) que adormece no copo de plástico. Num dos cantos do Estádio Presidente Vargas, a charanga detona o som. Trumpete, trombone, tuba, clarim, bumbo e outros instrumentos desfilaram pérolas como Bandeira Branca, Mal-Acostumado, As Águas Vão Rolar, Trem das Onze... Com direito a partitura. Show de bola.
Estádio lotado, juiz com uma atuação à altura de muitos palavrões, fila na entrada, banheiro podre. Estava tudo lá. Chinelagem nível 5 estrelas.
Se Deus quiser, a gente "vamos" conseguir mais resultados positivos. Nós só fizemu aí o que o "professor" pediu. E a torcida tá de parabéns, é muito "hospitalar".
Naked nick
Olha só que idéia sensacional minha amiga Lo teve para o blog dela: fazer um apanhado dos nicks do MSN dela. Dá cada coisa... Confere aqui.
Eu já me vi mesmo comentando "ah, é, eu vi no MSN dele" ou, de tão curioso, perguntei pra pessoa o que ela queria dizer com certo nick. O curioso é que, às vezes, aquele pedacinho de frase quer dizer tanta coisa... denota tanta sinceridade...
Eu já me vi mesmo comentando "ah, é, eu vi no MSN dele" ou, de tão curioso, perguntei pra pessoa o que ela queria dizer com certo nick. O curioso é que, às vezes, aquele pedacinho de frase quer dizer tanta coisa... denota tanta sinceridade...
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Ser chinelo
Tenho meu lado chinelão. Não no sentido pejorativo. Não costumo ser grosseiro, não faço falcatruas por aí, não assalto nem fico arrotando na hora do almoço.
O fato é que me adapto às diversas situações, por piores que sejam. E não tenho medo das "roubadas", afinal, trato todo mundo de igual para igual. Quem sou eu pra ter preconceito?
Tem a ver com minha criação. Desde pequeno (tá bom, não cresci muito), meus pais sempre me deixaram fazer o que quisesse, sem encher o saco. Quando abusei da confiança, fiquei de castigo. Como na vez em que, depois da formatura da 8ª série, tomei um porre de cerveja. Um porre é modo de dizer, porque, se lembro bem, acho que foram uns dois copos. Resumo da ópera: meu pai foi me encontrar em algum lugar do bairro, meio sem rumo. Aquele dia eu não apanhei por pouco.
Outra vez fui dar uma de esperto e cometi um pequeno delito. Invadi (pulei uma cerquinha de madeira) uma escola municipal perto de casa. Tentei furtar giz de uma sala de aula. A janela estava quebrada e, na hora de enfiar o braço, cortei embaixo do sovaco. Como se não bastasse, na saída, um cachorro me mordeu. Foi ali que aprendi que o crime não compensa.
Mas, voltando à chinelagem... Ainda na minha infância, morei um tempo na casa da vó, no bairro Partenon. Fica bem do lado da Vila Maria da Conceição, de onde tive vários parceiros. Nunca fui rico, mas também não servia pra miserável. Naquela época, eu já aprendi bem a conviver com as diferenças, a dividir o que sem tem, a saber a "língua" de cada lugar, de cada ambiente.
Hoje, em determinadas reportagens que vou fazer, uso isso a meu favor. Se precisar, falo "e pá e pum, dusmeu" sem soar falso. Ainda no quesito "sou chinelo": gosto de andar de ônibus ou a pé, vou a futebol na parte mais fuleira do estádio, adoro uma pauta "nas bocada", prefiro os bares mais vagabundos, não sambo mas aplaudo e gosto de mulher que bebe.
E não é que ser chinelo me fez até tomar um atraque da polícia esses dias? Foi em Florianópolis. Estava indo de bus para o Centro e tive de descer, botar a mão na parede, abrir as pernas e ser "examinado" por um policial militar. Eu não passava por uma revista fazia um tempo. Das outras vezes, também foi chinelagem: quando eu bebia cerveja e comia amendoim na Osvaldo Aranha, em Porto Alegre; e quando eu voltava do "som do domingo" do Glória Tênis Clube, no Partenon. Engraçado é que nunca tomei atraque quando morei no Menino Deus. Será que é porque é um bairro "classe média-alta"? Que dúvida...
Todo esse papo é pra dizer que amanhã é dia de chinelagem da boa. Interzinho e Zequinha, na Baixada, oito e meia da noite. Eu e o Maurício (dono do blog que tem um link aí do lado) vamu tomar cerveja Colênia, xingar o juiz, o bandeirinha e os jogadores, subir no alambrado e voltar pra casa chutando lata. Se sobrar tempo, vale dar uma acompanhada no jogo, ouvindo o meu radinho que só está funcionado por causa de um band-aid salvador.
P.S.: uma das chinelagens mais sensacionais que escutei foi a de uma pessoinha que pediu dinheiro emprestado pro dono de um bar para beber em outro bar, já que aquele tava fechando. A outra, eu vi: uma certa menina que chutou a bunda de um verdureiro em plena Avenida Rio Branco, em Santa Maria, com o dia amanhecendo. Sem falar no colega que mijou no All Star do parceiro, numa certa madrugada, em Minas do Camaquã. Esses são chinelos de fé. Sabem o prazer de uma chinelagem.
O fato é que me adapto às diversas situações, por piores que sejam. E não tenho medo das "roubadas", afinal, trato todo mundo de igual para igual. Quem sou eu pra ter preconceito?
Tem a ver com minha criação. Desde pequeno (tá bom, não cresci muito), meus pais sempre me deixaram fazer o que quisesse, sem encher o saco. Quando abusei da confiança, fiquei de castigo. Como na vez em que, depois da formatura da 8ª série, tomei um porre de cerveja. Um porre é modo de dizer, porque, se lembro bem, acho que foram uns dois copos. Resumo da ópera: meu pai foi me encontrar em algum lugar do bairro, meio sem rumo. Aquele dia eu não apanhei por pouco.
Outra vez fui dar uma de esperto e cometi um pequeno delito. Invadi (pulei uma cerquinha de madeira) uma escola municipal perto de casa. Tentei furtar giz de uma sala de aula. A janela estava quebrada e, na hora de enfiar o braço, cortei embaixo do sovaco. Como se não bastasse, na saída, um cachorro me mordeu. Foi ali que aprendi que o crime não compensa.
Mas, voltando à chinelagem... Ainda na minha infância, morei um tempo na casa da vó, no bairro Partenon. Fica bem do lado da Vila Maria da Conceição, de onde tive vários parceiros. Nunca fui rico, mas também não servia pra miserável. Naquela época, eu já aprendi bem a conviver com as diferenças, a dividir o que sem tem, a saber a "língua" de cada lugar, de cada ambiente.
Hoje, em determinadas reportagens que vou fazer, uso isso a meu favor. Se precisar, falo "e pá e pum, dusmeu" sem soar falso. Ainda no quesito "sou chinelo": gosto de andar de ônibus ou a pé, vou a futebol na parte mais fuleira do estádio, adoro uma pauta "nas bocada", prefiro os bares mais vagabundos, não sambo mas aplaudo e gosto de mulher que bebe.
E não é que ser chinelo me fez até tomar um atraque da polícia esses dias? Foi em Florianópolis. Estava indo de bus para o Centro e tive de descer, botar a mão na parede, abrir as pernas e ser "examinado" por um policial militar. Eu não passava por uma revista fazia um tempo. Das outras vezes, também foi chinelagem: quando eu bebia cerveja e comia amendoim na Osvaldo Aranha, em Porto Alegre; e quando eu voltava do "som do domingo" do Glória Tênis Clube, no Partenon. Engraçado é que nunca tomei atraque quando morei no Menino Deus. Será que é porque é um bairro "classe média-alta"? Que dúvida...
Todo esse papo é pra dizer que amanhã é dia de chinelagem da boa. Interzinho e Zequinha, na Baixada, oito e meia da noite. Eu e o Maurício (dono do blog que tem um link aí do lado) vamu tomar cerveja Colênia, xingar o juiz, o bandeirinha e os jogadores, subir no alambrado e voltar pra casa chutando lata. Se sobrar tempo, vale dar uma acompanhada no jogo, ouvindo o meu radinho que só está funcionado por causa de um band-aid salvador.
P.S.: uma das chinelagens mais sensacionais que escutei foi a de uma pessoinha que pediu dinheiro emprestado pro dono de um bar para beber em outro bar, já que aquele tava fechando. A outra, eu vi: uma certa menina que chutou a bunda de um verdureiro em plena Avenida Rio Branco, em Santa Maria, com o dia amanhecendo. Sem falar no colega que mijou no All Star do parceiro, numa certa madrugada, em Minas do Camaquã. Esses são chinelos de fé. Sabem o prazer de uma chinelagem.
***
Em tempo: a foto aí de cima eu tirei em Jaguaruna (SC), na casa dos pais da Fernanda. O chinelo, no caso, é do Charles. E a estrela da foto é uma cadelinha véia, que tem obsessão por chinelos. Depois que ela rouba um, você só consegue pegá-lo de volta sem levar mordida usando um cabo de vassoura.
Ela é craque

Faz horas que não ouço notícias animadoras sobre meu time. Não faz muito, demitiram um técnico que não perdeu nenhuma partida. E ainda vão ter de indenizá-lo por isso.
Até agora, a melhor contratação do ano está na torcida, como vocês podem ver na foto acima do Ricardo Duarte, o Maionese, da Zero Hora. Tudo bem que a Deborah Secco é par daquele pereba do Roger, mas ninguém é perfeito.
Uma enquete: que diabos de gesto ela tá fazendo? A garota pensa que é o Romário?
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Sem rima, sem métrica, sem estilo
Alguém abriu a porta do coração
E levou a chave embora
Agora está tudo aberto
Todos entram e saem a qualquer hora
Esses dias, até teve festa
E entrou madrugada adentro
Ainda bem que há porteiros
Que barram alguns penetras
O ódio, por exemplo, ficou com raiva
O amor deu de ombros
Bêbado, o afeto fez cena
E a sinceridade disse tudo
No fim, a alegria estourou champanha
E a felicidade beijou o carinho
Para a decepção do altruísmo
Pior é que não adianta pedir pra saírem
Eles são espontâneos demais para isso
A sorte é que o esforço faz a faxina
E levou a chave embora
Agora está tudo aberto
Todos entram e saem a qualquer hora
Esses dias, até teve festa
E entrou madrugada adentro
Ainda bem que há porteiros
Que barram alguns penetras
O ódio, por exemplo, ficou com raiva
O amor deu de ombros
Bêbado, o afeto fez cena
E a sinceridade disse tudo
No fim, a alegria estourou champanha
E a felicidade beijou o carinho
Para a decepção do altruísmo
Pior é que não adianta pedir pra saírem
Eles são espontâneos demais para isso
A sorte é que o esforço faz a faxina
Nenhum país para homens de idade

O título acima é uma tradução mais fidedigna para No Country for Old Men, novo filme do irmãos Joel e Ethan Coen (de Fargo), que está bem cotado para levar alguns Oscar. Mas os marqueteiros da distribuidora brasileira resolveram chamá-lo de Onde os Fracos Não Têm Vez, como se ele fosse um faroeste, quando, na verdade, é uma negação desse gênero.
O cenário até pode ser semelhante: grandes planícies, desertos, cidades na fronteira com o México. Mas paramos por aí. A história é centrada em três personagens que praticamente não se encontram. E que não se encaixam na sociedade americana do início dos anos 80.
O xerife Bell (Tommy Lee Jones, em piloto automático), por exemplo, é muito mais reflexão do que ação. Veterano no cargo e seguindo uma linhagem familiar de homens da lei, ele procura razões para a violência de seus dias atuais e usa a ironia para espelhar um momento do país:
- Eles não gostam de comida mexicana - responde o xerife, ao ser perguntado por seu assistente sobre o porquê de os coiotes não terem aparecido para devorar os cadáveres de traficantes mortos depois de uma troca de tiros, no meio do deserto.
O "mocinho" do filme, se é que podemos chamá-lo assim, é o soldador aposentado Llewelyn Moss (Josh Brolin, de grande atuação), que vive num trailer com a mulher e tem a caça como passatempo. Pois é numa dessas idas ao deserto, de espingarda na mão, que ele desencadeia a ação que move o filme. Sem tomar conhecimento do bando de traficantes mortos na planície, ele pega uma mala com 2 milhões de dólares. Fibra moral? Zero.
No encalço dele (a mala tem um aparelho de rastreamento), está Anton Chigurh (Javier Bardem, de cabelo-tigela-Channel, a melhor coisa do filme), que age como um psicopata, matando a granel. É ele o responsável pelo rastro de sangue mostrado na história e por algumas das cenas mais violentas que o cinema já viu.
Junte esses três outsiders e acabe com o sonho americano. Junte os irmãos Coen e você tem um filme mostrando que, na verdade, os fracos tomaram conta dos Estados Unidos. Fotografia de primeira (preste atenção nos planos, vale a pena), roteiro bem conduzido (é a primeira adaptação da carreira dos irmãos) e atuação antológica de Javier Bardem. Nem precisa levar algum dos 8 Oscar a que está indicado.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Carvalho que fica de pé

Fazia tempo que não via Beth Carvalho ao vivo. Até porque não ando vendo TV. Mas vamos ao que interessa: Beth Carvalho Canta o Samba da Bahia é sensacional. Eu achava que ela não rodava mais à baiana. E fez um DVD em que pega a nata do samba baiano, junta um punhado de convidados de peso (Gil, Nelson Rufino, Riachão, Bethania, Caetano, Margareth Menezes, Olodum, entre outros, e com direito a uma aparição de Dorival Caymmi no telão) e põe muita emoção. Você pode até dizer que, com o repertório que ela escolheu, fica fácil agradar. Mas, para quem não é bamba, também não era difícil perder o rumo.
Dá licença, porque é a Beth Carvalho. Acabei de me dar conta que ouço essa mulher desde criança. E ela continua cantando pra mim.
"A tristeza é senhora,
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura,
a noite e a chuva que cai lá fora
Solidão apavora,
tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece,
no quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora
O samba ainda vai nascer,
O samba ainda não chegou
O samba não vai morrer,
veja o dia ainda não raiou
O samba é o pai do prazer,
o samba é o filho da dor
O grande poder transformador"
(Desde que o Samba é Samba, do Caetano. Ele e Beth cantam essa juntos no DVD)
Dá licença, porque é a Beth Carvalho. Acabei de me dar conta que ouço essa mulher desde criança. E ela continua cantando pra mim.
"A tristeza é senhora,
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura,
a noite e a chuva que cai lá fora
Solidão apavora,
tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece,
no quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora
O samba ainda vai nascer,
O samba ainda não chegou
O samba não vai morrer,
veja o dia ainda não raiou
O samba é o pai do prazer,
o samba é o filho da dor
O grande poder transformador"
(Desde que o Samba é Samba, do Caetano. Ele e Beth cantam essa juntos no DVD)
***
Aproveito o post pra dar uma dica. Quer comprar DVD barato em Porto Alegre? Dá uma olhada nos Classificados de domingo de Zero Hora, na última página do caderno Produtos e Serviços. Ali tem uns anúncios de umas revendas que fazem promoções e abrem todos os dias da semana. Neste final de semana, tinha uma vendendo tudo a R$ 7! Nem sempre você acha tudo o que procura, mas sempre dá para encontrar algo que não estava procurando. O segredo é que muitos filmes são semi-novos, vendidos por locadoras para essas revendas. Dá uma olhada no disquinho (pode ate pedir pra testá-lo), pra ver se não tem arranhões, e vai com fé. Não me decepcionei até agora. Nesse fim de semana, por exemplo, comprei um Assim Caminha a Humanidade (2 DVDs) por R$ 10.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Fuso horário

Até o final do mês, pelo menos quatro dias por semana, estou indo trabalhar de manhã. Não sou de acordar tarde (salvo aqueles dias pós-pé-na-jaca), mas uma coisa é acordar espontanemente, outra é ser obrigado.
A melhor coisa de começar cedo é depois poder sair com o sol no rosto. Por isso, decretei: não passo das 6 da tarde no trampo. Isso que já é uma jornada longa, pois começo lá pelas 9h, parando no almoço e nas sessões de nicotina.
"Descobri, sem querer, a vida". E agora quero aproveitá-la. E quero ter tempo pra contar isso tudo.
***
Na foto acima, o amanhecer de sexta, visto da janela da sala. Mais tarde, vieram o calor, a chuva e um furacão baiano.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Mira que loco!



O sábado foi de emoções fortes e experiências novas. Conheci Rivera, na fronteira do Uruguai com a Argentina. Tinha como parâmetro Ciudad del Este, no Paraguai, mas a cidade vizinha a Santana do Livramento é bem diferente enquanto centro de compras. É bem mais limpa, mais organizada e os produtos, aparentemente, são bem melhores.
Primeiro, é bom ir com tempo. Porque, como em toda compra que se vai fazer, a pesquisa é fundamental. Ao visitar as várias lojas espalhadas por meia dúzia de quadras, comece perguntando a cotação do dólar em relação ao real. Isso faz diferença. Dá uma variação que pode ir a R$ 1,73 a mais de R$ 1,80. Ah, e leve calculadora, papel e caneta. Anote tudo o que puder numa visita prévia e só compre depois de andar muito e pesar prós e contras.
Em Rivera, há uma certa bagunça organizada. Numa primeira visão, o cara fica meio perdido para saber que loja venda o quê. Isso nunca é muito claro. Há os free shops que têm de tudo um pouco, mas também há locais que só vendem calçados ou produtos alimentícios, por exemplo.
Nas ruas, assim como no Brasil, há camelôs e ambulantes. A tônica dominante é a venda de garrafas térmicas, mas também são vistas crianças vendendo meias e DVDs piratas.
A parte de alimentação é um caso à parte. Come-se muito bem, especialmente no quesito das carnes. E bebe-se bem, porque a maioria das cervejas uruguaias é sensacional.
Mas nem tudo que reluz é ouro. Deve-se ter cuidado com as marcas-diabo. E roupas e óculos escuros, por exemplo, não estão muito em conta. Em compensação, eletroeletrônicos, coisas para casa & cozinha, produtos de higiene pessoal e alimentos em geral são muito baratos.
Se você tem compulsão por compras, é melhor não ir. Ou se prepare para gastar, porque a tentação é grande. E não se preocupe com a língua. Tudo se resolve num portunhol básico, e também há brasileiros de sobra trabalhando lá.
Só não descobri se estão vendendo até a mãe, porque não encontrei nenhuma nas vitrines. Talvez seja porque faltou tempo.
"Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando
Gracias a la vida,que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida
(trecho de Gracias a la Vida, de Violeta Parra)
A de amor, B de baixinho...

Sou todo sentimento, mesmo. Amo várias coisas, várias pessoas. E não me afasto mais de quem eu gosto. Houve uma época em que, quando estava triste, ia para um cantinho e ficava só. Hoje, não. Procuro ir atrás dos meus amigos.
Por conta de um monte de coisas que aconteceram no último ano, mudei bastante. Hoje em dia, as emoções afloram. Se ouço uma história triste ou vejo uma imagem comovente, choro. Se sou bem recebido na volta de uma viagem, fico com os olhos marejados. Se meus amigos estão se divertindo por conta de alguma coisinha que eu fiz, vem mais emoção. Como no sábado. Ver a galera na chalaça total por conta de algumas músicas que gravei não tem preço. Confesso: cheguei a chorar de alegria. Pô, valeu a pena ter dormido apenas duas horas só pra gravar uns CDs. Foram algumas horas só pensando nos outros. A recompensa veio.
Amor, amor e mais amor. É o que me move atualmente. Amor pelo que eu faço, pelo que eu escrevo, por quem partiu, por quem está ao meu redor, por quem já não está tão próximo assim. E por festas como a de sábado. Pela foto aí de cima dá pra ter uma idéia da diversão. O aniversário era triplo: da Carol, da Bruna e do Charles. E a emoção seguiu essa proporção. Obrigado, gente. Quero mais dessa endorfina.
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