quarta-feira, 30 de abril de 2008

Pau-ferro


"Has he lost his mind, can he see or is he blind..." Saí do cinema com a música do Black Sabbath na cabeça. Foi mais ou menos assim: me senti um pouco adolescente depois de ver o Homem de Ferro. Primeiro, é um espetáculo visual. Os efeitos especiais são perfeitos para as cenas de ação no solo ou nas alturas. Sensacional a cena em que ele é perseguido por dois caças.

Segundo, é baseado em uma história em quadrinhos da Marvel que nunca havia ganho uma chance de chegar às telas. E olha que o Iron Man já tem mais de 40 anos. É do tempo da Guerra Fria.

Mas o herói não chega enferrujado ao século 21. Ganha atualidade com a história (meio boba, vamos combinar) do milionário que, depois de ser capturado e conseguir escapar de guerrilheiros afegães, resolve sair voando por aí numa armadura vermelha e dourado. A aventura faz com que ele repense a indústria de armas da família.

Moralista como pode ser, mas com um toque legal de canalhice, injetado por Robert Downer Jr. (aquele que teve problemas com drogas, mas que um dia já foi Chaplin). Pois não é que ele exala ironia (e bem)? Ao lado de Jeff Bridges (o vilão careca, quase irreconhecível), é um dos destaques do filme.

Para fechar na boa, Iron Man do Sabbath. Não dá para esquecer que lá, bem no início, tem Back in Black, do AC/DC. Diversão heavy metal do começo ao fim. Custou R$ 4 voltar aos 15 anos por duas horas. Bem mais barato que uma aplicação de Botox.


***


Última sessão do Iron Man em Santa Maria. Estréia mundial. Lotadaça. Fila do Gargarejo. Pipoca. Bib's. Peguei na mão dela. Público comportado. Meia-entrada. 2 elevadores. Celulares quietos. Evolução. Luz, câmera, ação.

Chegou a hora

Tem dias em que você termina o dia de trabalho se sentindo um lixo. Acordou cedo, tentou facilitar a vida de todo mundo, não foi mal-educado com ninguém, esforçou-se etc etc etc. Mas, no final das contas, não adiantou nada. Em alguns segundos, vem alguém e, como se você não valesse nada, despreza parte do que foi feito, sem nem dar satisfação.
É nessas horas em que você se pergunta se é isso mesmo que quer na vida. Claro que há os momentos felizes. Mas certos instantes levam tão para baixo que apagam tudo de positivo. E esses são mais difíceis de curar.
Ou mudam os outros ou muda você. Como é mais fácil a mudança singular, chegou a hora de pensar nela. Senão vai haver uma hora em que o fundo do poço está bem mais perto do que a superfície.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Não sei nada!

Depois de fazer uma reportagem sobre blogs, fiquei angustiado. Cada vez leio mais coisas sobre o assunto e percebo que, na verdade, sei muito pouco. Aliás, aprendi várias coisas fazendo essa matéria, conversando com blogueiros e, claro, olhando os blogs dos outros.
O santaporto, na verdade, é uma chinelagem perto do que tem por aí. É uma formiguinha. Para me tornar alguém na blogosfera, vou ter de ralar muito.
Mas, pelo menos, sei que este blog motivou muitas pessoas a fazerem o seu. Ele também me inspirou a fazer uma reportagem para a Revista Mix, a primeira depois de quatro anos e meio de Diário de Santa Maria. Já são alguns pontos a considerar.
Esse trololó é para contar que pretendo me dedicar ao assunto, academicamente falando. Não só aos blogs, mas aos novos formatos de comunicação em geral. Até coloquei uns links novos aí do lado, para compartilhar com os visitantes. Façam bom proveito e dividam comigo suas dúvidas e descobertas. Quem sabe assim fico menos angustiado.

domingo, 27 de abril de 2008

Até na testa

Ano passado, por uma série de coincidências e imprevistos, acabei interrompendo um sábado de descanso para virar repórter. A pauta era a campanha nacional de vacinação contra a paralisia infantil. Aquela coisa de sempre. A única quebra de rotina foi uma cover da Xuxa em um posto de saúde. Ela até assustava algumas crianças, mas não deixava a desejar em animação...
Entra mãe, sai filho, gotinhas para lá, choros para cá... Nada extraordinário. Até que uma enfermeira faz uma proposta:
- Vocês não querem tomar uma vacina contra a gripe?
A proposta era para mim e para o fotógrafo Claudio Vaz. Até brinquei:
- Mas, bá, pode aplicar até aqui na testa.
Claro que a enfermeira não riu. Afinal, a piada era ruim e velha. Mas eu tenho certeza que, no seu rosto, havia um sorriso sádico no momento em que meu braço estava nu, à espera da picada. Não fiz escarcéu. Talvez por isso ela tenha ficado um pouco decepcionada...
Faltava ainda um mês e pouco para o fim do inverno. Depois disso, gripe nunca mais. Apesar de eu não ter chegado aos 60 anos (meu figado, talvez), posso até dar depoimento na TV, a favor da vacina. Ela funciona!
Lembrei dessa história porque estou há dois dias com o nariz fungando, tossindo e com dores pelo corpo. Não sei se tenho febre, pois termômetro é uma coisa ausente da minha casa. Enfim, uma maldita gripe me enganou, me atacou antes do inverno. Felizes são os velhinhos que ainda não foram atacados por esse vírus sorrateiro e puderam se prevenir com a campanha de vacinação deste ano, que começou no sábado.
E quanto a mim? Agora, só me resta a Coristina, o Melagrião e a cama. Assim que esse mal-estar for embora, vou tomar aquela injeção de novo. Quanto mais sádica for a enfermeira, melhor. E, se for na testa, não tem problema.

Tempo frio, cores quentes





Se você estava de ressaca no sábado de manhã, em Santa Maria, perdeu esse amanhecer... Como sou um rapaz estudioso, levantei cedo e resolvi socializar essa visão com esse pessoal que afunda o pé na jaca ou vai dar risada no César Menotti & Fabiano.



***


Em tempo: peço desculpas àqueles que visitam este blog pela ausência durante uma semana. É que, com tanta coisa para estudar e escrever, não deu. Mas tudo voltou ao normal agora.

sábado, 26 de abril de 2008

Sem passar despercebido

Lance Luiz Roese entre aspas no Google e você vai descobrir que eu fiz reportagens sobre acidentes, operações policiais, treinamento da Brigada Militar, rebaixamento do Guarani de Bagé e sobre o leão que atacou um menino no circo e foi eletrocutado (esta a de mais aparições no buscador), entre outras. Ainda dá para achar uma foto que eu fiz quando estava na faculdade e descobrir que eu sou fã de Nei Lisboa e trabalho no Diário de Santa Maria. Para completar, o Google revela que eu moro em Santa Maria e tenho este blog (que, por sua vez, mostra muito sobre mim).
Já os que sabem meu nome completo podem descobrir o tema da minha monografia no Jornalismo da UFRGS (e quando eu a defendi) e ainda que eu fui selecionado para uma especialização na Unifra.
É de assustar que, só pelo Google, seja possível descobrir tanta informação sobre mim. Se juntar com o Orkut, então... Ou seja, não posso mais desaparecer, pelo menos virtualmente. Não vejo prestígio em ser citado cerca de 200 vezes no site...
É um reflexo do momento atual. Cada vez mais temos menos privacidade. Se quisermos viver em sociedade, é indespensável ter celular e e-mail. E ambos podem ser monitorados. Nas ruas, temos câmeras. E, na Internet, quase toda uma vida revelada. É o preço que se paga por fazer parte de uma comunidade. Seja ela real ou virtual. Assim que funciona: Big Brother ou exclusão. O que você prefere?

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Dá lucro, sim

Ter alguém ao lado é um sistema não-capitalista. Você faz trocas: de idéias, de carinhos, de momentos, de segredos, de idéias, de prazer, de sentimentos... E, no final das contas, dá muito lucro.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Vem aí uma decisão


Não lembro exatamente quem era o adversário. Só recordo de um domingo meio frio e chuvoso. E não fui nem para as arquibancadas, ocupei um lugar nas cabines de imprensa do Presidente Vargas, para fazer companhia ao repórter Carlos Ferreira. Isso faz uns três anos.

Que choque de realidade! O estádio, praticamente vazio. O gramado, um potreiro. E o jogo? Bah, sem comentários. Chutão prá lá e prá cá. Zero lance de brilho. Confesso que me decepcionei e pensei em nunca mais voltar. Parte importante: o Inter-SM ganhou. E continui freqüentando a Baixada Melancólica (no início, pensei que o estádio era apelidado assim por causa do nível futebolístico, mas não, tem relação com a proximidade do Cemitério Ecumênico).

De lá para cá, tudo mudou. Agora, as arquibancadas lotam, o gramado deixa a bola rolar tranqüilamente, e o nível futebolístico é incomparável à perebice de outrora. Só uma rotina continua: ao acompanhar o jogo no estádio, nunca, mas nunca mesmo, vi o Interzinho perder. Se a escrita for mantida, a presença do time de Santa Maria na final do Gauchão está garantida.

Claro que agora o nível de exigência é bem maior. E é difícil continuar como pé-quente para sempre. Mas, pelo menos neste domingo, dá para acreditar que nada vai mudar. Pelo menos no jogo contra o Juventude. Basta um empate. Os deuses do futebol não seriam tão travessos assim.

Para o time que me deu a oportunidade profissional de escrever uma crônica de jogo e manteve o meu deleite de freqüentar um estádio de futebol (como já escrevi aqui), minha homenagem e minha torcida. Para os supersticiosos, uma certeza: estarei lá no domingo (o Maurício, que não fica prá trás em matéria de "pé-quentismo", também).

terça-feira, 15 de abril de 2008

Espirito libertário

Dá para dizer, sim, que esse blog mudou minha existência. Pra mim, é um deleite escrever sobre qualquer assunto. E o santaporto me deu esse espaço.
Como tá no meu perfil, sou jornalista. Logo, sou pago para escrever. Mas a profissão não se resume a colocar as linhas no papel. Não vou nem falar no fato de que o cara pode ser de TV ou de rádio e passar sua mensagem somente com a voz ou com o gestual + voz. Mesmo trabalhando em um jornal, existem dezenas de funções que não são relacionadas diretamente ao trabalho de produzir um texto.
Sem falar nos limites. Como empregado assalariado, há regras a seguir. Em um veículo de comunicação de massa, a mensagem tem de atingir um público médio, que até pode se ofender com o que eu escrevo aqui. Ou achar tudo uma grande babaquice, um instrumento de megalomania.
Por isso, valorizo essa liberdade textual. E me sinto muito bem com ela. Esse é o espírito dos blogs. O santaporto, por exemplo, tem diário, resenhas culturais, fotos, recados para os amigos e, até, desabafos.
Ao fazer uma pesquisa em blogs de Santa Maria, deuuma certa felicidade ao ver que muita gente anda se libertando das amarras e colocando um pedaço de si para o mundo. Tem de tudo. Da vovó que coloca poesias e fotos à adolescente que dá opiniões firmes sobre o que enxerga. Daos professores que criaram um canal de ligação com seus alunos às artesãs que vendem chaveiros ou bonecas. Exposição pura e, acredito, sinceridade. Construções individuais que formam um coletivo sem homogeneidade, com diversidade.
Até onde isso vai, não sei. Se é uma moda, também não consigo dizer. Mas é um retrato do nosso tempo. E sem censura, o que é o mais importante. Se você não gosta de alguns blogs (ou até deste), tem o direito de criticar. Assim como quem os faz tem o direito de não ligar para o que você acha. Liberdade é assim mesmo.


Em tempo: pra não dizer que tem blog de tudo, olha essa chalaça aqui.

domingo, 13 de abril de 2008

Amigos para sempre

Em apenas duas semanas, pelo Orkut (e eu que falava mal dele...), encontrei duas amigas que foram muito importantes na minha vida, a Gisleine e a Luciane. As duas, em épocas diferentes, dividiram a sala de aula comigo. Nem foi tanto tempo assim, mas valeu para a vida toda.

A Luciane foi minha parceirona, um ombro amigo que me consolava e me animava. Ela sempre me ajudava (ou tentava) a fazer meu lado com as gurias de quem eu gostava. E aprontamos muita coisa juntos... Mesmo quando ela saiu da Azenha prá morar com uma tia em Teresópolis e já não éramos mais colegas, ainda mantivemos contato por um tempo. E, durante anos, ficava sabendo das notícias pela mãe dela, que cortava o meu cabelo.

A Gisleine morava a umas duas quadras da minha casa. E sempre voltávamos a pé da escola. Muito mais do que minha primeira paixão, ela se tornou uma grande amiga. Mesmo depois que a Gilseine se foi de Porto Alegre, trocamos cartas por algum tempo. Cartas, acredita? Era uma era pré-internet. E até hoje guardo aquelas correspondências. Que podem ser inocentes, mas de fundamento.

A sensação desse reencontros, mesmo que eles sejam ainda virtuais, é indescritível. A Luciane e a Gisleine tiveram grande significado na minha vida e saber que elas estão bem é sensacional. Que alegria vocês me deram, amigas! E como é bom, 20 anos depois, ainda podê-las chamar assim.

Testando limites

É uma peça de teatro, mas não há palco nem platéia. Em Provokações - Labrinto Teatral, os protagonistas são alunos do curso de Iniciação Teatral da Escola de Artes Eduardo Trevisan (Emaet), mas o espectador também acaba virando ator.
Você entra dentro de um cenário e passa por situações incomuns, interagindo com os verdadeiros atores. O lance é acompanhar o trajeto em uma espécie de labirinto com objetos, tecidos, teias e sons. Ao longo da trajetória de perfomances, os sujeitos tentam despertar as reações de quem os visita. Pode ser meio de olhares, sussuros, danças, toques ou massagens. É uma experiência forte, que testa os limites. Tem que estar preparado.
Seja qual for o seu mundo, sai de lá diferente. Mesmo ao repetir a dose, na Casa de Cultura de Santa Maria, continuo achando tudo muito estranho. E quero mais.


"Disfarça, tem gente olhando.
Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias.
Outros, olham de banda,
lunetas, luares, sintaxes.
De frente ou de lado,
sempre tem gente olhando,
olhando ou sendo olhado.
Outros olham para baixo,
procurando algum vetígio
do tempo que a gente acha,
em busca do espaço perdido.
Raros olham para dentro,
já que dentro não tem nada.
Apenas um peso imenso,
a alma, esse conto de fada."
(Rumo ao Sumo, poema de Paulo Leminski que é sussurado durante Provokações)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cheiro de filme bom


No início, vem o título: O Cheiro do Ralo. Logo depois, um close em uma bunda feminina andando pela rua. Não demora muito, e aparece um protoganista insuportável, cuja frase para definir sua vida é "Eu não gosto de ninguém".
Como esses elementos, pode parecer difícil gostar de um filme desses. Mas bastam alguns minutos para notarmos algo diferente. A começar pelo Selton Melo, que deixa de lado seus cacoetes costumeiros para encarnar um crápula, um canalha. Ele é Lourenço, dono de uma loja de penhores que sempre avalia com um certo desprezo as mercadorias recebidas. Do banheiro do local de trabalho, vem um cheiro insuportável do ralo, que parece impregnar sua vida cheia de falhas e ausências.
Obcecado por uma mulher - ou melhor, pela bunda dela -, ele vai levando sua vidinha ordinária. Pela loja, desfilam tipos que vão do trágico ao hilariante. O roteiro tem diálogos que fazem você querer ouvir algumas coisas novamente. Até mesmo as grosserias costumeiras de Lourenço são engraçadas.
Tem figurino, tem direção de arte, tem fotografia. E conta bem uma história, criada pelo quadrinista Lourenço Mutarelli. Já conhecia os grafismos dele, e nunca imaginei que o cara pudesse criar uma história tão cruel com tanto humor negro e que ainda ela virasse filme. Para completar, ainda deu uma de ator, sem dever nada prá ninguém, no papel de segurança da loja, com seu indefectível terno vinho.
Para essa avalanche de filmes estilo Rede Globo, um antídoto pode vir de criações como o Cheiro, onde tudo é feio, mas o resultado final é lindo.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Riscos existem. Eu rabisco

Lá se vão 10 anos de carreira no jornalismo, entre coluna em jornal de bairro, estágio em prefeitura e jornais diários. Nesse tempo todo, dá para contar nos dedos as vezes em que minha integridade física correu algum risco.

A primeira ocorreu em 1999, quando ainda era um mero estagiário da prefeitura de Viamão, na Região Metropolitana. Só que lá estagiário era gente. Até demais. Trabalhava bem mais de cinco horas e, quase sempre, ainda ficava engatado no fim de semana.
Pois foi numa noite quente de sábado que vi a morte de perto. E não foi nada tão poético como em O Sétimo Selo, do Bergman. Minha tarefa era fotografar o 1º Festival de Hip Hop, na Praça Júlio de Castilhos, no Centro. Um palco foi montado entre o Centro Administrativo e a Casa de Cultura, bem no Centro, para receber cerca de 30 grupos "de mano". Ah, eu também tinha de escrever a respeito, claro.
Passava das 10 da noite, e tudo ia bem. Não sou brigadiano, mas arrisco que havia umas 500 pessoas prestigiando o festival. Lá pelas tantas, bem do lado do palco, rolou uma pancadaria. Até aí, tranqüilo. Eu estava em cima do palco, bem de canto, só olhando a confusão. E não é que um maluco resolve sacar um revólver? Bom, a bala comeu. Até hoje não consegui assimilar quantos tiros foram dados, mas arrisco que chegou a meia dúzia. Ainda bem que o cara era meio perturbado. E muito ruim de mira.
Os disparos foram a esmo e não acertaram ninguém. E hoje até acho graça da correria. Saiu gente para tudo o que é lado, em tempo recorde. Inclusive o atirador. Eu não me mexi. Fiquei meio catatônico com aquilo tudo.
Já tinha visto tiroteio de perto quando criança, depois de um assalto a banco no Menino Deus. Também já visitei a casa de um amigo bem na hora em que o namorado da irmã dele, com um três-oitão, resolveu fazer a residência de alvo, no Partenon. Mas nada como essa experiência na vida adulta, na profissão.
Depois do tumulto, alguns manos continuaram a mostrar sua poesia. Só que muitos refrões pedindo paz perderam o sentido naquela noite. Tanto que menos de 50 pessoas permaneceram fiéis ao festival. Nem a Brigada Militar ficou, talvez porque a maioria era negra e pobre.
Episódios como esse revelam quão frágil pode ser a vida. Não fui herói nem pretendo ser, a não ser que a situação exija muito. Afinal, penso nos que gostam de mim e que gostariam de continuar tendo a minha presença por perto.

Lembro tudo isso porque fiquei sabendo nesta segunda-feira, Dia do Jornalista, que algumas pessoas querem a minha cabeça, literalmente, por conta de coisas que escrevi no jornal. Não tenho medo, mas prometo que vou me cuidar. Pois quero continuar atualizando este blog por um bom tempo.

***

Aguarde. No próximo capítulo das situações arriscadas, o dia em que, entre a Santa e o Porto, tinha um assalto a carro-forte.

Que venha o Juventude

Ainda bem que o Inter-SM existe para me consolar. Porque o Grêmio...
Confesso que até ando torcendo mais para o time de Santa Maria, pelo menos no Gauchão. Para quem assistiu partidas na Segundona, com jogadores meia-boca, gramado podre e arquibancada vazia, dá um orgulho agora de ver o Interzinho entre os quatro melhores no campeonato e o estádio cheio. Que venha o Juventude!

sábado, 5 de abril de 2008

A bela dor de Piaf


Marion Cotillard. Não a conhecia e não vou esquecê-la tão cedo. Vencedora do Oscar de melhor atriz pelo papel-título de Piaf – Um Hino ao Amor, essa francesa opera uma transformação física radical no filme. De uma jovem faminta e desbocada ela vai até a mulher enrugada e frágil que, no final da carreira, mal conseguia ficar de pé sozinha. Irretocável na expressão corporal e na dublagem de canções, ela chega para arrasar na última cena, na qual Piaf dá seus últimos suspiros artísticos na interpretação de Non, Je Ne Regrette Rien (Não, Não Me Arrependo de Nada), uma das últimas canções que gravou.
Em tempos tomados pela insensibilidade, o filme-biografia mostra o quanto a dor pode ser bela e nos ensinar a viver o amor e a se revoltar. Depois de uma vida nada comum, a cantora francesa morreu em 1963, aos 47 anos, com a aparência de quem tinha muito mais do que essa idade, em razão de reumatismo, muita morfina e doses cavalares de infelicidade.
Dá para ficar refletindo horas a respeito. No caso de Piaf, que foi abandonada pela mãe, chegou a viver no bordel da avó e quase ficou sem poder enxergar com seus belos olhos azuis, o talento extraordinário foi uma espécie de destino. Pode não ter anulado os outros destinos traçados para ela, mas foi forte o suficiente para guerrear com eles e superá-los. Sobrou dor. Mas esse sofrimento todo não apagou o que de mais lindo havia em Piaf.

"Não, absolutamente nada
Não, eu não me arrependo de nada
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal
Isso tudo me parece indiferente

Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Está pago, varrido, esquecido
Dane-se o passado

Com minhas lembranças,
Eu alimentei o fogo
Minhas mágoas, meus prazeres
Eu não preciso mais deles

Varridos os amores
Junto a seus aborrecimentos
Varridos para sempre
Vou recomeçar do zero

Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, tudo me parece igual

Não, de jeito nenhum
Não, não me arrependo de nada
Pois minha vida
Pois minhas alegrias
Hoje
Isso tudo começa com você"
(Tradução de Non, Je ne Regrette Rien, imortalizada por Edith Piaf)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Não peça ajuda aos universitários

Por que, num centro universitário, é preciso colocar um cartaz no banheiro com os seguintes dizeres: "Favor dar a descarga após usar o vaso sanitário". E por que a maioria dos usuários do tal recinto, depois de secar as mãos ou limpar a bunda, não joga o papel dentro da lixeira?

Gente estudada, de bom nível social.
É de pensar no assunto.

Heroína




Não são muitas pessoas que podem se orgulhar de ter salvo vidas sem ser bombeiro, policial, médico e até veterinário. Pois a Bruna Porciúncula, que é jornalista, tem isso no currículo. Já tinha adotado a Lídia. Mais recentemente, pegou uma ninhada de quatro ou cinco cães que tinham sido abandonados por alguém de maldade extrema. Os bichinhos eram recém-nascidos e ainda nem abriam os olhos...

Pois a Bruna não se fez de rogada e perdeu várias noites de sono para salvar essa gurizadinha. Alguns não sobreviveram e, de noite, vão puxar o pé de quem os abandonou, tomara. Mas um casalzinho está são e salvo. E os dois filhotes são lindos, como dá prá ver nas fotos acima. Parabéns, Bruna, você nos faz ter esperança na raça humana.

As origens 2

Entre 1984 e 1986, o Correio do Povo ficou fechado. Antes disso, o Breno Caldas tinha torrado uma grana na TV Guaíba. Depois de um tempo, não teve como segurar o rojão. Apesar de não ter o hábito de olhar o velho Correio na infância, fiquei sentido. Porque não via mais os caminhões passando carregados de bobinas de papel ou de jornais empacotados. Enxergava tudo isso da porta da loja de vinhos e bebidas da família na Getúlio Vargas, em Porto Alegre. A uma quadra dali, ficavam as oficinas do Correio do Povo. O prédio administrativo foi preservado e restaurado pelo Zaffari, mas o megagalpão onde o jornal era impresso virou hoje um hipermercado dessa empresa.
A volta do Correio, já nas mãos da família Ribeiro, foi marcada por uma campanha maciça, em que a assinatura era de graça. Então, muita gente, mas muita gente mesmo assinava o tablóide repleto de notícias resumidas. Inclusive eu.
Naquela época, saía pela manhã para ir à aula. E cruzava a pé todo o bairro Menino Deus para chegar até a Azenha. No caminho, as casas eram sem grades, os prédios de portas abertas e sem interfone. Cenário propício para uma travessura: eu e um vizinho, que estudava na mesma escola mas numa série abaixo, íamos arrecadando quase todos os Correios pelo caminho. Depois, chegávamos na aula e os distribuíamos para os colegas. Tudo bem que o jornal era de graça, mas hoje não vejo muito sentido em tudo isso. Mesmo fazendo parte do mundo do crime, dá pra dizer que foi meu primeiro emprego no jornalismo...

Hoje, o jornal é da Igreja Universal do Reino de Deus. Triste. Mas antes isso do que fechar, botar gente na rua e deixar de fazer parte da concorrência.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

As origens

Quando era bem piá, lá pelos 5/6 anos, ainda não sabia ler, mas o jornal já me causava algum interesse. Hoje, fazendo uma retrospectiva, lembro que a "culpa" foi do meu avô, Luiz Alberto Martins Fagundes, que faleceu quando eu tinha uns 10.
Eu ainda morava em São Paulo, terra em que nasci por força das circunstância. Eu e meu irmão somos os únicos da família inteira que nasceram lá, por causa do trabalho do pai. Voltando ao jornal... Meu vô e minha vó costumavam sair de Porto Alegre e ir à capital paulista, via ônibus da Penha, para visitar.
Nesse contexto todo, há lembranças peculiares. Primeiro, que lá em casa o jornal escolhido era O Estado de S.Paulo. Outra: o Estadão costumava colocar a cidade de origem de suas notícias de uma forma destacada, no início de cada texto.
Apesar da tenra idade, eu já identificava algumas palavras, graças ao hábito de olhar as revistinhas da Disney, muitas delas herdadas do meu irmão. Uma das expressões que sabia identificar bem era "Porto Alegre". Quando meu avô estava em São Paulo, eu costumava folhear o jornal de cabo a rabo, sempre procurando por notícias da cidade em que ele morava. Quando achava um "Porto Alegre", ia correndo mostrar pro vô.
Mais tarde, fui morar na cidade que aparecia no meu cabeçalho favorito do Estadão. O primeiro ano e meio foi na casa dos meus avós, no bairro Partenon. Era entre 1981 e 1982. Todas as manhãs, eu ia até a "quitanda" do Nérso, numa das esquinas da João do Rio. Com 50 centavos dados pelo meu avô, comprava uma Zero Hora. Os quadrinhos continuavam no top da preferência, mas eu também tinha uma atração pela Polícia e pelo Esporte. Claro que só pegava o jornal pra ler depois que meu avô fizesse a leitura dele, durante o café da manhã.

Não sei se isso tem alguma relação com o que eu me tornei. Mas a lembrança vale, porque estimula. Imagina se tem por aí algum piá fazendo o que eu fazia? Que tenha uma ligação afetiva com esse maço de papel...
Tá, tô numa fase bem sentimental com o jornalismo, eu sei. Provavelmente porque agora, fora da redação, posso discuti-lo enquanto conceito. E, para isso, busco no passado muitas lições. Assim, enxergo de forma mais lúcida o futuro.



Falado em resgate, vale dar uma olhada na fase nostálgica do Cacto.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Histórias do jornalismo II

Terça-feira, 23 de janeiro de 2001. Era mais um dia na minha vida de frila não-formado na Geral da Zero Hora (o milagre do diploma só ocorreria no final de 2003). Fazia tarefas importantes, mas nada emocionantes: notinhas para serviço e para o Informe do Ensino e o obituário (aprendi um monte com ele, não riam).
Enfim, o início da noite chegou com uma chuva daquelas sobre a capital gaúcha. O telefone não parava de tocar. Alagamento aqui, engarrafamento lá, e muita reclamação. Daqui a pouco, chega a notícia de que havia uma lotação presa no meio de um metro e meio de água, sob a passarela do Parque Moinhos de Vento, o Parcão, na Avenida Goethe.
Para quem não conhece, um parêntese: era histórico que aquele local algava em dias de muita chuva. Fazia parte da cultura porto-alegrense.
O mais inusitado daquela noite não era a lotação. No mesmo cenário, havia um jet ski (!) dando umas voltinhas. A essa altura, não havia repórter para ir até lá. O fotógrafo Mário Brasil já estava no local. Quem? Quem? Quem poderá ajudar?
Nem pensei duas vezes quando me pediram pra ir. Com aquela confusão pela cidade, o jeito foi pegar um táxi, pois não havia mais "viaturas" no jornal. Depois de enfrentar um engarrafamento-monstro na Avenida Ipiranga e ficar aflito por achar que perderia a história, cheguei até o lago na Goethe. A lotação estava lá. O jet ski, também. O fotógrafo estava com tronco dentro d'água. O equipamento era segurado acima da cabeça.
Bom, se eu quisesse contar mesmo aquela história, tinha de encarar. Pior que, dias antes, um colega repórter havia sido internado para tratar de hemorróidas (argh!). Depois de ter trabalhado numa enchente... Pensei: o que é uma dor no rabo perto de uma grande história? Azar, fui.
Fiquei até com medo de me afogar, pois não sou um modelo de altura. No meio daquela água podre, fui me deslocando até a lotação. Ali pela volta, o empresário Milton Chies fazia acrobacias com seu jet ski.
Encharcado e fedendo, entrei na lotação. Falei com o motorista e os dois passageiros. No fundo, todos curtiam a "aventura". Mas o mais animado era o dono do jet ski. Ele morava ali perto e resolveu pegar seu brinquedinho só para se divertir.
- Em outras enxurradas, já pensei em fazer isso. Desta vez, não resisti - disse, na época, para este repórter.
O bon vivant acabou virando um herói involuntário: tirou os dois passageiros da lotação. O motorista ficou no veículo, como um bom capitão que não abandona seu barco.
E eu recebi de brinde uma baita matéria. O fotógrafo, uma foto na capa da segunda edição. Naquele dia, senti o prazer inestimável de contar uma boa história. Me ralei, mas não tive hemorróidas nem leptospirose...


Em 2005, uma matéria no jornal porto-alegrense Já tinha o título "Jet ski na Goethe, nunca mais". No mês passado, logo depois da inauguração do conduto Álvaro Chaves-Goethe, que promete resolver o problema histórico dos alagamentos naquela avenida, um vereador falou mais ou menos a mesma coisa em um discurso na Câmara da Capital. Se tem gente que não esquece daquela cena, imagina eu.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Histórias do jornalismo I

Nem sempre dá para se orgulhar do que se faz no jornalismo. Aliás, tem coisas que dá para se envergonhar, e muito.
O ano era 2000. O mês, dezembro. Quase no Natal, o IBGE divulgou dados preliminares sobre o censo daquele ano. Em um jornal de grande circulação, a pauta especial era falar sobre a proporção entre homens e mulheres. Uma "força-tarefa" estava encarregada do assunto. Do interior, uma correspondente escreveria sobre a pequena Guabiju, na Serra, que tinha 1.745 habitantes - 873 mulheres e 872 homens, pau a pau, ou melhor, pau a... Ah, deixa pra lá.
Uma dupla repórter-fotógrafo ficou encarregada de ir para a rua e catar uma boa foto que retratasse a maior proporção feminina-masculina do Estado, que ocorria em Porto Alegre. A imagem saiu do Parque Moinhos de Vento, o Parcão.
Outra frente se abriu, rumo a Charqueadas, na Região Metropolitana. O repórter iniciante e o fotógrafo experiente foram até a cidade para tentar descobrir um motivo para os números que davam conta de 2.382 homens a mais do que mulheres, a maior proporção desse gênero no Rio Grande do Sul. A gincana: reunir o maior número de pessoas do sexo masculino em uma foto.
Pois lá se foram os otários, que não precisaram mais do que 5 minutos para descobrir que Charqueadas tinha 4 presídios que abrigavam 3 mil detentos homens. Ou seja, eles estavam na cidade e contavam no censo, mas não saíam andando pelas ruas...
Primeiro, eles foram para a praça principal. Ué, cadê os homens? Quase todos trancados... Os pobres jornalistas bem que ligaram para a redação e avisaram o editor do absurdo que estava rolando. Do outro lado da linha, pura compreensão:
- Não interessa. Voltem com a foto.
Depois de tentar arrecadar homens no Centro e ouvir alguns xingamentos, eles colocaram a cabeça prá pensar. Hmmm, quem sabe a cidade tem um quartel? Não tinha. O mais próximo disso era um alojamento da Brigada Militar, na saída de Charqueadas.
Ao chegar lá, um pouco de esperança. Um tenente ouviu o drama, exposto de forma sincera, e topou o desafio. Com voz de comando, mandou que todos os policiais do prédio descessem. Detalhe: à paisana. Senão a farsa ficaria muito descarada.
A coisa melhorou significativamente. Já havia cerca de 10 homens para uma foto. Por sorte, ali perto, três piás jogavam bola. Juntaram-se ao grupo. Mais dois rapazes passavam a cavalo. Entraram no quadro também. Mais um a pé e mais um de bicicleta. Pronto, passou dos 15 e quase chegou a 20. O fotógrafo, que não era bobo, fez uma imagem mais fechada. Parecia uma multidão.
O repórter, depois de entrevistar uns 20 homens e não chegar a lugar algum, consegue, finalmente, uma declaração que editor adora:
- Bah, aqui nos bailes a gente chega a se tapear por mulher.
Missão cumprida, vergonha completa. E um baita aprendizado de como não se deve fazer.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Proibido para hipertenso


Só depois de algumas cervejas, churrasco à vontade e goles de tequila é que fui perceber. O que faz mal, mesmo, é o tal do cloreto de sódio.

E por falar em...

Saudade. Quase sempre vira metáfora: "soprou um vento", "invadiu neu coração", "tomou conta da casa" "aperta no peito"... E por aí vai. Tudo muito bonito. Mas, na hora de sentir de verdade, dói. Ainda bem que não é incurável.

E ainda bem que dá pra sentir falta de um dia muito bom sabendo que ele pode ser igual ou melhor nas 24 horas seguintes.

Por último: não gosto de ficar acompanhando a partida de um alguém muito querido até a porta se fechar, o motorista dar a partida e o ônibus deixar o box. É masoquismo, acredite. Ale, até bem breve. Prefiro pensar assim.

Cinema sem reparação


Pois tudo funciona no novo velho cinema em Santa Maria, pelo menos na sala 2. As poltronas estão com todas as partes, o som Dolby digital se apresentou em dia, e não há reparos a fazer em relação à projeção. O saco é ter de esperar o elevador na saída do cinema, porque não há outro jeito de sair do Santa Maria Shopping. Mas um funcionário já me avisou que, em dias de mais público, as escadas estão liberadas. Menos mal. Nesse domingo, havia umas 20 e poucas pessoas para ver Desejo e Reparação na última sessão do dia.


Sobre o filme: surpreendeu positivamente. Não sou muito afeito a filmes de época ingleses. Via de regra, eles seguem com muito rigor a obra literária da qual foram originados. E aí a técnica cinematográfica não é bem aproveitada. Vide Uma Janela para o Amor, A Feira das Vaidades, Retorno a Howard's End... Se você gostou, desculpe. Mas, para mim, eles são chatos, muito chatos. Não vou generalizar: Razão e Senbilidade e Vestígios do Dia merecem ser vistos.

Desejo e Reparação vai nessa linha, ao contar uma história que se passa na Inglaterra dos anos 30, entre as duas guerras mundiais.

A história começa numa pomposa propriedade na Inglaterra. Lá vive a família Tallis, que se prepara para receber de volta o filho mais velho. A irmã mais nova, Briony, tem uma inaginação fértil que vai desencadear uma grande mudança no destino de todos os personagens. Por ciúme e por não entender bem o que acontece entre a irmã mais velha e o filho da governanta, ela acaba acusando o rapaz por algo que ele não fez.

A partir daí, o roteiro viaja pela vida dos personagens, mostrando como o futuro pode ser destruído por um ato impulsivo. No caso, o das irmãs e o do rapaz acusado. Nem quem inventou a história escapa, pois ela não consegue abandonar a culpa que sente pelo que fez. E só consegue buscar a tal "reparação" no último livro de sua longa carreira como escritora.

Surpreendente, de boa trilha sonora orquestrada (vencedora do Oscar), grandes atuações e com uma fotografia que leva do colorido da paisagem do interior da Inglaterra ao cinzento dos anos de guerra e de desencontros.


Filme bom, pipoca e boa companhia. Valeu o domingo.




quinta-feira, 27 de março de 2008

Post para maiores de 18

Não sou purista. Nem nas atitudes nem nas palavras. Volta e meia, num rompante, solto um bu... (piiii) no meio da redação. Ando mais comedido, mas os impropérios ainda saem da minha boca.

Essa módica introdução é para introduzir (aaaahhhh, q preguiça de pensar) uma historieta. Na terça, bem cedinho, peguei um táxi do bairro Santana, em Porto Alegre, para a rodoviária. Fui sorteado. O profissional do volante era o campeão do "nome feio". O cara que cortava ele no trânsito era viado, cuzão etc. A mulher que andava em zigue-zague recebeu a contribuição mais baixa de todas: "Pô, segura firme esse volante. Porque a minha pi... (piiii) tu gosta de segurar bem, gata." Outro motorista, mais um "FDP", vários "cara... (piiii)" passando, outras bu... (piiii) caminhando pelo Parque da Redenção... Meu Deus, só com desentupidor pra limpar tanta m... (piiii) que saía daquela boca.
Se o cara ainda fosse meu parente, se eu devesse algum dinheiro pra ele, se eu tivesse pego a irmã dele, até vai. Mas eu nunca vi mais gordo! Que lembre que é um prestador de serviços. Imagine se eu fosse devoto do Mãe-Rainha-Trocentas-Vezes-Sei-Lá-O-Que. Ele seria excomungado e arderia no fogo do inferno (ou ao meio-dia no Calçadão de Santa Maria, tanto faz). Com todo o respeito, QUE ELE SE F... (piiii)!

quarta-feira, 26 de março de 2008

Esqueça tudo o que você já viu


No Santander Cultural, em Porto Alegre, é possível viajar de graça. É o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, que ocorre simultaneamente no Rio. Interagir é a palavra da hora, pois em quase tudo o visitante pode participar ativamente, muitas vezes fazendo também parte da obra.

A belga Yacine Sebti, por exemplo, apresenta a Jump (na foto acima), onde o público participa como personagem, "pulando", na obra. Dali em diante, ele poderá começar a construir esta imagem, na qual também vê os outros visitantes: enquanto pula, ele lentamente desloca os saltos dos visitantes anteriores, com seus próprios saltos. E tudo vai parar num telão.

Tem também a obra do venezuelano Ernesto Klar, Convergenze Parallele, onde o visitante "sopra" a imagem e o som. Pequenas partículas podem formar um desenho inédito na tela.

Em Dreamlines, do argentino Leonardo Solaas, o cara entra com uma ou mais palavras (em inglês) que definem um sonho que ele gostaria de sonhar. O sistema procura na rede imagens relacionadas e gera uma pintura onírica, que muda constantemente.

Sem falar no Piso, dos brasileiros Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti. A pessoa pisa em uma das duas extremidades da máquina e essa ação produz o deslocamento de uma onda na direção equivalente à ação. A onda em movimento levanta a chapa de aço e o conjunto levanta quem ou o que estiver em cima dela.
Eu poderia ficar aqui falando por quase três horas (tempo que fiquei viajando lá dentro) de tudo o que vi. Mas não vou conseguir descrever todas as nuances e sensações. O negócio é ir até lá.

O lance vai até 20 de abril. São 150 obras – webart, netart, vida artificial, hipertexto, animação computadorizada, teleconferência em tempo real, realidade virtual, software art, além de games, filmes interativos, e-videos, fotos 360° e instalações de arte eletrônica.

Esqueça tudo o que você viu antes em termos de arte. Não fique parado. Interaja.

E use filtro solar.


Em busca da felicidade

Estou feliz, mas em crise permanente. Pois gostaria que todos ao meu redor estivessem felizes. "Todos" significa desde a pessoa que senta do meu lado na redação do jornal até o catador que vai buscar o jornal velho na minha casa. Infelizmente, não sou capaz de ajudar a todos, e isso me frustra um pouco.
São muitas as injustiças no mundo. E sou incapaz de resolver a maioria delas. Até porque tem um numeroso time jogando contra.
Volta e meia, tenho vontade de botar uma mochila nas costas e sair por aí, sem rumo. Só para fazer o bem. Não quero canonização, apenas me sentir legal. Sei lá o que isso. Não enxerguei nenhum santo nem recebi uma mensagem psicografada. Deve ser a idade.
Enfim (minha palavra preferida), se alguém precisar de ajuda para ser feliz, tô de plantão. Claro que tudo tem limite. Não posso resolver os problemas da dona de um certo bar da Venâncio, por exemplo.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Simplicidade na tela



Juno é um achado. De vez em quando, aparecem esses filmes americanos que dependem só do roteiro e das boas interpretações. Porque a maioria, você bem sabe, se apóia nos efeitos e na maquiagem. Não que esses sejam ruins, mas é que, de vez em quando, a simplicidade faz falta.

A protagonista que dá nome ao filme (interpretada por Ellen Paige, sensacional) é uma garota de 16 anos que fica grávida na primeira transa, em meio a sua rotina diária de high school. O bacana é que o longa destaca pessoas comuns, sem cair no esteriótipo que filmes desse tipo de gênero e trama costumam apresentar. Não há pais desajustados que vão chorar pelo destino da adolescente, não há namorado canalha e não há uma protagonista idiota - aliás, esperteza é o que não falta para ela.

Enfim, nossa heroína decide dar o bebê. É aí que entra em cena o casal interessado. Ele é um publicitário, roqueiro e fã de filme de terror e quadrinhos, que acaba deixando tudo isso o que curte porque a mulher (obcecada em ser mãe mas incapaz fisicamente) o censura. É aí vem mais um pedacinho de vida real: ela não percebe que mata o homem por quem se apaixonou ao podá-lo de seus prazeres.

É um filme (raro) que consegue ser inteligente ao falar de adolescentes. O diretor Jason Reitman (que deixou para trás o cinismo de seu Obrigado por Fumar, muito bom, aliás) se revela de uma sensibilidade incrível e um construtor de belos diálogos. E ainda arrumou uma trilha sonora meio folk, bem agradável, que combina com a toda a história.

É uma hora e meia de ótima companhia. Mesmo se você for sozinho ao cinema, fique tranqüilo. Lá na tela, só tem gente legal para bater um papo.


Em tempo: minha amiga Adri já falou desse filme em seu blog. Dá uma olhada aqui.

quarta-feira, 19 de março de 2008

A academia

Volto à rotina de escrever para falar que voltei à academia. Não, não estou levantando peso nem fazendo spinning, step, gap ou qualquer uma dessas coisas "estrangeiras". O único exercício, nesse caso, é pensar. Depois de quase cinco anos, estou estudando. É um curso de especialização. O nome é pomposo: Comunicação e Projetos de Mídia. As aulas são sexta à noite e sábado o dia inteiro.
Por enquanto, foi apenas um final de semana. É cedo pra avaliar o tal do curso. Mas que faz bem sair um pouco do ambiente de uma redação de vez em quando, não há dúvida. Outro mundo, outro tipo de discussão, outras pessoas...
Só não sei de que forma vou levar. Não lembro se já contei isso aqui, mas meu curso de jornalismo durou 10 anos. Quase fui jubilado. Por isso que não respeito muito o diploma. Trabalho há mais de 10 anos na área e só me formei há quatro. E vi muito nêgo graduado patinar pra fazer as coisas que eu fazia antes de ser "bacharel". Então, peguei um certo ranço.
Mas isso já passou. Quero, quem sabe, um dia poder dar aula. E, para isso, preciso dos títulos de "dotô". Talvez eu chegue lá, vamos esperar.


Historinha de começo de aula.
Sexta-feira à noite. Em um auditório do Centro Universitário Franciscano, uma professora dá sua aula inaugural, usando data-show coisa e tal. A atividade era aberta para os alunos da especialização e os da graduação.
Em todas as cadeiras do chamado "salão de atos" (talvez a pessoa que batizou não conheça o da UFRGS), havia uma revista dos alunos do Jornalismo. Passado um tempo do começo da explanação da profe, uma loira (se era natural, não sei dizer) chega com a amiga e vê vários lugares vagos em uma fila. Pára, olha e faz cara de braba.
- Mas que saco! Todos os lugares estão reservados...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Os comentários

Como continuo em crise de pensamentos, aproveito para dar o devido destaque aos comentários, que são uma parte legal disso tudo. O chiado do vinil bateu todos os recordes do blog. Vocês não imaginam o quanto isso faz bem. E olhem o nível desse pessoal. Te mete!


"Pavão misterioso"
7 Comentários -

Ale disse...
Tigre, não é que vc não sente falta do chiado. O bom é ter o acesso fácil a todo tipo de música. Mas, me diz, ouvir um vinil não é maravilhoso? Aquele chiadinho soa tão bem. bjos
11 de Março de 2008 10:54

Maurício disse...
Então chega lá em casa pra escutar um Ultraje no vinilzão....
11 de Março de 2008 13:47

Cor de rosa e carvão disse...
maurício: pior sou eu que tenho trilha sonora de novelas, com aquela música do Ultraje: 'nú com a mão no bolso'. Diria até que é a minha música atualmente...
11 de Março de 2008 22:08

vitor disse...
eu tenho saudade de um chiado, na verdade, um estalo. um dos meus discos preferidos era o paco de lucia tocando concerto de aranjuez. lá pelas tantas, no clímax do adágio, o cara enlouquecia no violão para, em seguida, a orquestra entrar. mas antes da orquestra toda entrar, o disco estalava. até hoje, quando ouço qualquer gravação deste concerto, fico esperando o estalo.(obrigado pelo link, não sabia... descobri agora, em seguida à descoberta do teu blog)
11 de Março de 2008 23:37

Francieli Rebelatto disse...
Pelo visto todos acima ainda são uns velhos românticos, heheh....
Eu também o sou, por isso quero uma vitrola e uma coleção de vinil, opa também um violão...
para o chiado ser feito pelas próprias mãos....
Ok, Ok, confesso a "portatilidade" da vida também me agrada.
Vontade de trazer o mundo no bolso...
12 de Março de 2008 13:59

Tati Py disse...
Cês lembram daquele cheirinho de disco novo? E como ele reluzia quando a gente tirava do plástico?
Só não tenho saudade dos discos arranhados. E eu era dona de arranhar discos. Meu pai chegava a esconder sua "discoteca da Jovem Guarda" pra eu não destruir...
12 de Março de 2008 15:15

Adri! disse...
Anteontem comentei com meus coleguinhas novinhos de trabalho - enquanto eles colocavam uns MP3 no 'pen' da Tia Adri - sobre minhas fitas K-7 e as seleções, por estilo, que tinha em cada uma delas: obviamente, dividadas em rock nacional, rock internacional e balaaaaaaaaaaaadas...
essas com todas as vinhetas que vocês possam imaginar das rádios de POA. Isso porque a primeira coisa que fazia, dos meus 10 aos meus 16 anos, quando acordava pra ir pro colégio, era dar 'play-record-pause' no 2x1 do meu quarto infanto-juvenil-refúgio-da-rebeldia-e-das-dores-de-amores!!!
p.s.: Tigre, please, segue escrevendo. mesmo que sem grande inspirações...é sempre bão saber de ti!!! Beijos!!!
16 de Março de 2008 09:25

sexta-feira, 14 de março de 2008

Recesso

Pra quem se acostumou a ler um post por dia nas últimas semanas:
A internet não anda colaborando muito... e as idéias, também.

Até daqui a um tempo, aquele abraço

terça-feira, 11 de março de 2008

Pavão misterioso

Vamos a mais um pouco de nostalgia.
Hoje pareço moderninho, pois tenho um blog e carrego um caminhão de músicas pendurado no pescoço. Mas não faz muito tempo (tá, até faz) eu gravava as músicas do rádio em fita cassete para poder ouvir depois. Algumas até tinham um "su-su-su-su-su-su-cééééésso" junto.
Tudo começou com as fitinhas que havia lá em casa. Uma em particular me chamava a atenção: tinha Nuvem Passageira, com o Hermes Aquino. Gastei a música no deck do nosso "3 em 1".
Mas as maiores descobertas daquela época (eu tinha uns 7/8 anos) foram os LPs do meu irmão. Mergulhei naquele mundo eclético dele. O primeiro garimpo foi Falso Brilhante, da Elis. Nem a mãe, tri fã da Elis, aguentava mais ouvir aquele disco, de tanto que eu colocava. Ainda tinha Caetano, Pink Floyd, Led, Ednardo (aquele do Pavão Misterioso), Astor Piazzolla, Rita Lee, Eduardo Dusek... Certa vez, um colega meu pegou emprestado 2 discos do Yes. E não é rolou uma festinha na casa dele (ele tinha uns irmãos mais velhos também) e sumiram os LPs? Bom, até hoje meu irmão não sabe que fim levaram os discos...
Tudo era um ritual. Até ir numa galeria do Centro de Porto Alegre para mandar gravar em cassete uns "discos piratas" de shows na Europa do Led Zeppelin e do Deep Purple. E, hoje, com alguns cliques e uma boa ferramenta de busca, dá pra encontrar tudo isso em poucos minutos, sem sair de casa. Não, e eu não sinto saudade do chiado.

Gente como a gente

O Ministério das Relações Interiores adverte:
Jornalista é igual a todo mundo
Chora e/ou ri
Tem amigos e/ou inimigos
Acerta e/ou erra
Bebe e/ou vai à igreja

segunda-feira, 10 de março de 2008

Algo a dizer

Foi-se o tempo em que eu não tinha algo a dizer. Ou que eu tinha medo de dizer algo. Sinceramente, não gosto de assumir responsabilidades. Mas não tenho mais medo delas.
No fim, se você sempre for sincero, fica fácil. Por mais que aquilo que você está dizendo não seja o que a pessoa do outro lado queria ouvir. O negócio é se colocar na posição do outro.
Também não temo em errar. Acertar sempre é impossível. Mas sei que as minhas intenções são as melhores. Então, no final, tudo vale a pena.

Bom, todo esse papo de neurolingüistica é para lembrar de uma história de escolhas erradas. Uma vez escolhi o trabalho como prioridade, em detrimento da faculdade. Era divertido, eu ganhava uma graninha... Mas tava parado no mesmo lugar. E o cavalo passou encilhado várias vezes... No fim, fui parar no olho da rua, com uma mão na frente e outra atrás. Ainda bem que não larguei o curso de Jornalismo, naquela falsa ilusão de ser um "profissional".
Formado e desempregado, eu cheguei a pensar em voltar para o comércio. Nenhum demérito para a atividade. Pelo contrário. Afinal, encostei a barriga no balcão (da loja de vinhos e do restaurante da família, da locadora de vídeo...) desde os 13. E muita coisa aprendi. Muito mais do que nas cadeiras de Linguística e Fundamentos de Editoração (!).
Mas, parando pra pensar, será que a escolha de priorizar o trabalho foi errada mesmo? Será que eu não chegaria aos dias de hoje num sentimento de infelicidade com meu local de trabalho?
Não existem escolhas erradas, apenas escolhas. Se a minha fosse tão errada assim, talvez eu estivesse hoje trabalhando na Renner (pelo menos ganharia desconto nas camisetas do Planeta Atlântida). Se eu tivesse resistido a todos os sentimentos que tive, talvez hoje não tivesse a capacidade de amar. Nem de ser amado.
O certo é que hoje não privilegio nada, mas tudo. E, acima de tudo, a vida. Sem se lamentar. Sem ter raiva. Adianta?

E olha que até dá saudade da falta de responsabilidade e da ausência de compromissos. De vez em quando, preferia ser mesmo um ninguém por completo. Apenas mais um na multidão. Mas não se preocupe, é um sentimento bem rápido. Se você chamar por mim, saio do meio do povo e venho correndo.

domingo, 9 de março de 2008

Barão campeã

Deu Barão do Itararé em 1º, Trevo de Ouro em 2º e Unidos do Itaimbé em 3º. Ganhou a organização, a sorte, o trabalho. Império, ano que vem tem de novo e vocês vão arrasar. Barão, parabéns pelo primeiro titulo.

A maldição do Carnaval de rua





Quando eu tinha uns 14/15, costumava ir escondido até os desfiles do Carnaval de rua em Porto Alegre, primeiro na Perimetral e depois na Augusto de Carvalho. Fica ali pela dispersão, pegando o finalzinho das apresentações e gritaria de quem cumpriu seu dever na passarela. Numa época antes dessa, virava a noite vendo o Carnaval do Rio na TV (tá certo que não era só pelo samba, eu queria ver mulher pelada também), apesar dos apelos da mãe para que eu fosse pra cama.
O tempo passou, e o Carnaval de Porto Alegre ficou mais longe de casa. E eu só fui ter a chance de chegar perto de novo do samba na avenida em Viamão, quando estagiava na assessoria de imprensa da prefeitura. Depois, ainda fui privilegiado com uma credencial para os desfiles na Capital. Já um pouco mais dono das minhas idéias, pirei ao ver uma bateria passando bem do meu lado. E, agora, se tenho a chance de sentir isso, não perco. Como fiz em Floripa no mês passado.
Já tinha visto o Carnaval de Santa Maria antes. E já tinha gostado. Agora, em 2008, os desfiles voltaram depois de um ano de ausência. Oito escolas mostraram sua homenagem aos 150 anos de Santa Maria.

Se você quiser uma análise mais apurada, dá uma olhada no blog da Tati. Eu fico só com a emoção. Com o choro dos puxadores da Império da Zona Norte (na foto aí de cima), escola que levantou a arquibancada com um samba de primeira, mas teve três carros quebrados. Com a batéria nota 10 da Unidos do Itaimbé. Claro que fiquei grudado neles, no recuo. Ou você acha que sou bobo?

Nem tudo foi lindo. A outrora luxuosa Vila Brasil, por exemplo, tava pobrinha, pobrinha. E o samba não ajudou (sem falar no Macalé, que, do jeito que cantou, devia pedir pra sair). Mas a batucada compensa tudo.

Hoje tem a noite das campeãs. Como caí nessa tal de maldição, não tem jeito: vou.


***

Um repórter (de folga, só no lazer) toma cerveja na pista. O político com mandato passa, pára e olha. Cumprimenta. Na saída, esbarra na mão do repórter e derruba a latinha de Sol, que tava bem gelada. É ou não é caso pra impeachment?











































Santati


Ela tem um blog muito bacana
Como se não bastasse, salvou minha vida.
E ainda tem ginga.
Salve o samba, salve ela.
Valeu, Tati.

sábado, 8 de março de 2008

O sol nasce pra todos



Amanheceu, peguei a viola
Botei na sacola e fui viajar
Sou cantador e tudo nesse mundo
Vale prá que eu cante e possa praticar
A minha arte sapateia as cordas
E esse povo gosta de me ouvir cantar

Ao meio-dia eu tava em Mato Grosso
Do Sul ou do norte não sei explicar
Só sei dizer que foi de tardezinha
Eu já tava cantando em Belém do Pará

Em Porto Alegre um tal de coronel
Pediu que eu musicasse uns versos que ele fez
Para uma china, que pela poesia,
Nem lá em Pequim se vê tanta altivez

Parei em Minas prá trocar as cordas
E segui direto para o Ceará
E no caminho fui pensando é linda
Essa grande aventura de poder cantar

Chegou a noite e pegou cantando
Num bailão lá no norte do Paraná
Daí pra frente ninguém mais se espanta
E o resto da noitada eu não posso contar
Anoiteceu e eu voltei prá casa
Que o dia foi longo e o sol quer descansar

(Amanheceu, Peguei a Viola, Renato Teixeira)

sexta-feira, 7 de março de 2008

A pergunta da semana

Por que um guia das ruas de "São Francisco", nos EUA, é vendido numa revistaria da rodoviária de Porto Alegre, com direito a exposição na vitrine?
Talvez tenham criado uma linha de ônibus direto pra lá e eu não fiquei sabendo.

Me dá o fogo

Um "esqueiro", numa análise, digamos, infame e grosseira, seria algo que um dia você quis e agora não quer mais?
Bom, segundo a prefeitura, coisas como "esqueiros" iriam ser destruídas na manhã desta sexta.
Não, eu não tô louco. Olha aqui.

É uma festa


Pra quem já foi a jogo com meia dúzia de gato pingado, quanta diferença. Ir ao Estádio Presidente Vargas virou um baita evento. Tem novo, velho, mulher, criança e até cachorro. Agora vendem até churros com chocolate. Mas tem coisas que acho que não vão mudar jamais: a cerveja quente e o banheiro podreco.
Mas uma novidade está valendo a ida ao estádio: a charanga. Quase toda formada por milicos, a junção une metais de sopro com percussão e não pára nunca. Com direito a Marcha Fúnebre na hora em que um jogador do adversário se machuca. E eles ainda acompanham com música o tradicional grito de FDP da torcida para o juiz.

E era isso que o Franco tava gritando na foto acima, para deleite da Tati e da Tatá. Em outra imagem, abaixo, a Bruna mostra que estava atenta ao espetáculo, grudada ao alambrado como uma típica torcedora.

Ah, o jogo com o Veranópolis foi 1 a 1. Eu e o Franco continuamos invictos. Quando construirem uma arena em 2058, vamos ganhar um camarote.














quinta-feira, 6 de março de 2008

Haja saúde

Hoje tem jogo do Interzinho. E mulher não paga... Iiiiissa! Como uma parte feminina da redação promete comparecer (no jogo, mané. muita calma nessa hora), e o Franco já é parceiro confirmado (pro jogo, mané. não fica pensando em coisa suja), claro que vai rolar uma cervejinha de canto. Vai estar meio quente (a cerveja, não o jogo), mas vai rolar.

Amanhã tem a recepção de formatura da Fran. É sair do trabalho e afundar o pé na jaca. E ainda tem Carnaval de rua.

Sábado, mais Carnaval de rua. E um baile de formatura como opção. Isso se não rolar um churrasco durante o dia...

Agora, dois pedidos:
1) Alguém me empresta um fígado?
2) Alguém me arruma algo insano pra fazer no domingo?

quarta-feira, 5 de março de 2008

Simples como a vida

Que fase.
Uma menina me liga de Porto Alegre para que eu decida onde ela deve morar.
Alguém me agradece muito por algo que fiz, sem eu saber que aquilo fazia tanta diferença.
Uma pessoa conta algo chorando, porque você simplesmente parou para ouvi-la e olhar nos olhos dela.
Uma grande amiga faz uma singela homenagem em seu blog.

Dia para ficar nas nuvens. E, como diz aquela música do Pato Fu, "acima das nuvens, o tempo é sempre bom".

Tá. Mas nem tudo na vida acontece do jeito que a gente quer. Ao mesmo tempo, tem coisas que você não espera, mas quer, e elas acontecem. Filme bom é assim, com várias nuances e viradas. Por enquanto, tô gostando do roteirista, seja ele quem for.

Ziriguidum

Com o Carnaval fora de época de Santa Maria, terei a chance de assistir dois desfiles em menos de dois meses. O ano começa bem. O outro foi em Floripa, como já falei aqui. Sentir a bateria de uma escola de samba passando do teu lado é uma sensação que todo mundo deveria experimentar. Mesmo que você esteja ruim da cabeça e doente do pé, vale a pena não perder essa chance. Todos os dias, vai começar às 20h30. Olha aí a programação:

Sexta-feira
* Blocos Catando Cidadania e Vila Brasil do Futuro
* Imperatriz Academia do Samba
* Barão do Itararé
* Mocidade Independente das Dores
* Trevo de Ouro

Sábado
* Bloco Os Audaciosos
* Unidos de Camobi
* Unidos do Itaimbé
* Vila Brasil
* Império da Zona Norte

Domingo
* Desfile das campeãs (com as três primeiras colocadas)

O melhor prêmio da semana

Fui premiado (sim, vamos hoje para a primeira pessoa. Mais umbigo, impossível).
Calma, esse prêmio é mais recente, não tem a ver com nenhum troféu ou alguma viagem...

Antes de contar, um parêntese. Quando eu ainda cursava a faculdade de jornalismo, comecei a trabalhar na Zero Hora. Um certo domingo à noite, já tinha terminado todas as minhas pequenas tarefas burocráticas, quando chega a notícia de que um avião forrado de passageiros derrapou na pista do Salgado Filho e foi parar na grama. Imediatamente, a Lúcia Pires foi mandada para lá, com fotógrafo.
Dali a pouco, vem a informação de que há feridos que começam a ser levados para hospitais. E, agora, o que se faz. Diego Araujo grita:
- O que tá fazendo, Tigre?
- Já terminei minhas coisas, por quê? (Me fazendo de louco)
- Tu pode dar uma volta nos hospitais pra falar com os feridos?

Que dúvida. Lá fui eu, com o fotógrafo Mauro Vieira. Prmeiro, passamos pelo Pronto-Socorro. Que decepção, lá não tinha ninguém. Fico um tempo em depressão, em frente ao hospital, pensando que havia perdido uma chance. Não demora, e o celular toca. Hospital Cristo Redentor é o destino agora.

Ao chegar no Cristo, é preciso uma negociação com o guardinha. Algum tempo quarando, e a entrada é liberada. Bingo! Várias pessoas que haviam tomado um baita susto lá. Um senhor me conta que achou que iria morrer. E que caiu no meio do barro, ao descer do avião por uma rampa de emergência. E nessa linha vieram outros relatos.

Volto para a redação. Em 15 minutos, minha parte estava escrita, para juntar com a da Lúcia. Meu nome não saiu, porque eu não era formado, mas eu sabia que meu texto estava lá. Putz, que alegria. Claro que a mãe e o pai também souberam. Cheguei a sublinhar no jornal os trechos que eram meus...

Corta para a redação do Diário de Santa Maria. Março de 2008. Início de noite. Eduardo Silva, jovem recém-formado, acaba de terminar um texto policial sobre a mulher que colocou fogo no marido. Daí eu lembro do detalhe: o magrão já tinha o canudo. Logo, poderia assinar o texto. Por isso, falo:
- Dá para assinar esse texto aí, né?
Nem preciso dizer que a cara dele denunciava a felicidade. Cheguei a me engasgar, tchê.

Em apenas alguns minutos, momentos únicos, que fizeram diferença na vida. Oito anos depois que alguém me deu uma chance, o destino quis que eu proporcionasse uma alegria semelhante para outra pessoa. Vamos para o clichê: isso não tem preço. Esse foi o melhor prêmio que ganhei na semana, sem dúvida.

terça-feira, 4 de março de 2008

6:00 a.m.


Insônia. Esse poderia ser o título da foto.

Classificados

Troco uma cadeira ao lado do bebedouro por uma cadeira de praia, atrás de um castelo de areia com vista para o mar. Tratar em horário de fechamento de um jornal.

Compro uma idéia, mas só posso pagar parcelado ou no cartão Visa Vale. Para abater no preço final, tenho alguns pensamentos um pouco antigos, mas bem conservados. Negociações depois das 23h, na mesa de um bar.

Procuro parcerias para excursões rumo ao desconhecido e ao inesperado. É preciso saber cozinhar, ter disponibilidade para sair do sério e gostar de pimentão. Mais informações podem ser obtidas no caminho entre Santa Maria e Porto Alegre.

Barbada! Torro... o saco, em dias de mau humor ou tristeza. Aproveite que a promoção é por tempo limitado.

domingo, 2 de março de 2008

Desde o Superman. E que venha o 13 de março

A primeira lembrança que eu tenho de um cinema é de um cinema sem nome. Claro que ele tem um, mas eu não lembro. Afinal, eu tinha uns 5/6 anos. Fui levado pelo meu irmão para ver Superman - O Filme, em algum lugar da capital paulista. Não sei se esse cinema ainda existe. Provavelmente, não. Não consigo me recordar do ambiente, apenas de uma sala escura com uma imagem projetada na parede.
Mas essa primeira experiência terminou cedo. Lá pela metade do filme, eu pedi pra sair. Não lembro se fiz fiasco, mas acabei convencendo meu irmão. Não tenho total certeza do que eu tô falando, mas acho que a razão era por medo. Sei lá do quê. E o filme era legendado...
Depois disso, só me vem a mente um cinema em Porto Alegre. Na verdade, dois. Não sei o que veio primeiro. Lembro da minha vó Adelina me levando no Cine Miramar, no Partenon (do lado de uma loja Incosul, que Deus a tenha), para ver um filme dos Trapalhões. Também lembro do meu irmão (ele, de novo) me arrastando pra ver Aristogatas, da Disney, no Scala, lá na Rua da Praia. Dessa vez eu aproveitei mais.
A minha querida avó tá firme, mas nem tão forte. Os cinemas que citei, não. Já se foram. Não sou de ficar lamentando isso. Esses locais fizeram seu papel. Que outros de melhor qualidade venham para o lugar deles. O que não dá é pra ficar sem nada.
Como em Santa Maria... Mais de 240 dias sem cinema! E olha que ainda tenho o consolo de poder ir a cinema por aí mundo afora.
Aí fico sabendo que Santa Maria vai voltar a ter dois cinemas no dia 13 de março. Contando, faltam 10 dias. Confesso que tô na expectativa. Depois do Superman e dos Aristogatas, a coisa só fluiu. Virei freqüentador. Ou "cliente", numa visão mais mercantilista.
Nessas horas, lembro do Cine Roma (na Azenha), que exibia os tops da época cerca de uma semana depois da estréia. E pela metade do preço.

Pára tudo para uma nota de redação: o autor deste texto agora vai mostrar que não cozinha na primeira fervura. Agora, podemos continuar.

No Roma, vi coisas como Caça-Fantasmas, Rambo 1, Comando para Matar, O Retorno de Jedi... Ia com os colegas de 1º Grau (meu pai amado... onde eu vou chegar?) nas matinês de domingo.
Lembro também do Marrocos, o cinema do meu bairro. Lá vi O Beijo da Mulher-Aranha e O Exterminador do Futuro. Ambos com censura 16 anos. E eu não tinha 16 anos...
Lembro também do Bristol, na Osvaldo Aranha. Era o cineclube de hoje, só que com freqüência diária. Só passava ciclos de uma semana. Numa delas, só passou filme do Hitchcock. Em outra, o tema era rock n'roll - lá pude ver The Song Remains the Same, do Led, e Pink Floyd - The Wall.
Por tudo isso, criei uma relação afetiva com a telinha. Ou melhor, a telona. Então, que venha o dia 13. Talvez eu até compre pipoca. Quem sabe um Bib's ou uma bala de goma.

sábado, 1 de março de 2008

Diversão

As nossas festas estão ficando meio rotineiras. Mas é uma rotina das boas...